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terça-feira, 21 de julho de 2015

Lição 4: Pastores e Diáconos

Lição 4: Pastores e Diáconos

TEXTO ÁUREO
“Convém, pois, que o bispo seja irrepreensível, marido de uma mulher, vigilante, sóbrio, honesto, hospitaleiro, apto para ensinar” (1Tm 3.2).

TEXTO BASE
1 Timóteo 3.1-4,8-13.
1 — Esta é uma palavra fiel: Se alguém deseja o episcopado, excelente obra deseja.
2 — Convém, pois, que o bispo seja irrepreensível, marido de uma mulher, vigilante, sóbrio, honesto, hospitaleiro, apto para ensinar;
3 — não dado ao vinho, não espancador, não cobiçoso de torpe ganância, mas moderado, não contencioso, não avarento;
4 — que governe bem a sua própria casa, tendo seus filhos em sujeição, com toda a modéstia.
8 — Da mesma sorte os diáconos sejam honestos, não de língua dobre, não dados a muito vinho, não cobiçosos de torpe ganância,
9 — guardando o mistério da fé em uma pura consciência.
10 — E também estes sejam primeiro provados, depois sirvam, se forem irrepreensíveis.
11 — Da mesma sorte as mulheres sejam honestas, não maldizentes, sóbrias e fiéis em tudo.
12 — Os diáconos sejam maridos de uma mulher e governem bem seus filhos e suas próprias casas.
13 — Porque os que servirem bem como diáconos adquirirão para si uma boa posição e muita confiança na fé que há em Cristo Jesus.

OBJETIVOS
I. Tratar a respeito do episcopado.
II. Apresentar as qualificações e atribuições de um líder.
III. Refletir a respeito do diaconato.
IV. Conscientizar-se de que o serviço é a razão de ser do ministério.

INTRODUÇÃO
- Nos dias atuais estamos presenciando a pregação de um “Evangelho” que parece ter perdido a direção do Reino de Deus.

- São muitas pregações espetaculares, espalhafatosas mas sem vida real, sem transformação de vida, totalmente diferente da simplicidade e o poder que há no verdadeiro Evangelho.

- Isso acontece porque os obreiros perderam a essência do serviço episcopal, conforme Paulo trata com tanto zelo e honra, honra esta que é superior ao dinheiro e status social.

- Temos a oportunidade de aplicarmos em nossos corações estas virtudes, com certeza seremos discípulos melhores após esta lição.

- Ser pastor não é abraçar uma profissão, mas um ministério divino cuja função primordial é cuidar das ovelhas do Senhor.

- Nenhum pastor tem condições de cuidar do rebanho sozinho. São necessários ajudantes, por isso, neste mesmo capítulo, o apóstolo Paulo fala a respeito do diaconato.

- Estudaremos a respeito do pastorado e do diaconato e suas respectivas funções no Reino de Deus.

I. QUEM DESEJA O EPISCOPADO
- Somente agora, depois de expor a todos os membros da igreja suas prerrogativas e obrigações universais e domiciliares, o apóstolo também passa a falar dos servidores da igreja.

- Os cap. 2 e 3 se encontram numa ligação interior: a) o centro do culto, a presença do Senhor no Espírito, na palavra, na ceia do Senhor (1Tm 1.15; 2.6; 3.16); b) reunida em torno e direcionada para esse centro estava a igreja, homens e mulheres, em uma oração que abarca o mundo (1Tm 2.1,8-15); c) justapostos a esse serviço há presidentes e diáconos (1Tm 3.1-13).

- Os pastores e diáconos seriam
os responsáveis para atuarem contra os hereges, que se precipitariam sobre o rebanho após a despedida de Paulo, o apóstolo não tomou providências de cunho jurídico-eclesiástico ou de natureza organizacional, e tampouco ampliou a competência dos presidentes, mas exortou os presbíteros reunidos em Éfeso que se mostrem dignos de sua vocação pelo Espírito Santo, que cuidem de si mesmos e do rebanho que lhes foi confiado.

- A Timóteo o apóstolo escreve o mesmo: deve cuidar de si mesmo e da doutrina, de modo que salvará a si e aos que lhe derem ouvidos (1 Tm 4.16). De modo análogo cabe agora exortar os presidentes e diáconos em vista de sua vida e seu serviço pessoal.

1. “Excelente obra deseja”.
- “Esta é uma palavra fiel: Se alguém deseja o episcopado, excelente obra deseja” (v.1).

- Paulo assevera que almejar o episcopado, ou seja, o pastorado é aspirar uma obra excelente.

- Contudo, é importante ressaltar que a função pastoral não é uma profissão ou um meio para ascender social e economicamente.


2. A chamada.
- O ministério pastoral vem de Deus. É Ele que escolhe. Muitos são escolhidos e separados apenas pelos homens, mas não por Deus.

- Paulo afirma que foi chamado pelo Senhor desde o ventre de sua mãe (Gl 1.15).

- Quem é chamado não só tem a convicção do convite, mas apresenta um perfil que agrada a Deus.

Natureza do chamado
Se algum homem deseja ser ‘bispo’, deseja um encargo nobre e importante. É necessário, porém, que essa aspiração seja confirmada pela Palavra de Deus (1Tm 3.1-10; 4.12) e pela igreja, porque Deus estabeleceu para a igreja certos requisitos específicos. Quem se disser chamado por Deus para o trabalho pastoral deve ser aprovado pela igreja segundo os padrões bíblicos.

Isso significa que a igreja não deve aceitar pessoa alguma para a obra ministerial tendo por base apenas seu desejo, sua escolaridade, sua espiritualidade, ou porque essa pessoa acha que tem uma visão ou chamada.

A igreja da atualidade não tem o direito de reduzir esses preceitos que Deus estabeleceu mediante o Espírito Santo. Eles estão plenamente em vigor e devem ser observados por amor ao nome de Deus, ao seu reino e da honra e credibilidade da elevada posição de ministro.

Os padrões bíblicos do pastor, são principalmente morais e espirituais. O caráter íntegro de quem aspira ser pastor de uma igreja é mais importante do que personalidade influente, dotes de pregação, capacidade administrativa ou graus acadêmicos. O enfoque das qualificações ministeriais concentra-se no comportamento daqueles que perseveram na sabedoria divina, nas decisões acertadas e na santidade devida.

Os que aspiram ao pastorado sejam primeiro provados quanto à sua trajetória espiritual (cf. 3.10). Partindo daí, o Espírito Santo estabelece o elevado padrão para o candidato, [isto é] que ele precisa ser um crente que se tenha mantido firme e fiel a Jesus Cristo e aos seus princípios de retidão, e que por isso pode servir como exemplo de fidelidade, veracidade, honestidade e pureza.


3. O preparo.
- Deus chama, porém, o preparo cabe aos seus servos. O pastor precisa ter conhecimento bíblico (o que deve saber), teológico e habilidades ministeriais (o que deve ser capaz de fazer).

- Seu preparo não termina quando conclui um seminário teológico, mas se dá durante toda a sua jornada. Em o Novo Testamento vemos que os apóstolos foram chamados, mas só foram enviados após algum tempo de aprendizado com Jesus (Mc 6.7; Mt 10.16; Lc 10.1).

- O exemplo de Paulo também é bem significativo. Ele foi chamado, já possuía o conhecimento da Lei, pois teve como professor o renomado Gamaliel, mas partiu para a Arábia e ali ficou três anos se preparando para exercer seu ministério junto aos gentios (Gl 1.17,18). Paulo foi enviado pelo Espírito Santo (At 13.4).


II. QUALIFICAÇÕES E ATRIBUIÇÕES DOS PASTORES E DIÁCONOS (3.1-13)
1. Atribuições dos pastores (vv.1-7).

- Os que almejam o pastorado necessitam conhecer as atribuições e qualificações que tal atividade exige.

- Tal visão deve ser alimentada pelo Espírito Santo e focada na Palavra.

- O pastor deve ter em mente que não deve separar ninguém para o santo ministério pelas qualidades exteriores do candidato ou pela sua situação financeira ou social. Pois a igreja é do Senhor Jesus e não dos homens (Cl 1.18). 


Qualidade dos Pastores
- Irrepreensível. Não significa simplesmente gozar de boa fama, mas ter um testemunho justificadamente bom. Aparentemente a palavra designa o comportamento abrangente, fundamental para tudo o que segue. Jesus frisa a importância do bom testemunho, como também ocorre em geral no NT. Nessa questão é decisivo que o bom testemunho seja RECONHECIDO e fornecido pelos que não fazem parte da igreja “Vossa conduta seja decorosa aos olhos dos estranhos” (1 Tss 4.12). Essa exortação da carta mais antiga de Paulo coincide integralmente com a exigência de ser irrepreensível, o que não pode ser questionado nem mesmo por observadores críticos e hostis. Um modo de vida desses só é viável a partir do “mistério da fé, preservado em uma consciência pura” (1 Tm 3.9). Essa é a origem e a renovação de toda a autêntica irrepreensibilidade. Representa o oposto tanto do comportamento anti-social como da exagerada adaptação a sistemas mundanos (Rm 12.2). 

- Marido de uma só mulher. O pastor deve ser exemplarmente casado. Não se espera o celibato dos servidores da igreja, mas que tenham plena capacidade matrimonial e sejam modelos no casamento. A melhor “escola matrimonial” acontece por “exemplos matrimoniais”. Pastores e diáconos devem ser casados uma única vez; isso aponta em três direções:
1) Acerca da profetiza Ana lemos que era virgem até se casar. Quando o marido morreu após 7 anos de casamento, ela passou a viver sozinha até idade avançada (84 anos), servindo a Deus. De acordo com a palavra profética permaneceu fiel ao “noivo de sua mocidade”.

2) Conforme as palavras do Senhor a MONOGAMIA é o alvo original, estabelecido por Deus, do relacionamento entre homem e mulher. Logo, a fidelidade conjugal é essencial à vida do obreiro.

3) A interpretação aqui fornecida possui relevância justamente com vistas à prática do divórcio, que naquela época se alastrava com força, e do correlato recasamento de pessoas divorciadas, seja entre gregos, seja entre judeus.

Assim, a expressão ÚNICA pode ser interpretada de uma forma genérica pelo fato de que deve caracterizar de forma abrangente a atitude básica fundamental da castidade em todas as situações. O casto não reprimiu sua sexualidade, mas, a tornou íntegra, porque castidade é alegrar-se com a sexualidade respeitando os limites do respeito.

- Sóbrio. Vale tanto para mulheres como para homens idosos. O verbo correspondente já é utilizado por Paulo em sua carta mais antiga: “Não durmamos como os demais, mas vigiemos e sejamos sóbrios” (1 Tss 5.6). Ser sóbrio faz parte da oração e da vigilância e diz respeito a uma contenção de orientação escatológica diante de todo tipo de fanatismo, embriaguez, dissoluções no pensar, sentir e agir.
Quem reconhece a verdade em Deus torna-se sóbrio diante do delírio do pecado, para viver uma vida reta.

- Sensato. Assim como o adjetivo “sóbrio”, também ocorre somente nas cartas pastorais, mas o termo é usado como verbo na carta aos Romanos 12.3, “[...] que não saiba mais do que convém saber, mas que saiba com temperança, conforme a medida da fé que Deus repartiu a cada um.” Quem é temperante possui uma medida correta de auto-avaliação, um sentido para o que é real. É compreensivo. O temperante é espiritualmente saudável.

- Respeitável. Modesto, honrado, bem-comportado, de modo digno, o mesmo usado em 1Tm 2.9 para as mulheres.

- Hospitaleiro. Em outras ocasiões Paulo também exorta as igrejas para que cuidem das necessidades dos santos e pratiquem a hospitalidade. Nos escritos do NT lemos a respeito de cristãos que são viajantes e também comerciantes; outros são perseguidos e precisam fugir para outras cidades. Os apóstolos e seus colaboradores viajavam de localidade em localidade, dependendo para isso da acolhida solícita nas casas dos crentes. Para as reuniões da igreja e para os que estavam em trânsito, as casas das famílias dos fiéis representavam o alojamento propício. Tudo isso torna necessária a exortação de que não se esqueçam da hospitalidade. Mais tarde é preciso proteger a hospitalidade contra os abusos de andarilhos itinerantes e “irmãos estranhos”.

- Apto para ensinar. Em todo o NT o termo ocorre somente aqui e em 1Tm 3.2. O seu sentido é descrito exaustivamente em Tt 1.9: o bispo deve “e apegue-se firmemente à fiel Palavra, da forma como foi ministrada, a fim de que seja capaz tanto de encorajar os crentes na sã doutrina quanto de convencer os que se opõem a ela.(KJA). Deve estar aberto para questões doutrinárias, capaz de formar sua própria opinião e instruir a outros. Precisa discernir entre o que é importante e o que leva a descaminhos, entre doutrina verdadeira e falsa, saudável e doentia e ser capaz de ensinar e transmitir corretamente o que é apropriado em cada caso. Os bispos tinham que ser exemplos no ensinar, não para aliviar outros desta tarefa, mas capacitando-os para isso.

- Não dado ao vinho, não espancador. Em CORINTO as ágapes e as santas ceias da igreja haviam degenerado em comilanças. Em seu meio havia pessoas que se intitulavam irmãos, mas cujo Deus na verdade era seu próprio estômago. O estômago era o poder máximo que os determinava. Comer e beber, bem como digressões sexuais, significavam tudo para eles. Quem ainda era escravo de tais vícios mesmo como cristão dificilmente podia conduzir aqueles que haviam se convertido do mundo gentílico para novos hábitos de vida. O simples fato de que era preciso dar essas instruções a pastores e diáconos permite reconhecer que à época da redação da carta a igreja não passava pela vida inerte, em um “aburguesamento” distante e impassível: “impuros, idólatras, adúlteros, garotos de programa, sodomitas, ladrões, avarentos, bêbados, maldizentes, assaltantes” era o contexto de onde vinha uma parcela da igreja, não apenas em Corinto, e com tais concidadãos seus membros conviviam no cotidiano. Por essa razão o presidente não deve ser beberrão nem galo de briga com discurso autoritário, mas instrutor amável de uma vida verdadeira.

- Porém amável. Benigno, solícito, transigente; o contrário de rigorismo inflexível, que tão-somente provoca contendas. De acordo com o linguajar atual poderíamos traduzir o sentido com: objetivo, isento de agressão diante dos agressivos. Em Tt 3.2s “transigente” foi combinado com “manso”, como também em 2Co 10.1, onde Paulo escreve que ele exorta a igreja em conformidade com a amabilidade (transigência) e mansidão que o determinam.

- Não briguento. Trata-se aqui de briga por palavras, ter palavra de comando, ser irredutível no debate., diferente de “não espancador”, que briga chegado às vias de fato, muitas vezes embriagado.

- Não avarento. Quando Jesus disse que não se pode servir a Deus e ao dinheiro, os fariseus zombaram dele porque eram gananciosos. Jesus espera do bom administrador que lide fielmente com o dinheiro. De acordo com Tt 1.7 o pastor, que é um administrador (ecônomo) de Deus, não deve ambicionar a torpe ganância.
Lutero traduz:não ávido de querelas, mas brando, não briguento, não ávido por dinheiro.”

- Que presida bem sua própria casa, criando os filhos com toda a dignidade em obediência. 
Assim como o relacionamento conjugal reflete a relação entre Cristo e a igreja, assim a associação familiar em uma grande casa é réplica e a célula originária da família de Deus, do qual toda a paternidade no céu e na terra recebe o nome. Pela fé em Cristo os gentios tornaram-se “membros da família de Deus”.
Como um pai governa os filhos e a todos na própria casa, assim o bispo deve conduzir a igreja de Deus, executando seu ministério com entusiasmo, i.é, bem. Ao contrário do mundo grego, os cristãos não mandavam educar os filhos por meio de escravos pedagogos, mas assumiam pessoalmente essa tarefa. Na obediência autêntica (que é o contrário de coação, porque obediência autêntica é voluntária) e na decorrente autonomia disciplinada dos filhos adolescentes seria possível reconhecer a dignidade do pai amável.

- Cuidar da igreja de Deus. O pastor da igreja local não deve governar sobre ela de forma arbitrária ou ditatorial, mas pensar em seu bem-estar físico, comunitário e espiritual. A igreja não pertence a ele, mas a Deus. “Nisso sê diligente”, enfatiza Paulo mais tarde.
Família e igreja poderão crescer de forma saudável quando se encontram na mais estreita interação. Igrejas perdem seu caráter familiar quando famílias cristãs já não formam as verdadeiras células da igreja. Por isso cuidar das igrejas significa providenciar em primeiro e principal lugar famílias saudáveis na fé.

-Não um recém convertido. Visto que tantas coisas dependem da pré-figuração e do procedimento do pastor de uma igreja, seu fracasso pode ser fatal não apenas para ele, mas para muitos. Por isso ele não deve ser um recém-convertido. Afinal, um novato ainda não teve oportunidade de comprovar a fé no cotidiano.
No presente texto não se trata da questão da idade (ao contrário de 1Tm 5.1,9,17,19). O próprio Timóteo era “jovem” na idade, jovem demais para seus críticos. Contudo Paulo lhe atesta que ele está comprovado na fé e no amor que se desprende de si mesmo, que vê as necessidades dos outros e os assiste.

- Ensoberbecer-se. Estar inflado, anuviar; a fumaça ascendente obscurece a visão. O pastor está ameaçado pelo mesmo perigo que os hereges, e as mulheres: inebriar-se com as liberdades e possibilidades de influência conquistadas e, em seguida, tropeçar.
A tentação da soberba não pode ser banida definitivamente nem mesmo por anos de aprovação, mas para os recém-convertidos ela será quase inevitável e um constante risco para aquele que é experimentado há mais tempo.

- E não incorra na condenação do diabo. Em Corinto havia uma igreja inteira inflada. Vangloriava-se de sua “liberdade”, na qual permitia que um membro da igreja se casasse com a mulher de seu pai (falecido), i. é, com a madrasta. Esse tipo de “matrimônio” não era permitido nem mesmo entre os gentios, mas os cristãos, em sua presunção, não viam “nada de mau” nisso.
Paulo ordena entregar a referida pessoa ao julgamento temporal de Satanás, para que seja salvo no dia do Senhor. A expressão refere-se tanto à disciplina interior na consciência (auto-acusações, autocensura, contrição, vexação) quanto à disciplina exterior eclesial.

- bom testemunho. Já em sua carta mais antiga o apóstolo exorta a congregação para que tenha uma “conduta decente (honrada)” aos olhos dos de fora. Não ser tropeço nem causar escândalo! Essa exortação vale para a conduta diante de todos: judeus, gregos, cristãos. Isso não tem nada a ver com uma falsa adaptação aos padrões e costumes do mundo, porque a igreja deve ser irrepreensível e pura em meio a esta geração pervertida e corrupta. Suas boas obras devem poder ser vistas à luz do dia e se diferenciar das inúteis obras das trevas. Porque “enquanto os cristãos se preocupam sacerdotalmente pelo mundo, o mundo lança o afiado olhar da hostilidade sobre a igreja, a fim de encontrar pontos vulneráveis. Por isso não será recomendável colocar na liderança da igreja homens que eram notórios na cidade por seus pecados ou fraquezas passadas, ainda que se tenham emendado sinceramente”.

Os de fora. Na realidade estão fora da igreja, mas nem por isso fora do alcance do juízo e da graça de Deus. Os que estão fora da igreja possuem uma percepção implacável e um juízo insubornável para os pecados daqueles que se dizem cristãos. 


Vocabulário
• Irrepreensível: inteiramente fiel à sua esposa;
• Esposo de uma só mulher:
inteiramente fiel à sua mulher;
• Temperante:
sóbrio, solícito e modesto;
• Domínio próprio:
discipulado, moderado;
• Respeitável:
modesto, honrado, bem-comportado;
• Hospitaleiro:
que recebe bem os visitantes;
• Apto para ensinar:
capacitado a explicar e aplicar os ensinamentos;
• Não dado à embriaguez:
não dado ao vinho;
• Não violento:
não dado à hostilidade, ao antagonismo;
• Gentil:
bondoso, razoável, de boa família;
• Não contencioso:
não combativo, inimigo de contendas;
• Não avarento:
preocupado com as pessoas, não com as finanças;
• Bom governante de sua família:
administra a vida familiar;
• Não seja um recém-convertido:
maduro e humilde;
• Reputação imaculada:
reconhecido pelos de fora.


III. O DIACONATO (8-13)
Qualificações dos Díáconos

Qual é a relação entre diáconos e bispos? Alguns comentaristas atribuem aos diáconos uma posição subordinada. Preliminarmente está claro que na verdade ambos os serviços são pressupostos, mas que a relação entre eles não é regulamentada. Não se fala de uma subordinação hierárquica dos diáconos a um “bispo”, nem se pode falar disso quando se leva em conta as declarações do NT sobre a diaconia. Em Rm 12.6ss Paulo cita, imediatamente depois da profecia, a diaconia (prestação de serviço) e, entre os dons da graça, menciona-a até mesmo antes do dom de ensinar. 


O cristianismo primitivo reconheceu a realidade nova e incomparável que tivera início em Jesus.


A diaconia não designa simplesmente a assistência a pobres e doentes, como se acredita poder deduzir de At 6.1. Os sete diáconos não são “servidores da igreja”, mas dirigentes da igreja dos judeus cristãos helenistas em Jerusalém. Os “diáconos” eram evangelistas, realizavam batismos. A atividade informada sobre Estêvão não combina com a idéia que projetamos de um diácono como “servidor da igreja”. Conforme precisamos depreender das tensões, uma parcela excessivamente grande da liderança da igreja estava nas mãos de judeus cristãos palestinos.

- Digno. O termo ocorre ainda em Fp 4.8, onde a palavra igualmente aparece no âmbito de uma lista de virtudes. Em 1Tm 2.2 a honradez é combinada com a devoção; “honrado”, “digno” designa predominantemente o comportamento dirigido a Deus, enquanto “irrepreensível” (1Tm 3.2) se refere mais ao julgamento do mundo.

- Não de língua dobre. Pode ter tanto o sentido de “não caluniador” (v. 11) como de “insubornável”, “impuro”. Não se deve nem pode dizer a todos tudo o que se pensa, mas também não se deve dizer nada que seja diferente do que se pensa.

- Não entregues desmedidamente ao vinho. A abstinência total não é exigida nem do diácono nem do bispo. A tentativa radical de rejeitar ou reprimir qualquer prazer não é suficiente para levar à libertação do prazer excessivo viciado. Uma proibição do álcool até mesmo viria ao encontro das tendências ascéticas de auto-redenção dos hereges, com os quais o próprio Timóteo se defrontava.

- Não visando o lucro injusto. Tanto o pastor como também o diácono precisam administrar dinheiro e bens. Embora Timóteo seja um bom diácono – serviu com Paulo ao evangelho e não buscou o interesse próprio – também ele precisa da repetida exortação de fugir da ganância. Pode alegar que está servindo a outros, tentando enriquecer às custas deles, seja em bens materiais, seja em aumento de poder. 


- Que guardam o mistério da fé em uma consciência pura.
O mistério (mysterion) da fé ou da devoção (1Tm 3.16) pode ser equiparado com o mistério de Cristo ou mistério do evangelho. Ao contrário dos cultos de mistérios do mundo helenista, o mistério de Cristo não deve permanecer oculto da maioria e reservado a apenas poucos iniciados – deve ser anunciado a todos. Verdade é que a razão humana não consegue sondar o mistério de Deus, mas o próprio Espírito de Deus precisa revelá-lo ao espírito humano.
Conseqüentemente o mistério de Cristo só pode ser proclamado e captado no poder do Espírito Santo e preservado unicamente em uma consciência pura. 

- Também eles devem primeiramente ser examinados e somente depois admitidos ao serviço, se forem irrepreensíveis.
Paulo examina (o mesmo verbo do v. 10) a igreja em Corinto para ver se seu amor é genuíno. Ele exorta os cristãos que vêm à ceia do Senhor a que primeiro examinem a si mesmos, e por fim lhes diz: “Examinai-vos a vós mesmos se permaneceis na fé”. O exame dos diáconos deve ser interpretado menos como exame ou tempo probatório antes da contratação definitiva, e mais no sentido corrente em Paulo, de uma aprovação geral.

É para isso que aponta a locução: “também eles”, ou seja, como os pastores, devem gozar de um bom testemunho dentro e fora da igreja.

IV. SERVIÇO — RAZÃO DE SER DO MINISTÉRIO
1. O exemplo do Mestre.

JESUS:
- Despojou-se temporariamente de sua glória plena (Jo 17.14; Fp 2.5-10);
- Assumiu a forma de servo, mais que isso, a forma de escravo (Fp 2.6-8);
- Lavou os pés dos discípulos (Jo 13.4,5).

2. O exemplo de Paulo.
- Paulo era um servo fiel.
- Após sua conversão, viveu em prol da Igreja;
- Não media esforços para servir;
- Sua pregação era sempre autêntica;
- Jamais usou de fraudulência.

- Hoje há muitos falsos obreiros que se aproveitam dos fiéis e da Igreja para obter ganho financeiro.

- Um dos requisitos recomendados por Paulo a quem deseja ser pastor é ser obreiro “não cobiçoso de torpe ganância” (1Tm 3.3).

- Pedro também escreveu que o obreiro deve apascentar o rebanho do Senhor (1Pe 5.2).

3. O exemplo de Timóteo.
- Timóteo foi um pastor exemplar, que demonstrou ter um caráter imaculado.

- Ele cuidou da Igreja com zelo e não teve medo de se opor aos falsos mestres que estavam tentando seduzir os crentes em relação à salvação pela fé em Jesus.

- O líder de uma Igreja precisa ser corajoso e plenamente comprometido com Jesus Cristo.
- Ele também demonstrou não buscar a glória para si.

- Infelizmente, há líderes que são movidos a elogios, ou mesmo por lisonjas. Isso é perigoso para o ministério pastoral de qualquer pessoa.

CONCLUSÃO
Os pastores e diáconos são obreiros, instituídos pelo Senhor, para auxiliar os servos de Deus. Não importa a função que você exerça na Igreja de Cristo, seja você um pastor ou um diácono, o importante é que “todos sejam um” para a glória de Deus (Jo 17.21), sabendo que para Ele todo serviço tem a sua importância e valor. Não devemos esquecer-nos da simplicidade e do poder do Evangelho de Cristo, o não necessita de “muletas” como muitos querem inserir em suas igrejas. Basta pregar a Palavra.
 

 Alan Fabiano

Fonte
Comentário Bíblico Esperança - PDF
Novo Testamento - KJA. 

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