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quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

ELIAS, O TISBITA

TEXTO BASE

1 Reis 17.1-7. 
1 - Então, Elias, o tisbita, dos moradores de Gileade, disse a Acabe: Vive o SENHOR, Deus de Israel, perante cuja face estou, que nestes anos nem orvalho nem chuva haverá, senão segundo a minha palavra.
2 - Depois, veio a ele a palavra do SENHOR, dizendo:
3 - Vai-te daqui, e vira-te para o oriente, e esconde-te junto ao ribeiro de Querite, que está diante do Jordão.
4 - E há de ser que beberás do ribeiro; e eu tenho ordenado aos corvos que ali te sustentem.
5 - Foi, pois, e fez conforme a palavra do SENHOR, porque foi e habitou junto ao ribeiro de Querite, que está diante do Jordão,
6 - E os corvos lhe traziam pão e carne pela manhã, como também pão e carne à noite; e bebia do ribeiro.
7 - E sucedeu que, passados dias, o ribeiro se secou, porque não tinha havido chuva na terra.

OBJETIVOS
Descrever a vocação e a chamada de Elias.
Compreender como se deu a atuação do profeta Elias.
Destacar o papel de Elias junto a monarquia e nas Escrituras.


INTRODUÇÃO 
Esta Lição é muito interessante, nela, aprenderemos algumas características peculiares ao profeta Elias, tais como: Sua identidade, seu ministério, seu relacionamento com a monarquia do seu tempo e sobre as diversas citações de sua pessoa e ministério nas Escrituras Sagradas. 

Apesar de termos poucas ou nenhuma informação sobre a genealogia, naturalidade, infância e vida pré-ministerial de Elias; Temos informações sobre sua vida moral e espiritual, informações estas, que nos convence de estarmos falando de um homem obediente a Deus e cheio de fé e coragem. 

Elias é um modelo de autenticidade e autoridade espiritual a quem devemos imitar.

I. A IDENTIDADE DE ELIAS 
1. Sua terra e sua gente. 
Sua terra. Tisbe, um lugarejo situado na região de Gileade e a leste do rio Jordão. Esse lugar não aparece em outras passagens bíblicas, mas é citado somente no contexto do profeta Elias (1 Rs 21.17; 2 Rs 1.3,8; 9.36). 

Sua gente. Não temos informações sobre sua genealogia. Contudo, tais informações não são essências como as fornecidas sobre sua pessoa e ministério. 

Aplicação. Todos nós deveríamos imitá-los e viver de tal modo que a nossa história se tornasse um testemunho para a posteridade.

2. Sua fé e seu Deus. 
Elias. Javé é o meu Deus ou ainda Javé é Deus. 

Elias era um israelita. Vimos na aula anterior que a identidade nacional espiritual de Israel é conhecida como nação escolhida do Senhor (1 Rs 8.16). Assim como os patriarcas (Abraão, Isaque e Jacó) e outros (Moisés, Josué, Davi e etc..) confiaram no Senhor Jeová, O Grande EU SOU, Elias também confiava no Deus que ele servia. 

A fé que Elias tinha em Deus, se revela nas seguintes situações: (I Reis)
1. Quando leva a mensagem à Acabe (17.1);
2. Quando Deus o ordena que vá para o ribeiro de Querite (17.2-7);
3. Quando se encontra com a viúva de Sarepta (17. 8-24) e; 
4. Quando desafia os profetas de Baal (18). 

Aplicação. Assim como Elias, o crente deve saber de forma precisa quem é seu Deus para que dessa forma possa ter uma fé viva e não vacilante (Sl 125.1).  

II. O MINISTÉRIO PROFÉTICO DE ELIAS 
1. Sua vocação e chamada. 
A vocação. Escolha, chamamento, disposição.

Elias é um dos profetas do período conhecido como, Pré-clássico, por ser considerado um profeta da fala e não da escrita, ou seja, ele não escreveu livros como alguns profetas, sendo o seu ministério desenvolvido através de mensagens recebidas diretamente de Deus, as quais transmitiam verbalmente ao receptor. 

A chamada de Elias não é descrita na Bíblia, tal como a de Moisés, Samuel, Isaias, Gideão, Paulo e etc. Porém, comprova-se nos relatos bíblicos através do relacionamento do profeta com Deus e como Deus era presente em seu ministério, por exemplo, vivia na inteira dependência de Deus, ou seja, não profetizava de si mesmo, mas, só quando Deus lhe mandava a Palavra (17.2); vivia em obediência ao seu Deus (1 Rs 18.36); tinha a colaboração direta de Deus (17.8-24; 18). 

Outro fator comprobatório de sua vocação, é o fato de Elias ser mencionado várias vezes no Novo Testamento. 

Aplicação. O cristão foi chamado para a salvação e para dar frutos (Mt 28.19-20; Jo 15.16).  

2. A natureza do seu ministério. 
A natureza do seu ministério é divina. Logo, sua fonte é o único Deus verdadeiro. 

Tal natureza é atestada pela inspiração e autoridade que o acompanhavam, uma vez que Elias é detentor de uma história de milagres e com intervenções divinas no reino do Norte (1 Rs 17.1; 2 Rs 9.35,36). 

Aplicação. De nada adianta possuir um ministério marcado pela popularidade e fama se ele é carente de autoridade e poder divino. 

III. ELIAS E A MONARQUIA 
1. Buscando a justiça. 
Na história do profetismo bíblico observamos a ação dos profetas exortando, denunciando e repreendendo aos reis (1 Rs 18.18). O livro de 1 Reis mostra que o profeta Elias foi o primeiro a atuar dessa forma. 

As ações dos profetas, maiores ou menores, revelam uma luta incansável não somente em busca do bem-estar espiritual, mas também social do povo de Deus. Quando um monarca como o rei Acabe se afastava de Deus, as consequências poderiam logo ser percebidas na opressão do povo. 

A morte de Nabote, por exemplo, revela esse fato de uma forma muito clara (1 Rs 21.1-16). 

Acabe foi confrontado e denunciado por Elias pela forma injusta como agiu!

2. A restauração do culto. 
A função dos reis. Os monarcas bíblicos serviam tanto de guias políticos como espirituais do povo, assim, se um rei não fazia o que era reto diante do Senhor, logo suas ações refletiam nos seus súditos (1 Rs 16.30). 

Contexto religioso dos tempos de Elias. Nos dias do profeta Elias, as ações de Acabe e sua mulher Jezabel sofreram oposição ferrenha do profeta porque elas estavam extinguindo o verdadeiro culto (1 Rs 19.10). 

Elias declara as práticas de Acabe. Em um diálogo que teve com Deus, Elias afirma que os filhos de Israel (por vontade de Acabe) haviam deixado a aliança com o Senhor, derrubaram os altares de culto a Deus e mataram os profetas (1 Rs 19.14). 

Restauração do culto a Deus. Como profeta de Deus coube a Elias a missão de restaurar o altar do Senhor que estava em ruínas (1 Rs 18.30).


IV. ELIAS E A LITERATURA BÍBLICA


Samuel foi o ultimo dos juízes e o primeiro dos profetas em Israel a serem confirmado pelo Senhor e reconhecido pelo povo (1 Sm 3.20). Além de Samuel surgiram outros profetas no período da Monarquia (Davi a Salomão), como por exemplo: Samuel, Natan, Gade, Aías, profeta velho, Jeú, outros profetas que Obadias esconde de Jezabel.

Como podemos ver o ministério profético já existia antes de Elias. Contudo, Elias é destacado por ter um ministério diferenciado dos demais, pois sua forma de atuação miraculosa e intrépida.  

Segundo a tradição, Elias liderava três escolas de profetas, as quais ficavam em Gilgal, Betel e Jericó (2 Rs 2-4). 

1. No Antigo Testamento.  
Referências sobre Elias: (1 Rs 17, 18, 19, 21; 2 Rs 1, 2, 3.11, 9.36, 10.10, 10.17, 1 Cr 3.24, 21.12 e Ml 4.5).

O ministério de Elias além de ter sido profético e social, ele foi também escatológico (estudo das ultimas coisas), ou seja, ele é mencionado como um evento futuro.

Para não haver dúvidas sobre (Ml 4.5), devemos separar a personagem e seu ministério, ou seja, apesar de o versículo mencionar o nome do profeta; Deve ser entendido que o seu ministério e sua forma iria se manifestar outra vez sobre o povo de Israel. Tal fato aconteceu na vida de João Batista, que realizou o seu ministério no poder e no espírito de Elias (Lc 1.17), não se trata por exemplo, de uma reencarnação.

2. No Novo Testamento. 
Elias é mencionado varias vezes no Novo Testamento. Isso ocorre justamente em virtude da profecia de (Ml 4.5).

Para facilitar o nosso entendimento, podemos traçar um paralelo entre Elias e João Batista:
1. Ambos ministravam nas épocas em que Israel se havia afastado de verdadeiro Deus.
2. Tinham aparência semelhante (2 Rs 1.8; Mt 18.21).
3. Ambos pregaram o arrependimento nacional (1 Rs 18.21; Mt 3.2);
4. Ambos repreenderam reis ímpios (1 Rs 18.18; Mt 14. 3,4)
5. Ambos foram perseguidas por rainhas ímpias (1 Rs 19.1; Mt 14.8);
6. O sacrifício de Elias no Monte Carmelo e o batismo de João Batista marcam um tempo de arrependimento nacional.
7. Ambos no fim de seu ministério, passaram por momentos de incertezas, inseguranças e desânimo (1 Rs 19.4; Mt 11.2-6).



CONCLUSÃO

Os comentaristas bíblicos observam que os capítulos 17-22 do livro de 1 Reis, que cobrem o período do reinado de Acabe, mostram que o declínio religioso termina com arrependimento ou julgamento divino. De fato, observamos que a mensagem profética de Elias visava primeiramente a produção de arrependimento e não a manifestação da ira divina. Isso é visto claramente quando Acabe se arrepende e o Senhor adia o julgamento que havia sido profetizado para os seus dias (1 Rs 21.27-29). Fica, pois, a lição para nós revelada na história do profeta Elias: a graça de Deus é maior do que o pecado e suas consequências. Fomos alcançados por essa graça!


Alan Fabiano



BIBLIOGRAFIA

Bíblia de Estudo - SHEDD. 
Bíblia Online, Mundo Bíblico. 
PEARLMAN. Myer. Através da Bíblia Livro por Livro. Ed. revista e atualizada, SP: Vida, 2006. 
BOYER, Orlando. Pequena Enciclopédia Bíblica. 7ª ed., São Paulo, SP: Editora Vida, 1978.

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