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sábado, 4 de julho de 2015

Gnosticismo

Gnosticismo
Nome derivado do termo grego gnosis, que significa “conhecimento”. Os gnósticos se transformaram em uma seita que defendia a posse de conhecimentos secretos. Segundo eles, esses conhecimentos tornavam-nos superiores aos cristãos comuns, que não tinham o mesmo privilégio. 

O movimento surgiu a partir das filosofias pagãs anteriores ao cristianismo que floresciam na Babilônia, Egito, Síria e Grécia (Macedônia). Ao combinar filosofia pagã, alguns elementos da astrologia e mistérios das religiões gregas com as doutrinas apostólicas do cristianismo, o gnosticismo tornou-se uma forte influência na igreja.

A premissa básica do gnosticismo é uma cosmovisão dualista. O supremo Deus Pai emanava do mundo espiritual “bom”. A partir dele, surgiram sucessivos seres finitos (éons) até que um deles, Sofia, deu à luz a Demiurgo (Deus criador), que criou o mundo material “mau”, juntamente com todos os elementos orgânicos e inorgânicos que o constituem. Logo, a matéria é má, só o espírito é bom. Em consequência dessa ideia, eles não acreditavam na humanidade de Cristo, afirmavam ser Jesus um fantasma.    .

Cristãos gnósticos, como Márcion e Valentim, ensinavam que a salvação vem por meio desses éons, Cristo, que se esgueirou através dos poderes das trevas para transmitir o conhecimento secreto (gnosis) e libertar os espíritos da luz, cativos no mundo material terreno, para conduzi-los ao mundo material mais elevado. Cristo, embora parecesse ser homem, nunca assumiu um corpo; portanto, não foi sujeito às fraquezas e às emoções humanas.

Algumas evidências sugerem que uma forma incipiente de gnosticismo surgiu na era apostólica e foi o tema de várias epístolas do Novo Testamento, onde o Apostolo Paulo e João os combateu fortemente (1 Tm 4.1-5; Tt 2.1; 1 Jo 4.2-3; 2 Jo. 1.7).  A maior polêmica contra os gnósticos apareceu, entretanto, no período patrístico, com os escritos apologéticos de Irineu, Tertuliano e Hipólito. 

Acreditavam que o homem, desde o dilúvio, foi afastando-se sempre mais de Deus, até restar apenas uma centelha do divino, escondida em cada um. O homem, como tal, não é pecador mas dentro dele trava-se uma luta perpétua entre o Bem e o Mal. Esta era a meta do Gnosticismo: detectar e analisar essa luta. Essa centelha divina poderia ser liberada através do conhecimento e assim conseguir-se-ia a redenção.

Gnosticismo – uma resposta Apologética
Os gnósticos se seguiram a vários movimentos religiosos que enfatizavam a gnose ou o conhecimento, principalmente sobre a origem da pessoa. O dualismo cosmológico também era uma característica do sistema — mundos espirituais opostos do bem e do mal. O mundo material estava alinhado com o mundo sombrio do mal.

Ninguém conhece com certeza a origem do gnosticismo. Alguns acreditam que começou com um grupo herético dentro do judaísmo. Os proponentes dessa teoria citam O apocalipse de Adão e A paráfrase de Sem como antigos documentos gnósticos que revelam uma origem judaica. Outros dão a ele um contexto cristão. Uma forma incipiente pode ter-se infiltrado na igreja em Colossos ou pode ter tido uma base completamente pagã. Durante os séculos II a IV o gnosticismo foi considerado uma séria ameaça por pais da igreja como Agostinho, Justino Martir, Ireneu, Clemente de Alexandria, Tertuliano e Origenes.

Fontes primarias. O livro de Ireneu, Contra as heresias, dá um tratamento extenso ao que os gnósticos acreditavam. Três códices gnósticos escritos em copta foram publicados. Dois foram descobertos em NAG HAMMADI, Egito, em 1945. O Códice Askewia-nus contém Pistis Sophia, Códice Brucianus contém O livro de Jeú. O mais conhecido entre os documentos de NAG HAMMADI é O Evangelho de Tome. Uma terceira obra desse período, Códice Berolinensis, foi encontrada em outra parte e publicada em 1955. Contem o Evangelho de Maria [Madalena], a Sofia de Jesus, Atos de Pedro e o Apócrifo de Joao. A primeira tradução de um trata- do, O Evangelho da verdade, apareceu em 1956, e uma tradução de 51 tratados, inclusive O Evangelho de Tome, apareceu em 1977.

Lideres. Os pais da igreja primitiva acreditavam que o gnosticismo começara no século I e que Simão, o magico de Samaria (At 8), foi o primeiro gnóstico. De acordo com os pais da igreja, Simão praticava magia, afirmava ser divino e ensinava que sua companheira, uma ex-prostituta, era Helena de Troia reencarnada. Hipólito (m.236) atribuiu o Apophasis megale [Ogran- de anuncio] a Simão. O discípulo de Simão, um antigo samaritano chamado Menandero, que lecionou em Antioquia da Síria no final do século I, ensinava que os que acreditavam nele não morreriam. Essa afirmação foi anulada quando ele morreu.
No inicio do século II, Saturnino (Satornilo) afirmou que o Cristo incorpóreo era o redentor, negando que Cristo realmente tivesse se encarnado como homem. Essa crença é compartilhada com o DOCETISMO. Nesse período, Cerinto, da Ásia Menor, ensinava o adocia-nismo, a heresia segundo a qual Jesus tinha sido apenas um homem sobre o qual Cristo descera no batismo. Já que Cristo não podia morrer, abandonou Jesus antes da crucificação. Basilides do Egito foi considerado dualista por Ireneu e monista por Hipolito.

Um dos gnósticos mais polêmicos, apesar de atípico, foi Marciao do Ponto. Ele acreditava que o Deus do AT era diferente do Deus do NT e que o cânon das Escrituras incluia apenas uma versão truncada de Lucas e dez das epistolas de Paulo (todas, menos as Epistolas pastorais). Suas teorias foram severa- mente atacadas por Tertuliano (c. década de 160-c. 215). Marcião tornou-se um estimulo para a igreja primitiva definir oficialmente os limites do cânon (v. apócrifos; Bíblia, canonicidade da).

Valentim de Alexandria foi outro gnóstico proeminente. Veio a Roma em 140 e ensinava que havia uma serie de emanações divinas. Dividiu a humanidade em três classes: 1) hileticos ou incrédulos, que estavam imersos na natureza material e carnal; 2) cristãos psiquicos ou comuns, que viviam pela fé e atividades pneumáticas; 3) gnósticos espirituais. Entre seus seguidores estavam Ptolomeu, Heracleo, Teodoto e Marcos. A interpretação de Joao por Heracleo e o primeiro comentário conhecido do NT. Crenças de característica gnóstica persistiram até o século IV. Entre as manifestações posteriores estavam o maniqueísmo, uma seita dualista que enganou Agostinho na sua vida pré-cristã. Contra ela Agostinho escreveu muitos tratados.

Ensinamentos.
Já que o gnosticismo carecia de uma autoridade comum, ele compreendia varias crenças. A base da maioria, se não todas, era:
1. O dualismo cósmico entre espirito e matéria, bem e mal.
2. A distinção entre o Deus finito do AT Iavé, que era igualado ao Demiurgo de Platão, e o Deus transcendental do NT.
3. A visão da criação como resultante da queda de Sofia (Sabedoria).
4. A identificação da matéria como maligna.
5. A crença em que a maioria das pessoas são ignorantes sobre sua origem e condição.
6. A identificação de fagulhas de divindade que estão encapsuladas em certos indivíduos espirituais.
7. A fé num Redentor docetista, que não era realmente humano nem morreu na cruz. Esse redentor trouxe salvação na forma de uma gnose secreta ou um conhecimento que foi comunicado por Cristo apos sua ressurreição.
8. O objetivo de escapar da prisão do corpo, atravessando as esferas planetárias de demônios hostis e reunindo-se com Deus.
9. A salvação baseada não na fé nem nas obras, mas num conhecimento especial ou gnose da própria condição.
10. A visão confusa da moralidade. Carpocrates incentivou seus seguidores a se empenharem em promiscuidade deliberada. Epifânio, seu filho, ensinava que libertinagem era a lei de Deus. A maioria dos gnósticos, no entanto, tinham uma posição muito ascética com relação ao sexo e ao casamento, argumentando que a criação da mulher era a fonte de todo mal e a procriação de filhos só multiplicava o numero de pessoas escravizadas pelo mundo material. A salvação das mulheres dependia de um dia se tornarem homens e voltarem às condições do Éden antes de Eva ser criada. Por incrível que pareça, as mulheres eram proeminentes em muitas seitas gnósticas.
11. A interpretação do batismo e da santa ceia como símbolos espirituais da gnose.
12. A visão da ressurreição como sendo espiritual, não física (v. ressurreicao, natureza fisica da).

O gnosticismo como movimento organizado praticamente morreu. O único remanescente atual acha-se no sudoeste do Irã. Mas muitos ensinamentos gnósticos continuam entre os adeptos da Nova Era, existencialistas e críticos da Bíblia. O reavivamento do interesse no Evangelho de Tome pelo chamado Seminário Jesus e um exemplo disso. Também ha uma tendência, mesmo entre alguns teólogos evangélicos (v. Geisler), de negar a natureza física da ressurreição. Mas o gnosticismo continua vivo hoje de forma ampla no movimento da Nova Era (Jones).

Avaliação. O gnosticismo foi muito criticado pelos pais da igreja primitiva, principalmente Ireneu, Tertuliano, Agostinho e Orígenes, apesar de Orígenes aceitar algumas de suas posições. A posição de Marcião com relação ao cânon e criticada nos artigos APÓCRIFOS DO NOVO TESTAMENTO E BÍBLIA, CANONICIDADE DA. Para mais comentários sobre o gnosticismo, v. os artigos Cristo, morte de; docetismo; dualismo.

Fontes
Dicionário Ilustrado das Religiões - GEORG SCHWIKART, pg. 49.
Dicionário de religiões, crenças e ocultismo. George A. Mather & Larry A Nichols. Vida, 2000, pp 175-6.
http://espadaflamejante.blogspot.com.br/2009/07/comentario-bilbico-i-joao.html
Enciclopédia de Apologética – Norman Geisler, PDF, pg. 374-375. 


Alan Fabiano

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