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quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

ELIAS, ELISEU e JEZABEL


ELIAS, ELISEU e JEZABEL

ELIAS, "Aquele para quem Deus é Jeová".

"O tisbita", o "Elias" do Novo Testamento é nos repentinamente apresentado em 1Rs 17:1, ao levar uma mensagem de Deus a Acabe. Há uma cidade que é mencionada e que se chama Tisbe, a sul de Quades, mas é impossível dizer se este era o lugar a que se refere o nome que é dado ao profeta. 
Ao transmitir a mensagem a Acabe, ele retirou-se, de acordo com as ordens de Deus, para um lugar alto junto ao ribeiro de Querite, para além do Jordão, onde foi alimentado por corvos. Quando o ribeiro secou, Deus ordenou que ele se dirigisse à casa da viúva de Sarepta, uma cidade de Sidom, com as escassas provisões de quem ele foi alimentado durante dois anos. Neste período de tempo, o filho da viúva morreu e foi ressuscitado por Elias (1Rs 17:2-24). 
Durante esses dois anos, sobreveio uma fome sobre aquela terra. Quase no fim desse período de retiro e preparação para o seu trabalho (Gal 1:17,18), Elias encontrou-se com Obadias, um dos servos de Acabe, a quem o rei enviara à procura de pastagens para o gado e que Elias enviou de volta ao seu senhor para que lhe dissesse que ele estava ali. O rei veio encontrar-se com Elias e acusou-o de ser o perturbador de Israel. Foi, então, proposto que se oferecessem sacrifícios públicos, com o objectivo de se determinar quem era o verdadeiro Deus: se Baal, se Jeová. Reuniram-se todos no Carmelo e o povo caiu sobre o seu rosto, chorando: "Só o Senhor é Deus! Só o Senhor é Deus!" Assim se terminou o grande trabalho do ministério de Elias. Os profetas de Baal foram mortos por ordem de Elias. Nenhum deles escapou. Então, imediatamente choveu, de acordo com a palavra de Elias e em resposta à sua oração (Tg 5:18). 
Jezabel, furiosa com o destino que tiveram os seus sacerdotes de Baal, ameaçou matar Elias (1Rs 19:1-13). Alarmado, ele fugiu para Berseba e foi para o deserto, caminho de um dia e, desanimado, sentou-se debaixo de um zimbro. Enquanto ele dormia, um anjo tocou-lhe e disse-lhe: "Levanta-te e come porque muito comprido te será o caminho". Ele levantou-se e viu à sua cabeceira um pão cozido sobre as brasas e uma botija de água.. Tendo comido as provisões que lhe tinham sido, assim tão miraculosamente, trazidas, ele continuou a sua solitária viagem durante 40 dias e 40 noites até Horebe, o monte de Deus, onde se refugiou numa caverna. Aqui lhe apareceu o Senhor, dizendo-lhe: "Que fazes aqui, Elias?" Em resposta às suas desanimadas palavras, Deus dá-lhe a conhecer a Sua glória e ordena-lhe que volte a Damasco e unja Hazael, rei sobre a Síria, Jeú, rei sobre Israel e Eliseu, profeta em seu lugar (1Rs 19:13-21; comparar com 2Rs 8:7-15 e 2Rs 9:1-10). 
Cerca de seis anos depois disto, ele avisou Acabe e Jezabel de que morreriam de uma morte violenta (1Rs 21:19-24 e 1Rs 22:28). Quatro anos depois, também avisou Acazias, que sucedera a seu pai Acabe, de que morreria em breve (2Rs 1:1-16). No intervalo entre estes acontecimentos, é provável que ele se tenha afastado para um calmo retiro, que ninguém sabe onde era. A sua entrevista com os mensageiros de Acazias no caminho para Ecrom e o relato da destruição dos seus capitães com os seus cinquenta sugerem que ele se possa ter retirado, nessa altura, para o Monte Carmelo. 
Aproximava-se o tempo em que ele seria levado para o céu (2Rs 2:1-12). Elias teve um pressentimento sobre o que lhe estava para acontecer. Dirigiu-se para Gilgal, onde se situava uma escola para profetas e onde o seu sucessor Eliseu, a quem ele ungira anos antes, residia. Os filhos dos profetas celebraram o facto de o mestre de Eliseu partir em breve e este recusou-se a deixar Elias. "Ambos foram juntos" e dirigiram-se a Betel e a Jericó, atravessando o Jordão, cujas águas "se dividiram para as duas bandas", quando Elias as feriu com a sua capa. Chegados a Gileade, que Elias deixara muitos anos antes, "sucedeu que, indo eles passando e falando", foram separados por um carro e cavalos de fogo; e "Elias subiu ao céu num redemoinho", recebendo Eliseu a capa de Elias, que caíra sobre ele, à medida que Elias ia subindo. 
Nenhum dos antigos profetas é tão frequentemente mencionado no Novo Testamento. Os sacerdotes e os levitas disseram a João Batista (Jo 1:25): "Por quem batizas pois, se tu não és o Cristo, nem Elias, nem o profeta?" Paulo (Rm 11:2) refere-se a um incidente da sua vida como ilustração para o seu argumento de que Deus não rejeita o seu povo. Tiago (Tg 5:17) encontra nele uma ilustração para o poder da oração. Ver também Lc 4:25 e Lc 9:54. Elias era o tipo de João Batista, no que se refere à severidade e poder das suas recriminações (Lc 9:8). Ele era o Elias que "havia de vir" (Mt 11:11,14), o percursor do nosso Senhor anunciado por Malaquias. Mesmo exteriormente, João Batista corresponde tão intimamente ao profeta dos primeiros tempos, que ele poderá ser visto como um segundo Elias. Nele vemos "a mesma ligação às regiões incultas e desabitadas; os mesmos longos retiros no deserto; o mesmo início assustador e repentino no trabalho que cada um efetuou (1Rs 17:1; Lc 3:2); até o mesmo tipo de vestido de pelos que cada um usava e um cinto de coiro cingindo os lombos (2Rs 1:8; Mt 3:4)." 
Foi tão profunda a impressão que Elias causou "na mente daquela nação, que eles acreditavam plenamente, baseando-se nas palavras de Malaquias (Ml 4:5-6), que muitos séculos depois ele viria novamente para aliviar e restaurar o país. Qualquer pessoa notável que apareça em cena, tendo hábitos e características semelhantes aos dele, mesmo o severo João em relação ao seu gentil Sucessor, é proclamado como sendo Elias (Mt 11:13,14; Mt 16:14; Mt 17:10; Lc 9:7,8; Jo 1:21). A Sua aparição em glória no monte de transfiguração parece não ter espantado os discípulos. Eles tiveram "um grande medo" mas não ficaram, de todo, surpresos.


ELISEU, "Deus é salvação".

Filho de Safate, de Abel-Meola, que se tornou no acompanhante e discípulo de Elias (1Rs 19:16-19). A primeira vez que o seu nome é mencionado, é quando é ordenado a Elias que o unja como seu sucessor (1Rs 19:16). Esta foi a única, de entre as três ordens dadas a Elias, que ele cumpriu. No seu caminho, quando ia do Sinai a Damasco, ele encontrou Eliseu na sua terra natal, realizando os trabalhos do campo, arando com doze juntas de bois. Elias dirigiu-se a Eliseu, colocou nos ombros dele o seu tosco manto, adoptou-o como filho e investiu-o no trabalho profético (compare com Lc 9:61,62). Eliseu aceitou o chamado que, daquele modo, lhe foi dado (cerca de quatro anos antes da morte de Acabe) e durante cerca de sete ou oito anos tornou-se no acompanhante intimo de Elias, até que este foi levado num carro de fogo. Durante todos esses anos, nada sabemos dele, a não ser em relação aos últimos eventos da vida de Elias. Depois da morte de Elias, Eliseu foi aceite como líder dos filhos dos profetas e passou a ser conhecido em Israel. Possuía, de acordo com o seu próprio pedido, "uma porção dobrada" do espírito de Elias (2Rs 2:9); e, durante um longo período de cerca de 60 anos (892-832 a.C.), ele ocupou o cargo de "profeta em Israel" (2Rs 5:8). 
Após a partida de Elias, Eliseu voltou a Jericó e aí sarou a fonte das águas, deitando sal na água (2Rs 2:21). Vamos encontrá-lo, depois, em Betel (2Rs 2:23), onde, com a severidade do seu mestre, ele amaldiçoou uns jovens que troçavam dele, como profeta de Deus: "Sobe, calvo, sobe calvo!" O juízo logo veio sobre eles e Deus castigou, de uma forma terrível, a desonra feita ao seu profeta, como se tivesse sido uma desonra que lhe tinham feito a Ele. A seguir vemo-lo a predizer que iria chover, quando o exército de Jorão já desmaiava de sede (2Rs 3:9-20); a multiplicar o azeite de uma viúva pobre (2Rs 4:1-7); a ressuscitar o filho da sunamita (2Rs 4:18-37); a multiplicar os vinte pães de cevada e espigas verdes, a fim de satisfazerem cem homens (2Rs 4:42-44); a curar Naamã, o sírio, da sua lepra (2Rs 5:1-27); a punir Geazi por causa da sua falsidade e ambição; a recuperar um machado que se afundara nas águas do Jordão (2Rs 6:1-7); a realizar um milagre em Dotã, na estrada entre Samaria e Jezreel e a profetizar relativamente ao socorro que viria ao povo de Samaria, que sofria terrivelmente devido ao cerco que o rei da Síria tinha imposto a esta cidade (2Rs 6:24-7:2). 
Vamos, depois, encontrar Eliseu em Damasco, ungindo Hazael como rei da Síria, uma ordem que tinha sido dada, por Deus, a Elias (2Rs 8:7-15); mais tarde, ele instrui um dos filhos dos profetas e este unje Jeú, o filho de Jeosafá, como rei de Israel, na vez de Acabe. Assim, as três ordens dadas a Elias (2Rs 9:1-10) acabaram, finalmente, por ser cumpridas. 
Não mais ouvimos falar dele, até o encontrarmos no seu leito de morte, na sua própria casa (2Rs 13:14-19). Jeoás, o neto de Jeú, vem chorar a sua partida que se aproxima, proferindo as mesmas palavras que Eliseu proferiu quando Elias foi levado no carro de fogo: "Meu pai, meu pai, carros de Israel e seus cavaleiros!" 
Mais tarde, um cadáver é colocado na campa de Eliseu, um ano após o enterro deste e mal toca os ossos de Eliseu, o homem "reviveu e se levantou sobre os seus pés" (2Rs 13:20,21).


JEZABEL, Casta.

Filha de Etbaal, o rei dos sidónios e mulher de Acabe, o rei de Israel (1Rs 16:31). Esta foi a “primeira vez que um rei de Israel se aliou, por casamento, a uma princesa pagã; e a aliança foi, neste caso, peculiarmente desastrosa. Jezabel tem o seu nome na história como representante de todos aqueles que são maliciosos, astuciosos, vingativos e cruéis. Ela foi a primeira grande instigadora da perseguição contra os santos de Deus. Sem princípios, sem que fosse impelida pelo medo quer a Deus, quer aos homens, apaixonada na sua ligação ao culto pagão, ela não se poupou a sacrifícios para manter a idolatria à sua volta em todo o seu esplendor. Quatrocentos e cinquenta profetas ministravam a Baal sob os seus cuidados, para além de quatrocentos profetas dos pequenos bosques (segundo algumas versões, “profetas de Asera”), que comiam à sua mesa (1Rs 18:19). A idolatria também era do tipo mais sensual e baixo”. A sua conduta foi, em muitos aspectos, bastante desastrosa tanto para o reino de Israel, como para o de Judá (1Rs 21:1-29). Com o tempo, ela teve um fim intempestivo. Enquanto Jeú se dirigia para os portões de Jizreel, ela olhou pela janela do seu palácio e disse: ‘Teve paz Zinri, que matou o seu senhor?’ Ele olhou para cima e chamou os seus camareiros, que logo a atiraram da janela, tendo-se ela desfeito no chão, após o que os cavalos dele a atropelaram. Os cães logo a comeram (2Rs 9:7-37), de acordo com as palavras de Elias, o tesbita (1Rs 21:19).

Alan Fabiano


Bibliografia
Bíblia online, Mundo Bíblico. 

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