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quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

A APOSTASIA NO REINO DE ISRAEL



A APOSTASIA NO REINO DE ISRAEL - LIÇÃO 1

OBJETIVOS
Identificar as causas e os agentes da apostasia em Israel.
Conscientizar-se sobre os perigos da apostasia.
Compreender quais foram as consequências da apostasia para Israel.


INTRODUÇÃO
Palavra Chave: Apostasia: Abandono ou deserção da fé.

Nesta aula teremos uma visão da apostasia praticada pelo povo de Israel, que na realidade inicia-se antes da divisão do reino, tal fato se dar com as alianças políticas do rei Salomão com nações pagãs (Cap. 11.33), e construção de altares para os deuses de suas esposas, fruto das referidas alianças (11.1). Após a divisão do reino (931 a.C), Jeroboão (931-910 a.C, 1 Rs 14.20) introduziu e instituiu a adoração ao bezerro, no Reino do Norte, Israel (1 Rs 12.28), infringindo assim, o segundo mandamento divino (Ex 20.4). Com o culto aos bezerros, a nação se tornou presa fácil para o culto cananeu a Baal, 60 anos mais tarde, que fora instituído pelo rei Acabe, filho de Onri (874-853 a.C, 1 Rs 16.29) instigado por sua esposa Jezabel (1 Rs 16.32), transgredindo o primeiro mandamento divino (Ex 20.3). Contam-nos os relatos bíblicos que Acabe fez mais abominações para irritar o Senhor, Deus de Israel, mais do que todos os outros antes dele (1 Rs 16.33). Na prática, o culto ao Deus verdadeiro foi substituído pela adoração ao deus falso Baal, trazendo como consequência uma apostasia sem precedentes e pondo em risco até mesmo a verdadeira adoração a Deus. 

I. AS CAUSAS DA APOSTASIA - (primeira parte do 1º objetivo proposto). 
Além das causas apresentadas, devemos considerar que o povo de Israel, reino do Norte, estavam “acostumados” com a idolatria imposta por seus lideres (Ex 32.4; 1 Rs 11; 12.28; 16.31), tal fato é percebido na trajetória histórica do povo até chegar no período em estudo, apesar das inúmeras advertências de Deus sobre eles. 


1. Casamento misto. 
O casamento misto de Acabe com Jezabel foi uma das causas de apostasia no reino do Norte. Embora se fale de um casamento político, as consequências dele foram na verdade espirituais, este casamento segue os moldes dos de Salomão (1 Rs 11.1,4-8), em desobediência às ordens de Deus (1 Rs 11.2), levando-os à prática da Idolatria (v.5). Está mais que provado que Deus não é Deus de confusão e sim de Paz (1 Co 14.33), portanto, sempre que os homens de Deus e aliarem a um julgo desigual (2 Co 6.14), incorrerão em sérios riscos (1 Rs 11.11).  

2. Institucionalização da idolatria. 
- Após casar-se com Jezabel, Acabe levantou “levantou um altar a Baal, ... em Samaria” (1 Rs 16.32), e institucionalizou a idolatria em Israel, cometendo piores abominações do que os reis que reinaram antes dele (1 Rs 16.33). 

- O culto a Baal, (principal entre os ídolos cananeus, era o deus da agricultura, chuva e fertilidade, exercia atração especial sobre Israel), estava suplantando o verdadeiro culto a Deus, tal idolatria era “legalizada” e  financiada pelo Estado.

- Se olharmos para vários países, inclusive o Brasil, veremos inúmeras idolatrias financiadas e reconhecidas nacionalmente, como eventos culturais, contudo, desastrosas espiritualmente.

II. OS AGENTES DA APOSTASIA - (segunda parte do 1º objetivo proposto). 
Neste ponto veremos os dois agentes principais, responsáveis por trazerem à Israel o culto ao deus Baal, o principal entre os ídolos cananeus. 

1. Acabe. 
Neste ponto podemos elencar algumas características morais do rei Acabe. Contudo, para facilitar o nosso entendimento sobre ele, é necessário investigarmos um pouco sobre o rei Jeroboão, uma vez que o valor de cada rei é determinado mediante uma comparação com dois reis anteriores: o rei Davi que se manteve apegado firmemente à aliança, e o rei Jeroboão, de Israel, que abandonou o pacto. 

Assim sendo, a comparação mostra se determinado rei “andou nos caminhos de Davi, seu pai” ou se “andou nos caminhos de Jeroboão, filho de Nebate”. 

- Acabe, andou nos caminhos ou pecados de Jeroboão (1 Rs 16.31). 
Caminhos ou pecados de Jeroboão: 
- Idolatria. Instituiu a adoração aos bezerros de ouro (1 Rs 12.28), infringindo o segundo mandamento divino (Ex 20.4) ; 
- Desobediência. Constituiu sacerdotes leigos, em vez de levitas (v.31), estes tinham ido para Judá (2 Cr 11.14). 
- Manipulação. Manipula o povo, oferecendo-lhes uma festa semelhante à festa dos Tabernáculos (v.32); 
- Apostasia. Enfatiza sua apostasia quando levanta em Betel um dos bezerros de ouro e oferece-lhe sacrifício, justamente no local conhecido como sagrado pelo povo de Deus. Foi em Betel que Abraão edificou seu primeiro altar ao Senhor (Gn 12.8); Jacó tivera uma visão de Deus (Gn 28.10-22) entre outros (Jz 20.26-28; 1 Sm 7.16). 

- Como se estes pecados não bastassem, Acabe casou com Jezabel e serviu e adorou a Baal (1 Rs 16.31), infringindo o primeiro mandamento (Ex 20.3). 

2. Jezabel
- Esposa de Acabe, oriunda da Fenícia (regiões de Tiro e Sidon), princesa pagã; 
- Instigou a adoração a Baal (deus da agricultura, da chuva e da fertilidade) em Israel. 
- Foi sem dúvida alguma uma agente do mal na tentativa de suprimir ou acabar de vez com o verdadeiro culto a Deus. Não fosse a intervenção do Senhor através dos profetas, em especial Elias, ela teria conseguido o seu intento. O Senhor sempre conta com alguém a quem Ele levanta em tempos de crise.

III. AS CONSEQUÊNCIAS DA APOSTASIA - (terceiro objetivo proposto)
1. A perda da identidade nacional e espiritual. 
Identidade. 1. Qualidade de idêntico. 2. Os caracteres próprios e exclusivos duma pessoa: nome, idade, estado, profissão, sexo, etc.

- Deus revela a crise de identidade espiritual dos israelitas do reino do Norte, através do profeta Elias: “Até quando coxeareis entre dois pensamentos?” (1 Rs 18.21). 

- Essa crise de identidade espiritual se instala em Israel já no reino de Jeroboão, este expulsa os levitas e sacerdotes da terra e Israel para que eles não oferecessem sacrifícios ao Senhor (2 Cr 11.14), consequentemente, os que queriam adorar e servir a Deus, seguiram os sacerdotes para Judá (2 Cr 11.16). Logo, os que estavam “em cima do muro” permaneceram em Israel. 

- Os reis após Jeroboão, seguiram os caminhos e pecados deste (1 Rs 15.26,34; 16.19,25,26), sendo assim, quando Acabe começou a reinar já encontrou um povo vivendo numa crise de identidade espiritual.  
   
- Com a introdução do culto a Baal trazido por Jezabel, esta crise é potencializada, pois agora lhes fora apresentado um deus falso. Com esta imposição o povo não sabia mais a quem deveria adorar, ou adorar o Deus de seus pais ou adorar o deus dos cananeus. 

- Apesar de haver um remanescente que permaneceram fiéis a Deus, a maioria havia perdido sua identidade espiritual e a nação aos poucos foram perdendo a identidade como nação exclusiva do Senhor Deus, o verdadeiro Deus, sendo necessário uma intervenção divina para proferir juízo sobre o reinado de Acabe

2. O julgamento divino. 
- Considerando que Baal era do deus da agricultura, chuva e da fertilidade. Deus envia seu primeiro juízo, utilizando exatamente um dos elementos que se esperava receber de Baal, a chuva. 

- Deus usa o profeta Elias que anuncia uma seca que duraria cerca de três anos (1 Rs 17.1; 18.1). A fim de intervir na vida espiritual da nação, mostrando-lhes quem de fato era o Deus da chuva.  

- Diante dos relatos bíblicos, vemos o amor de Deus sendo revelado ao povo, pois se Ele corrige é porque nos ama, todos os reis que iniciaram um caminho diferente do proposto pelo Senhor, foram advertidos e muitos de forma severa. 

- Que nós venhamos ter inteligência espiritual para andarmos nos caminhos do Senhor, sem se desviar nem para a direita e nem para a esquerda, nos termos de (Dt 28.14). 

IV. APOSTASIA - (segundo objetivo proposto)
1. Um perigo real. 
Apostasia. Abandonar a fé ou mudar de religião. 

- A apostasia no reino do Norte era um pecado real, a maioria daquele povo havia colocado outro ser no lugar do verdadeiro Deus. 

- Em o Novo Testamento somo advertidos sobre este mal (Hb 6.1-6), o crente em Cristo Jesus, deve se exercitar nEle e em sua Palavra para que de fato ande em novidade de vida. 

- Em 1 Tm 4.1-3, Paulo nos mostra como a apostasia acontece na vida do homem. Viver em heresia, também é apostasia da verdadeira fé em Cristo Jesus.

- A apostasia causa morte espiritual; 
- Quem se apostata da fé em Cristo Jesus, pisa o sangue do Cordeiro (Hb 10.28); 
- Quem se apostata da fé em Cristo Jesus terá juízo severo (v.28).

A apostasia é um perigo real e arrebatador, vigiemos pois. 

2. Um mal evitável. 

Desde os primórdios do relacionamento de Deus com o homem, Ele sempre lhes mostrou o caminho das bênçãos e da maldição juntamente com  as respectivas consequências. 

- Outro fator inerente e intransferível ao homem, é o poder de decisão, nos casos que estudamos, vimos que os reis do Norte, escolheram seguir outros caminhos mesmo quando advertido previamente de suas consequências. 

- Acabe decidiu casar-se com Jezabel, mesmo sabendo que se tratava de uma princesa pagã e que o povo sob seu governo adorava o verdadeiro Deus. Diante desses fatores, Acabe poderia ter evitado tal casamento, consequentemente tal abominação na nação de Israel. 

- Quando Acabe resolveu se humilhar já foi tarde demais, mesmo não recebendo juízo imediato, os seus filhos pagaram o preço por seus pecados (1 Rs 21.29), já para Jezabel não foi encontrado lugar para arrependimento (1 Rs 21.23), cumprimento (2 Rs 9.36). 

- Bem aventurado quem confessa, arrepende e deixa o pecado. 

CONCLUSÃO
Ficou perceptível nessa lição que a apostasia no reino do Norte pôs em perigo a existência do povo de Deus durante o reinado de Acabe. A sua união com Jezabel demonstrou ser nociva não somente para Acabe, que teve o seu reino destroçado, mas também para o povo de Deus, que por muitos anos ficou dividido entre dois pensamentos em relação ao verdadeiro culto.

As lições deixadas são bastante claras para nós: não podemos fazer aliança com o paganismo mesmo que isso traga algumas vantagens políticas ou sociais; a verdadeira adoração a Deus deve prevalecer sobre toda e qualquer oferta que nos seja feita. Mesmo que essas ofertas tragam grandes ganhos no presente. Todavia nada significam quando mensuradas pela régua da eternidade.

Boa aula!

Alan Fabiano



BIBLIOGRAFIA 
BOYER, Orlando. Pequena Enciclopédia Bíblica. 7ª ed., São Paulo, SP: Editora Vida, 1978.
Bíblia de Estudo - SHEDD. 
Bíblia Online, Mundo Bíblico. 
ELLISEN, Stanley. Conheça Melhor o Antigo Testamento. São Paulo, SP: Editora Vida, 2007.

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