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sexta-feira, 31 de agosto de 2012

A PERDA DOS BENS TERRENOS


Texto base: Jó 1.13-21.


TEXTO ÁUREO
 “Nu saí do ventre de minha mãe e nu tornarei para lá; o SENHOR o deu e o SENHOR o tomou; bendito seja o nome do SENHOR” (Jó 1.21).
OBJETIVOS
•    Descrever as perdas humanas de Jó.
•    Elencar as perdas de ordem material, afetiva e espiritual de Jó.
•    Conscientizar-se que mesmo nas perdas, podemos desfrutar do amor divino.

INTRODUÇÃO
Palavra Chave
Perda: Ato ou efeito de deixar de possuir ou de ter algo.

Nesta aula aprenderemos com o servo Jó, a lhe dar com as perdas em todas as esferas de nossas vidas, enquanto vivermos no mundo teremos muitas perdas e aflições (Jo 16.33). Contudo, são poucos os que conseguem superar as perdas, sejam materiais, morais, emocionais ou/e espirituais. Com base na Palavra de Deus, apresentaremos as respostas ou interação entre Jó e Deus nesses momentos tão difíceis, aplicaremos portanto em nossas vidas esta grandiosa lição de superação que Deus nos proporciona através da vda de Jó. 
I. JÓ E A EXPERIÊNCIA DAS PERDAS HUMANAS
Neste primeiro ponto o comentarista apresenta as perdas humanas de Jó, elecando-as, perda do gado, dos servos e dos filhos. 

1. Seu gado e rebanho. 
- Apesar de Jó ser um homem íntegro e que cultivava uma vida de profundo temor a Deus (1.1), ou seja, ele tinha intimidade com Deus, tinha comunhão com Deus. Logo, ele não estava em pecado e era filho de Deus
- Aplicação. Sabemos que muitos associam as crises materiais com um estado de pecado ou que a pessoa está amoldiçoada e etc..., porém, a situação de Jó contraria este ponto de vista, mostrando que servo de Deus integro pode passar por momentos de crise. 

- Era bom patrão, bom esposo e um pai sempre presente e preocupado com a vida espiritual e social dos filhos (1.5). 

- Mas, de repente, num só dia, ele viu todo seu gado e rebanho esvair-se. Os mensageiros, um a um, vieram trazer-lhe as inesperadas e funestas notícias (1.14-16). Nessa primeira perda, Jó perde o objeto do seu lucro, sua fonte de renda e sustento são destruidos. 

2. Seus servos. 
- Além de bois, camelos e ovelhas, os servos de Jó também tiveram suas vidas ceifadas, como depreendemos dos versículos 15 a 17: “Aos moços feriram ao fio da espada”; “fogo de Deus caiu do céu, e queimou as ovelhas e os moços, e os consumiu”; “e aos moços feriram ao fio da espada”. Antes de findar o dia, a maioria dos funcionários de Jó havia sido dizimada.

3. Seus filhos. 
O mensageiro não havia ainda terminado de narrar os recentes sinistros a Jó, quando um outro apareceu com uma notícia ainda mais trágica: “Eis que um grande vento sobreveio dalém do deserto, e deu nos quatro cantos da casa, a qual caiu sobre os jovens, e morreram” (v.19). Você pode imaginar, a essa altura dos acontecimentos, o que se passou pela mente e coração de Jó?
Num só dia fora privado dos bens, dos funcionários e dos filhos! Qual seria a sua reação? A de Jó foi rasgar o manto, rapar a cabeça e sofrer a angústia natural de um pai que acabara de perder todos os filhos; do patrão que ficara sem os funcionários e do homem rico reduzido à extrema pobreza. Mas, contrariando a reação da lógica humana, Jó, prostrado, adorou a Deus (1.20). Podemos sofrer e, até mesmo, viver as perdas da vida. Nisso, somos humanos. Mas devemos, a exemplo de Jó, reconhecer a grandeza e a soberania de Deus no processo da perda, ainda que soframos duramente com ela (1.21).
II. A PERDA DOS BENS
1. De ordem material. 
Por intermédio de uma vida imediatista, alguns cristãos, em momentos de perdas significativas, têm dificuldades de confiar em Deus. Quando se perde bens materiais, seja por causa de uma administração deficiente, por roubo ou devido à traição de pessoas que pareciam amigas, parece que o chão se abre e tudo vem abaixo. Para lidar com tais questões não há receitas nem manuais. O que temos é a promessa viva e real de Jesus (Mt 6.33). Acalme seu coração! E, em Cristo, recomece com fé e coragem!
2. De ordem afetiva. 
Ser preterido no namoro, ou no noivado, é um processo angustiante. Perder os pais, por mais que seja algo esperado, não deixa de ser doloroso para o ser humano. Sepultar o cônjuge é dilacerante para a alma. Enfrentar a separação no casamento, principalmente por adultério, é como sofrer a amputação de um membro do corpo. A dor finca suas estacas no âmago do nosso ser, traumatizando-nos violentamente (Sl 42.11; 142.7). Devido ao apego emocional e sentimental que temos por nossos familiares e por aqueles que nos cercam, as perdas de ordem afetiva trazem pavor e sofrimento ao nosso coração. Por isso, ficamos sem direção e mostramo-nos inconformados. É nessa hora que a nossa saúde psíquica é comprometida, podendo, inclusive, comprometer-nos a vida espiritual e social (1 Rs 19.9,10). Por isso, não podemos nos esquecer do socorro divino. Sem Ele, desmoronamo-nos.
3. De ordem espiritual. 
Uma vez que a saúde emocional está comprometida, a crise espiritual rapidamente se instaura. O crente desenvolve um sentimento de inércia para buscar a Deus. Ele não vê fundamento algum para viver, e acaba desejando a própria morte (1 Rs 19.4). Não podemos ignorar a seriedade do assunto. Se as perdas existenciais na vida do cristão não forem tratadas bíblica e equilibradamente, certamente haverá consequências graves. Assim, um bom começo para superarmos as perdas e angústias é lançar sobre o Senhor todas as nossas ansiedades, por que Ele tem cuidado de nós (1 Pe 5.7,9).
III. MESMO NA PERDA PODEMOS DESFRUTAR O AMOR DE DEUS
1. Sua graça. 
O coro do hino 205 da Harpa Cristã é bem significativo: “Graça, graça/ A mim basta a graça de Deus: Jesus/ Graça, graça/ A graça eu achei em Jesus”. Num momento de grande angústia, Paulo clamou ao Senhor, rogando-lhe que lhe removesse um espinho que o incomodava intensamente. Jesus, porém, limitou-se a responder-lhe: “A minha graça te basta, porque o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza” (2 Co 12.9).
O apóstolo, então, passa a entender que a sua força está na fraqueza, pois o poder de Cristo aperfeiçoa-se justamente em nossas debilidades. A graça de Deus é insondável, infinita e incomensurável! Essa graça resgatou-nos. E de tão completa, ela nos basta por si mesma.
2. Seu amor. 
A graça de Deus é fruto do seu amor por nós. Sua graça é real na vida de todos os que recebem a Cristo como o seu Salvador. O Pai conhece a dimensão do nosso sofrimento e importa-se com cada um de nós. A maior prova disso está no fato de que Ele ofereceu o seu Único Filho para morrer em nosso lugar (Jo 3.16). Sim, Ele entregou seu precioso Filho por amor a nós. Seja qual for a sua perda, sinta-se amado por Deus. Esse amor é poderoso para preencher todo o vazio e solidão que nos ameaça destruir. Como o apóstolo do amor, podemos dizer: “Nós o amamos porque ele nos amou primeiro” (1 Jo 4.19).
3. Deus intervém na história. 
Servimos a um Deus que, em graça e amor inefáveis, intervém na história humana. Ele interveio na tragédia existencial de Jó. Depois de um longo período de perdas, angústias, dores e sofrimentos indescritíveis, o patriarca foi miraculosamente restaurado, enquanto orava por seus amigos (Jó 42.10a). Não desista da sua existência! Busque a Deus em oração. Ele não tarda em socorrer-nos. Como Deus interveio na vida de Jó, fazendo com que o seu último estado fosse melhor que o primeiro, Ele também entrará com providência em sua história. Ele não se esqueceu de você.
CONCLUSÃO
Podemos perder tudo nessa vida — casa, dinheiro, emprego, excelentes oportunidades, relacionamentos, pai, mãe, filho, filha, esposo, esposa e, até mesmo, a própria saúde. Mas, apesar de todos os infortúnios, continuamos a crer no Evangelho de Cristo, pois Ele é o nosso baluarte e fortaleza. Nele, as perdas redundam em ganhos eternos, conforme afirma o profeta Habacuque: “Porquanto, ainda que a figueira não floresça, nem haja fruto na vide; o produto da oliveira minta, e os campos não produzam mantimento; as ovelhas da malhada sejam arrebatadas, e nos currais não haja vacas, todavia, eu me alegrarei no Senhor, exultarei no Deus da minha salvação. Jeová, o Senhor, é minha força” (Hc 3.17-19a). Alegre-se, pois, em Deus e caminhe sem temor!

quarta-feira, 4 de julho de 2012

NO MUNDO TEREIS AFLIÇÕES

NO MUNDO TEREIS AFLIÇÕES - Lição 1
TEXTO ÁUREO
“Tenho-vos dito isso, para que em mim tenhais paz; no mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo; eu venci o mundo” (Jo 16.33).

João 16.20,21,25-33.
20 - Na verdade, na verdade vos digo que vós chorastes e vos lamentareis, e o mundo se alegrará, e vós estareis tristes; mas a vossa tristeza se converterá em alegria.
21 - A mulher, quando está para dar à luz, sente tristeza, porque é chegada a sua hora; mas, depois de ter dado à luz a criança, já se não lembra da aflição, pelo prazer de haver nascido um homem no mundo.
25 - Disse-vos isso por parábolas; chega, porém, a hora em que vos não falarei mais por parábolas, mas abertamente vos falarei acerca do Pai.
26 - Naquele dia, pedireis em meu nome, e não vos digo que eu rogarei por vós ao Pai,
27 - pois o mesmo Pai vos ama, visto como vós me amastes e crestes que saí de Deus.
28 - Saí do Pai e vim ao mundo; outra vez, deixo o mundo e vou para o Pai.
29 - Disseram-lhe os seus discípulos: Eis que, agora, falas abertamente e não dizes parábola alguma.
30 - Agora, conhecemos que sabes tudo e não precisas de que alguém te interrogue. Por isso, cremos que saíste de Deus.
31 - Respondeu-lhes Jesus: Credes, agora?
32 - Eis que chega a hora, e já se aproxima, em que vós sereis dispersos, cada um para sua casa, e me deixareis só, mas não estou só, porque o Pai está comigo.
33 - Tenho-vos dito isso, para que em mim tenhais paz; no mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo; eu venci o mundo.
 
INTRODUÇÃO
Palavra Chave
Mundo: [gr. kosmos, ordem, beleza; do lat. mundus, puro] É a terra e o conjunto de todas as coisas criadas por Deus.
O crente em Jesus pode vir a sofrer? Se a resposta for não, então por que o sofrimento assalta-lhe a vida? Neste trimestre, estudaremos as “aflições do tempo presente”. Veremos que elas, conforme ensinou Jesus (Jo 16.33), são uma realidade inevitável até mesmo na vida do crente mais fiel. Mas da mesma forma como Ele padeceu, porém triunfou, nós também poderemos vencer todas as batalhas. E, assim, cresceremos integralmente na graça e no conhecimento de nosso Senhor Jesus Cristo.

I. AS AFLIÇÕES DO TEMPO PRESENTE
1. De ordem natural. 
Presenciamos uma desordem nunca antes vista na natureza. Apesar dos falsos alarmes, não podemos ignorar a devastação provocada pela ação irresponsável do homem. A Bíblia diz que a criação geme e está com “dores de parto” pelo que o ser humano tem-lhe feito (Rm 8.22). Quantas calamidades nos abatem por causa da degradação ambiental. São tragédias assombrosas que ceifam milhares de vidas. As poluições nos lagos, rios e mares, e as ocupações em áreas de riscos contribuem para a ocorrência de tragédias. Tais aflições também afetam os crentes fiéis.

2. De ordem econômica.
Outra aflição que se abate sobre o mundo é a de ordem financeira. A crise econômica internacional empobrece países, nações e famílias. Quantos não deram cabo da própria vida porque, da noite para o dia, descobriram que perderam todos os bens? Em nosso país, milhões de pessoas sobrevivem com menos de um salário mínimo. A pobreza, a fome e a miséria continuam a flagelar vidas ao redor do mundo, inclusive as dos servos de Deus (Mc 12.41-44).

3. De ordem física. 
Segundo dados da Organização Mundial de Saúde, doenças como câncer, hepatite, hipertensão arterial, depressão e obesidade são consideradas as pragas do século XXI. Essa informação traz-nos algumas indagações: Será que o crente fiel não é vítima de câncer? Ou não desenvolve a depressão e não sofre de hipertensão arterial? Não precisamos de muito esforço para reconhecer que as enfermidades também atingem os salvos e são consequência da queda (Rm 6.23). Mesmo cientes de que as doenças acometem igualmente o servo de Deus, é impossível ignorar que há enfermidades de natureza espiritual e oriundas de práticas pecaminosas (Mt 9.32,33; Jo 5.14,15).


II. POR QUE O CRENTE SOFRE
1. A queda. 

O sofrimento é algo comum a todos os homens, sejam ímpios sejam justos. Uma razão para a existência do mal é a queda humana. Deus fez um mundo perfeito (Gn 1.31), mas a transgressão de Adão trouxe a tristeza, a dor e a morte (Gn 3.16-19; Rm 5.12). Por isso, todos estão igualmente sujeitos ao sofrimento (Rm 2.12; 8.22).

2. A degeneração humana. 
Com a queda no Éden, o homem sofreu um processo de degeneração moral, social e espiritual. Tal degradação, observada na vida de Caim (Gn 4.8-16), Lameque (Gn 4.23,24) e de toda aquela geração, levou Deus a destruir o mundo pelo dilúvio (Gn 6.1-7.24). O relato bíblico mostra claramente a corrupção humana e o aparecimento do ódio, da violência, das guerras e de todos os atos que contrariam a vontade divina. Não é exatamente essa a situação da sociedade atual? A humanidade acha-se em franca rebelião contra Deus (Rm 3.23).

3. O novo nascimento e o sofrimento. 
A experiência pessoal e genuína do novo nascimento gera no crente uma natureza oposta a da queda (1 Jo 5.1,19). Entretanto, apesar de ter nascido de novo, o crente em Jesus não deixa de experimentar o sofrimento, pois, como disse Agostinho de Hipona: “A permanência da concupiscência em nós é uma maneira de provarmos a Deus o nosso amor a Ele, lutando contra o pecado por amor ao Senhor; é, sobretudo, no rompimento radical com o pecado que damos a Deus a prova real do nosso amor”. Assim, experimentamos o sofrimento porque habitamos um corpo que ainda não foi transformado, mas que espera a sua plena glorificação (1 Co 15.35-58).


III. O CRESCIMENTO E A PAZ NAS AFLIÇÕES
1. A soberania divina na vida do crente. 

A soberania divina na existência do crente garante-lhe que os olhos de Deus sondem-lhe a vida por inteiro. Somos em suas mãos o que o vaso é nas mãos do oleiro (Jr 18.4). Por isso, você pode falar como o salmista: “Eu me alegrarei e regozijarei na tua benignidade, pois consideraste a minha aflição; conheceste a minha alma nas angústias” (Sl 31.7). Querido irmão, querida irmã, não se desespere! O Senhor, Criador dos céus e da terra, cuida inteiramente de você e dos seus, porque “a terra é do Senhor e toda a sua plenitude” (1 Co 10.26).

2. Tudo coopera para o bem. 
A vontade de Deus para as nossas vidas é boa, perfeita e agradável (Rm 12.2). O escritor aos Hebreus reconhece que o Senhor, muitas vezes, usa a provação para corrigir-nos e fazer brotar em nossa vida o “fruto pacífico de justiça” (Hb 12.3-11). No exercício desse processo, crescemos como pessoas e servos de Deus, aprendendo na faculdade das aflições da vida. Assim, podemos dizer inequivocamente que “todas as coisas contribuem juntamente para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados por seu decreto” (Rm 8.28).

3. Desfrutando a paz do Senhor. 
Olhar para o sofrimento e a aflição humana e, paradoxalmente, desfrutar da paz de Cristo, parece-nos loucura! Mas não o é quando entendemos que Deus age segundo o conselho da sua vontade, visando sempre o bem e o crescimento dos seus filhos. O deserto da vida não é percorrido sob a ilusão mágica da “sombra e água fresca”, mas com os pés firmes na realidade desértica do sol escaldante (Rm 5.1-5; Fp 4.7). Nesse interregno, porém, desfrutamos a bondade, a misericórdia e a proteção do Criador dos céus e da terra. Mesmo vivendo em um mundo de aflições, podemos experimentar a paz que excede todo o entendimento e cantar em alto e bom som o coro do hino 178 da Harpa Cristã: “Paz, paz/ gloriosa paz/ Paz, paz/ perfeita paz/ desde que Cristo minh'alma salvou/ tenho doce paz!”.

CONCLUSÃO
Neste mundo, estamos sujeitos às aflições e sofrimentos de qualquer espécie. A vida cristã envolve períodos difíceis e trabalhosos. No entanto, se a nossa expectativa estiver na soberania de Deus e no seu bem, desfrutaremos, mesmo que andemos em aflição, da mais perfeita e sublime paz de Cristo. Que ao longo desse trimestre, o Todo-Poderoso ilumine-lhe a mente e o coração para deleitar-se em sua eterna e maravilhosa graça. Amém!

BIBLIOGRAFIA
COLSON, C.; PEARCEY, N. E Agora Como Viveremos? 2.ed., RJ: CPAD, 2000.
RHODES, R. Por que coisas ruins acontecem se Deus é bom? 1.ed., RJ: CPAD, 2010.

terça-feira, 22 de maio de 2012

LAODICEIA, UMA IGREJA MORNA

LAODICEIA
Contexto Histórico e Cultural
Gr. Laodikeia, provavelmente “tribunal (de justiça) do povo”, “julgamento do povo”, ou “um povo decretou”.

Uma importante cidade do oeste da Ásia Menor e que pertencia à Frígia. Situava-se numa extremidade do vale do rio Lycus, um tributário do Meandro e entre montanhas que se elevam a alturas que se encontram entre os 2440 e os 2750 metros. Foi provavelmente fundada por Antíoco II (261-246 AC), que lhe deu este nome em honra da sua irmã e mulher Laodice. Foi povoada por sírios e judeus vindos de Babilónia. A cidade só se tornou importante quando se tornou parte da província romana da Ásia, organizada no século II AC. Ficou famosa nos tempos do NT como sendo um local onde se podia adquirir lã preta brilhante e vestuário preto manufaturado nesta cidade, sendo que ambos os artigos eram exportados para muitos países. Também muito conhecido em todo o mundo oriental era o “pó frígio” medicinal utilizado para os males dos olhos. A cidade tornou-se tão rica que, quando foi destruída em 60 DC por um tremor de terra, os seus cidadãos, ao contrário dos das outras cidades (Colossos e Hierápolis) que também sofreram com esta tragédia, recusaram a ajuda que Roma lhes ofereceu e reconstruíram a sua cidade com os seus próprios recursos. A cidade mudou de mãos várias vezes nos séculos seguintes e foi finalmente destruída no século XIII pelos turcos. Desde então tem-se mantido em ruínas, servindo de pedreira onde a cidade vizinha de Denzli vai buscar os materiais de construção de que precisa. O local em ruínas tem o nome de Eski Hissar, que significa “velho castelo”.
As ruínas permaneceram inexploradas até que uma expedição da Universidade de Laval, Quebeque, escavou a antigo Ninfeu entre 1961 e 1963. Descobriu-se que esta estrutura tinha sido destruída por um tremor de terra no século V DC. Partes deste edifício arruinado foram, consequentemente, convertidas numa casa de adoração cristã, enquanto que o resto continuou a servir os cidadãos de Laodiceia como fontes de água.
Existiu na cidade uma igreja cristã no tempo em que a carta de Paulo aos colossensses foi escrita (62 DC) mas, aparentemente, Paulo nunca esteve na cidade (Cl 2:1). É possível que Epafras, um nativo desta cidade vizinha de Colosso, fosse o impulsionador do cristianismo nessa região (caps. Cl 1:7; Cl 4:12). Chegou a Laodiceia uma carta de Paulo, ao mesmo tempo que os colossensses também recebiam uma (cap. Cl 4:16). É provável que esta carta se tenha perdido, tal como aconteceu com outras cartas de Paulo (cf. 1Co 5:11). Desde o tempo de Marcion (150 DC) que se sugere frequentemente que a carta aos efésios é a carta perdida que fora dirigida aos laodicenses porque as palavras “aos santos que estão em Éfeso” (Ef 1:1) são pobremente confirmadas por provas manuscritas. Uma carta apócrifa de Paulo dirigida aos laodicenses, pertencente ao século V DC e existente em traduções latinas e árabes, é composta por uma mistura de passagens das cartas aos gálatas e aos efésios.
Uma das sete cartas, no Apocalipse, é dirigida à igreja de Laodiceia (Ap 3:14-22). As repreensões contidas nesta carta indicam que a igreja não se encontrava muito bem e as referências à riqueza, ao colírio e aos vestidos brancos são explicados por um conhecimento da história da cidade, da sua importância econômica e orgulho e dos seus produtos industriais.

LAODICEIA, UMA IGREJA MORNA - LIÇÃO 9

OBJETIVOS
Descrever a situação espiritual da Igreja de Laodicéia.
Conscientizar-se de que a riqueza da igreja está em manter comunhão com o Senhor.
Saber como manter a igreja fervorosa espiritualmente.

INTRODUÇÃO
Palavra Chave
Morno: Desprovido de calor, de efervescência, de vida; monótono, aborrecido.

Nesta aula estudaremos alguns aspectos da igreja de Laodicéia e deles tirar algumas mensagens para a nossa vida diária.
- Laodicéia de nada tinha falta, possuía tudo em abundância;
- Contudo, aos olhos do Senhor, era uma igreja pobre, cega e miserável;
- O que lhe sobejava em riquezas temporais, faltava-lhe em bens espirituais;

- É uma representação fiel de algumas igrejas atuais, que têm substituído o Reino de Deus, por impérios humanos e interesses pessoais.

- Sabemos que o nosso Mestre Jesus não mudou, e se interessa pela qualidade espiritual de sua Igreja, qualidade de vida espiritual é ter uma vida cristã sem mistura com o pecado.

I. A IDENTIFICAÇÃO DE JESUS

- Conforme vimos, para cada igreja o Senhor se identifica conforme a necessário, isso enfatiza o seu poder e domínio sobre a Igreja.
- Para a igreja em estudo, Ele se identifica como: “Isto diz o Amém, a testemunha fiel e verdadeira, o princípio da criação de Deus” (Ap 3.14).

1. A testemunha fiel e verdadeira.
- Considerando que a igreja de Laodicéia estava vivendo sob a máscara da mentira e aparência, O Senhor Jesus apresentar-se, ao seu pastor, como a Testemunha Fiel e Verdadeira.

- Conclui-se, pois, que a Igreja de Cristo tem a responsabilidade e obrigação de sustentar a verdade evangélica neste século maligno e mentiroso (1 Tm 3.15), que troca a verdade pela mentira sem temor algum. 

2. O princípio da criação de Deus.
- O anjo da igreja em Laodicéia, esqueceu-se da dependência divina, extravasa-se em presunções: “Rico sou, e estou enriquecido, e de nada tenho falta” (Ap 3.17).

- O Senhor Jesus, manifesta-se como o “princípio da criação de Deus”, que significa aqui, “fonte”, “origem”, descrevendo assim a Cristo, tanto na Sua atuação na Criação original (1 Jo 1.14; Cl 1.15-18), como Sua obra ao suscitar a Nova Criação (1 Co 5.17).

- O Senhor Jesus confronta o anjo da igreja, mostrando a futilidade e da instabilidade dos recursos materiais, e se a igreja tem alguma coisa boa, é mérito exclusivamente do Senhor Jesus (Ef 1.3), alem de mostrar que tudo quanto há no mundo existe por causa dele e para Ele (Rm 11.36).

II. A SITUAÇÃO ESPIRITUAL DA IGREJA DE LAODICEIA

O Senhor Jesus na Sua Onisciente (atributo incomunicável de Deus), conhecia a real situação de Laodicéia. Esta igreja, que vivia sob a máscara da mentira, é desmascarada ou confrontada pela Testemunha Fiel e Verdadeira.

1. Mornidão espiritual.
- Se Laodicéia fosse fria, buscaria o calor de um avivamento; se quente, espalharia esse mesmo avivamento até aos confins da terra. Morna, porém, faz-se indiferente a Deus e à sua Palavra. Por isto, o Senhor repreende-a: “Eu sei as tuas obras, que nem és frio nem quente. Tomara que foras frio ou quente!” (Ap 3.15).

- Esta mornidão pode ser aplicada com facilidade, ao estado espiritual da igreja no sentido de se misturar com o secularismo ou com o pecado (mentira, orgulho, falsidade e etc...) diretamente.

- Esta mornidão retrata a infidelidade ao Senhor Jesus, pois Ele não divide sua igreja com o pecado. A igreja de Laodicéia estava dividida, tentando servir a dois senhores (Mt 6.24), desagradando portanto ao Senhor Jesus, necessitando urgentemente de arrepender-se e servir apenas ao Senhor.

2. Arrogância espiritual.
- Além dessa indiferença doentia e crônica às coisas de Deus, o anjo da Igreja em Laodiceia era soberbo e arrogante.
- Supunha que, por ser rico e de nada ter falta, achava-se acima das providências divinas.
- Tal prosperidade levara-o ao orgulho fatal. Somente um tolo diria tal coisa: “Rico sou, e estou enriquecido, e de nada tenho falta” (Ap 3.17).

- O discurso do anjo da igreja de Laodicéia equiparou-se ao discurso de Lúcifer (Is 14.13,14).

- No mesmo erro incorre algumas igrejas que, por causa de sua prosperidade material, julgam-se ricas, mas espiritual e ministerialmente são paupérrimas.

3. Falta de percepção do próprio eu.
- Apesar de todos os seus bens materiais, Laodicéia em nada diferia de um esmoler espiritual: “e não sabes que és um desgraçado, e miserável, e pobre, e cego, e nu” (Ap 3.17).

Paralelo, Adão/Laodicéia.
- Se Adão logo após a Queda percebeu-se nu, o pastor da igreja em Laodicéia julgava-se bem vestido e ornado.

Neste ponto o comentarista trata o comportamento de Adão quando este pecou.
- Se o primeiro homem teve os olhos abertos para enxergar a própria nudez, o anjo de Laodicéia achava-se, mesmo despido, em trajes de gala.

- E se Adão, reconhecendo a própria carência, coseu aventais da figueira, aquele obreiro, embora descoberto, desfilava toda a sua nudez diante das ovelhas. Infelizmente, ninguém tinha coragem de dizer que o pastor estava nu. Foi preciso que o Pastor dos pastores endereçasse-lhe uma enérgica carta apontando-lhe a nudez, a pobreza e a cegueira espiritual.

Outros exemplos de pessoas que reconheceram o seu estado espiritual crítico:
- Davi, 2 Sm 12.13; Sl 51.11;
- Filho pródigo, Lc 15.17.

Aplicação.
- Como estão as suas vestes espirituais? São ainda alvas? Ou anda você nu sem o saber? “Em todo tempo sejam alvas as tuas vestes, e nunca falte o óleo sobre a tua cabeça” (Ec 9.8).

III. COMO REAVIVAR UMA IGREJA MORNA

Temos a impressão de que Laodiceia era um caso perdido. Todavia, o Senhor Jesus não havia desistido dessa ainda amada e querida igreja. Juntamente com a reprimenda e a censura, envia-lhe Ele a receita de um grande e poderoso avivamento: “Aconselho-te que de mim compres ouro provado no fogo, para que te enriqueças, e vestes brancas, para que te vistas, e não apareça a vergonha da tua nudez; e que unjas os olhos com colírio, para que vejas” (Ap 3.18).
O anjo daquela igreja deveria fazer, com a máxima urgência, as seguintes aquisições junto ao Cordeiro de Deus:

1. Ouro refinado pelo fogo.
A menos que o anjo da Igreja em Laodiceia adquirisse os tesouros da sabedoria e da ciência em Cristo, continuaria a levar uma vida miserável (Cl 2.2,3). Como adquirir tais tesouros? Cristo no-los coloca à disposição. Não quer você apossar-se desses tesouros e ter uma comunhão mais íntima com o Senhor?

2. Vestiduras brancas.
Redimidos pelo sangue do Cordeiro, nossas vestes tornaram-se mais alvas que a neve (Is 1.18). Sim, Ele mudou-nos as vestiduras que, manchadas pela iniquidade, envergonhavam-nos diante de sua justiça e santidade (Zc 3.1-10).
Como está você diante de Deus? Nu? Ou revestido da graça divina?

3. Colírio. 
A cegueira espiritual era o grande problema da igreja em Laodiceia: não conseguia ver a própria miséria nem podia perceber a sua nudez. Por isso o Senhor Jesus aconselha o seu anjo: “aconselho-te que de mim compres [...] colírio, para que vejas” (Ap 3.18).
Sabe onde poderá você encontrar o colírio recomendado pelo Senhor? Nas Sagradas Escrituras. Lendo-a, conseguimos ver todas as coisas perfeitamente (Sl 119.105).

CONCLUSÃO

Embora abastada e próspera, a orgulhosa Laodiceia não era rica diante de Deus. Voltemos à manjedoura! Enriqueçamo-nos daquEle que se fez pobre por amor de nós. Vençamos a mornidão espiritual, pois o Senhor Jesus promete-nos uma grande e verdadeira recompensa: “Ao que vencer, lhe concederei que se assente comigo no meu trono, assim como eu venci e me assentei com meu Pai no seu trono” (Ap 3.21).




Bibliografia
Bíblia de Estudo - SHEDD

quarta-feira, 16 de maio de 2012

FILADÉLFIA, A IGREJA DO AMOR PERFEITO

  Filadélfia, a igreja do amor perfeito – Lição 8

 “Mas qualquer que guarda a sua palavra, o amor de Deus está nele verdadeiramente aperfeiçoado; nisto conhecemos que estamos nele” (1 Jo 2.5).

- O amor para com Deus é aperfeiçoado na plena obediência à Sua Palavra.
 
OBJETIVOS
Conhecer o contexto geográfico e histórico da cidade de Filadélfia.
Compreender como Jesus se apresenta a igreja de Filadélfia.
Elencar as principais características da igreja de Filadélfia.

INTRODUÇÃO
Palavra Chave: Filadélfia: Amor fraternal; amor entre irmãos.

Nesta aula destacaremos e estudaremos sobre alguns pontos importantes da igreja em Filadélfia, dos quais extrairemos a mensagem para a igreja atual.

Veremos algumas características da referida igreja:
- Não era tão importante quanto Éfeso, nem tão rica como Laodiceia;
- Possuía um amor que tirava forças da fraqueza;
- De sua pobreza temporal, extraía bens eternos para enriquecer o mundo;
- Apesar das dificuldades materiais, a igreja de Filadélfia tinha consigo um segredo indispensável e ao mesmo tempo desejado por todas as igrejas de Cristo Jesus, o AMOR.

Ressalta-se que este AMOR, não se compra e nem se vende, este AMOR é aquele descrito por Jesus (Mc 12.30-31) e por Paulo (Rm 12.9-21).

- Uma igreja que ama o seu Mestre à semelhança de Filadélfia, as portas do Reino se abrem e não há resistência humana ou espiritual que possa detê-la (Mt 16.18)

I. FILADÉLFIA, A CIDADE DO AMOR FRATERNAL
1. A história de Filadélfia.
- Filadélfia. O nome significa “amor fraternal”.
- De pitoresca situação, tanto a cidade quanto a igreja, eram pequenas, em meio a uma região agrícola, achando-se a 40Km a SE de Sardes, seu nome recorda seu fundador, Átalos Filadelfos II, rei de Pérgamo em 189 a.C.
- Ao construir a cidade, tinha como objetivo helenizar (dar caráter grego a, tornar(-se) semelhante aos helenos, à sua cultura e civilização), a região que até aquela época, usava como língua comum, o gálico.

- Atualmente é a cidade turca, Alasehir, situada a 130 quilômetros ao leste de Esmirna.

2. A igreja em Filadélfia.
- Trata-se de uma igreja pequena em uma área rural, longe dos centros comerciais como as demais. Contudo, era uma igreja que refletia um amor, santo, puro e verdadeiro, conforme nos requer o Senhor Jesus Cristo;

- À semelhança das demais igrejas da Ásia Menor, Filadélfia também foi estabelecida ou pelo apóstolo Paulo, ou por algum membro de sua equipe (At 19.10).

- Quando olhamos para a igreja de Filadélfia, lembramos que o dono da Igreja não tem está preocupado com templos suntuosos, com pedras de mármore, com instrumentos caríssimos e etc..., o dono da Igreja esta a espera dos verdadeiros adoradores (Jo 4.23). Com que estamos preocupados? Reflita!... 

II. A IDENTIFICAÇÃO DO MISSIVISTA
Missivista. Pessoa que escreve ou é portadora de missivas
Missivas. Carta
- Logo, trata-se da forma que o Senhor Jesus se apresenta ao anjo da igreja em Filadélfia, ou seja, aquele que é Santo e Verdadeiro (Ap 3.7).

1. Jesus, o Santo de Deus (Ap 3.7).
- O Santo. O mesmo que dizer: O Ungido de Deus; O Cristo de Deus.

- A santidade é um dos principais atributos comunicáveis de Cristo. Apesar de haver sido tentado em tudo (Hb 4.15), contudo, sem pecado (1 Pe 2.22).

- Sendo Ele o exemplo de santidade para sua Igreja (1 Pe 2.21; 1 Jo 2.6);
- É Ele o Único meio pelo qual o homem tem seus pecados perdoados (1 Jo 1.7) e justificados (Rm 8.30).
- Se Ele é santo, de sua Igreja requer santidade e pureza (1 Pe 1.16).
- Sem compartilhar da Santidade do Senhor Jesus Cristo, o homem não tem condições de herdar a vida eterna (Hb 12.14).

Reflexão:
- Sua igreja é santa? Ela segue a paz com todos?

2. Verdadeiro (Ap 3.7).
- Apresentando-se também como verdadeiro, o Senhor Jesus demanda de sua Igreja uma postura verdadeira e confessante.

- Filadélfia tinha tais características. Por isso, estava disposta a professar o nome de Cristo até o fim. Ela não se conformava com este mundo.

3. A chave da Casa de Davi.
- O poder das chaves é de autoridade exclusiva do Senhor Cristo Jesus, o Messias davídico (5.5; 22.16, Mt 16.18-19).

- Apresentando-se assim a Filadélfia, Ele deixa bem claro que, na expansão do Reino de Deus, nenhuma porta haverá de prevalecer contra a Igreja, porque Ele as abrirá (Mt 16.13-19).

Aplicação
- Se nos dispusermos a alcançar os confins da terra, certamente seremos bem sucedidos.


III. UMA IGREJA AMOROSA, PACIENTE E CONFESSANTE
Algumas características da Igreja de Filadélfia.

1. Amar é a maior das obras.

- Embora nenhuma de suas obras haja sido particularizada por Cristo, a igreja em Filadélfia cumpria zelosa, e perseverantemente, os termos da Grande Comissão (Mt 28.19,20; At 1.8).

- Podemos extrair de Filadélfia que de fato o amor é a força motriz que movimenta uma igreja, uma igreja que reflete o amor ensinado por Cristo, é uma igreja acolhedora, missionária, visitante, assiste ao necessitado fazendo a diferença numa sociedade tão injusta e desumana com a nossa.

- Destaca-se ainda que uma igreja que tem o amor de Deus está preocupada com os interesses do Reino de Deus e não com os interesses do reino dos homens.

- Uma igreja que tem o amor de Deus está preocupada com o bem comum entre os seus membros, sem fazer acepção de pessoas (Jó 34.19) temos o exemplo (2 Co 8.1-6).

2. Força na fraqueza.

Filadélfia não era uma igreja forte (Ap 3.8). Mas pela fé, sabia como tirar forças da fraqueza (Hb 11.34).
- Nesse ponto aprendemos algo tremendo, descobrimos aqui o que significa amar a Deus sobre todas as coisas, pois o que nos parece é que a igreja em Filadélfia amava a Deus sobre todas as coias, portanto, não se preocupava ou lutava para ser próspera financeiramente.

- Mas, como podemos compreender o amor existente em Filadélfia?
Com base em (Mc 12.30), vimos que:
- Amava a Deus de todo o coração;
- Amava a Deus com toda alma;
- Amava a Deus de todo entendimento;
- Amava a Deus com todas as tuas forças.

- Podemos concluir o pensamento da seguinte forma: Se amarmos a Deus apenas com um dessas faculdades humanas; Não será um amor completo, com certeza estaremos divididos entre dois senhores. O contrário que acontecia com a Igreja de Filadélfia.    


3. Amorosa perseverança.
- Em meio às perseguições, Filadélfia jamais negou o nome do Senhor (Ap 3.8).

Apesar das tribulações sofridas por Filadélfia, ela demonstrou ser uma igreja que olhava para um alvo e este alvo era o seu Mestre, Jesus Cristo.

- Quando uma igreja local tem visão de Reino, ela se torna uma igreja perseverante e dinâmica, não olha para as dificuldades; Olha para o seu Mestre (Hb 12.2; Fp 3.13,14). 

- Sinagoga de Satanás (Ap 3.9). Tratava-se de um grupo de hereges, distorcendo a Lei de Moisés, buscava anular a graça de Cristo.
Paulo e a igreja de Esmirna enfrentaram dificuldades com esses indivíduos (Gl 1.1-7; Ap 2.9). 



Aplicação.
- Estejamos, pois, tranquilos. Jesus batalha nossas batalhas e guerreia nossas guerras.


IV. FILADÉLFIA NOS ÚLTIMOS DIAS
1. A iminência da volta de Jesus.
- Em sua carta à igreja em Filadélfia, o Senhor Jesus alerta-nos: “Eis que venho sem demora” (Ap 3.11). Aqui temos uma alerta geral à igreja, contudo, temos a segunda parte do verso, “guarda o que tens...”. Portanto, temos o Senhor Jesus advertindo sua igreja, mas ao mesmo tempo reconhece que o amor que ela possuía era verdadeiro.

- Pois uma igreja que possui o verdadeiro amor pelo Senhor, ela supera grandes dificuldades, seja no âmbito material ou espiritual (1 Co 13.7).

- Nunca estas palavras fizeram-se tão urgentes quanto hoje. Todos temos conhecimento sobre as notícias nos jornais, sabemos que está se cumprindo as Escrituras Sagradas, vemos na política que todos os acontecimentos é uma configuração para o reino do anticristo, disso não temos dúvida. 


- Mas, algo que nos chama a atenção é a morte da mente cristã, por parte de muitos cervos do Senhor Jesus, pois estão levando uma vida sem ruptura com pecado ou com o sistema mundano. Isso é muito perigoso, por que leva o cristão a se esquecer de frases como esta, “Eis que venho sem demora....”

- Fiquemos atentos, e sempre com a mente renovada na Palavra (Rm 12.2), pois é ela quem nos revela o nosso futuro com Cristo. 


2. A Grande Tribulação.
- Muitas eram as tribulações que se abatiam sobre Filadélfia. De uma coisa, porém, sabia aquela amantíssima igreja: o Senhor não permitira viesse ela a ser alcançada pela Grande Tribulação.

- É o que nos promete Jesus: “Como guardaste a palavra da minha paciência, também eu te guardarei da hora da tentação que há de vir sobre todo o mundo, para tentar os que habitam na terra” (Ap 3.10).

- Não tenha medo. Antes que chegue a angústia, Jesus virá arrebatar-nos. E assim estaremos para sempre com o Senhor (1 Ts 4.13-17), temos que nos manter vigilantes como as virgens prudentes.

3. A coroa de glória.

- A igreja em Filadélfia já havia recebido sua inteira aprovação do Senhor. No entanto, haveria ela de mostrar-se vigilante e cuidadosa para que ninguém lhe furtasse o galardão: “Guarda o que tens, para que ninguém tome a tua coroa” (Ap 3.11).

Aplicação
- Está você vigilante e cuidadoso com o que lhe confiou Jesus? Não permita que o Diabo lhe roube no tempo os bens que o Senhor lhe preparou na eternidade (Ap 2.10).

CONCLUSÃO
Mantenhamo-nos fiéis. O Senhor Jesus não tarda. Em seu inconfundível amor, promete-nos: “A quem vencer, eu o farei coluna no templo do meu Deus, e dele nunca sairá; e escreverei sobre ele o nome do meu Deus e o nome da cidade do meu Deus, a nova Jerusalém, que desce do céu, do meu Deus, e também o meu novo nome” (Ap 3.12).
Temos um Reino e uma morada eterna que nos espera; tudo que vemos e nos é oferecido aqui na terra, não passa de uma grande ilusão que nos tenta roubar a coroa que está preparada para os que vencerem.

Deus te abençoe, boa aula.  




Bibliografia
Biblia de Estudo - SHEDD

domingo, 13 de maio de 2012

SARDES, A IGREJA MORTA

SARDES, A IGREJA MORTA - LIÇÃO 7
 
“Desperta, ó tu que dormes, e levanta-te dentre os mortos, e Cristo te esclarecerá” (Ef 5.14).
 
OBJETIVOS
Identificar os problemas pertinentes à igreja de Sardes.
Compreender que não podemos viver de aparência.
Reconhecer que somente o Espírito Santo pode vivificar uma igreja espiritualmente morta.
 
INTRODUÇÃO - Palavra Chave=> Morte: Fim; desaparecimento gradual de qualquer coisa que se tenha desenvolvido por algum tempo.

- A igreja em Sardes foi morrendo aos poucos até esvaziar-se por completo do Espírito Santo (extinguiu o Espírito – 1 Tss 5.19).
- Aos olhos humanos - bem viva Agora;
- Aos olhos de Deus - um cadáver.
Aparentemente. Bem maquiada e vestida ricamente, impressionava por sua vida sem vida.

Contextualização atual.
- Muitas igrejas, hoje, assemelham-se a Sardes. Morreram e não o sabem.

Solução
- Era só angustiar-se por um avivamento (arrependimento/quebrantamento – Sl 51.17).

Consequência
- Renovação, restauração.
 
I. A IGREJA EM SARDES
1. A cidade de Sardes.

Aspectos gerais:
- Situava-se a quinhentos metros acima do nível do mar;
- Considerava-se inexpugnável;
- Orgulhava-se também de seus fabulosos tesouros;
- Suas abundâncias vinham, em parte, do rio Pactolos, que lhe fornecia ouro e prata em grandes quantidades.
- Suas águas, eram indispensáveis à boa saúde.
- Haja vista o fabuloso Creso. Ascendendo ao trono no sexto século a.C, este rei acumulou tantos bens, que o seu nome veio a tornar-se sinônimo de riqueza. No mundo antigo, este ditado era corrente: “Rico como Creso”.

2. A igreja em Sardes. R-1 e R-2
Trajetória:
- Fundada provavelmente pelo apóstolo Paulo, tinha vida abundante;
- Formada por pessoas oriunda de várias etnias;
- Aos poucos começou a necrosar-se; morria e não percebia que estava morrendo (Ap 3.1);

Resultado:
- Vivia de aparências. Embora parecesse avivada, jazia sem vida.

Aplicação
- Este é o retrato de algumas igrejas. No exterior, beleza; no interior, o acúmulo de mortos (Mt 23.27).

II. A IDENTIFICAÇÃO DO MISSIVISTA
- Jesus apresenta-se como aquele que tem os sete Espíritos de Deus;
- Enfatizando:
1. A ação plena do Espírito Santo na Igreja de Cristo;
2. Somente o Espírito de Deus tem a capacidade de vivificar uma igreja morta. Ex. (Ez 37). R.3

1. O que tem os sete Espíritos de Deus (Ap 3.1).
- O Senhor Jesus se identifica “indiretamente”, mas ao mesmo tempo revela que é O Messias fazendo menção à uma profecia Messiânica, Isaías 11.2 “E repousará sobre ele o Espírito do Senhor, e o Espírito de sabedoria e de inteligência, e o Espírito de conselho e de fortaleza, e o Espírito de conhecimento e de temor do Senhor”.

- Outro Exemplo de identificação indireta do Senhor Jesus Cristo:
Mt. 11.4-5; Is 35.5-6

- Aqui Jesus declara o Seu nome.

2. Os sete Espíritos de Deus.
- Existe apenas um único Espírito Santo (Ef 4.4).
- Aplica-se ao Espírito Santo para indicar que Sua ação, Seu poder e Sua autoridade são totais.  “E repousará sobre ele o Espírito do Senhor, e o Espírito de sabedoria e de inteligência, e o Espírito de conselho e de fortaleza, e o Espírito de conhecimento e de temor do Senhor” (Is 11.2).
- Revela a Divindade do Espírito Santo, pois compartilha dos atributos incomunicáveis de Deus, Onisciente, Onipresente, Onipotente, imutabilidade e etc....

3. As sete estrelas.

- Simbolizam os sete pastores das sete igrejas da Ásia (Ap 1.20);
- Jesus se revela como o Soberano da Igreja (local e universalmente);
- Ele é a cabeça da Igreja, pois resgatou-a com o seu precioso sangue (Ef 5.23; 1 Pe 1.17-19).

- Aqui Jesus declara que é o Cabeça da Igreja.
 
III. A DOENÇA E A MORTE DE UMA IGREJA

- Aos olhos das demais igrejas, Sardes exibia-se bela e viva. Mas aos olhos de Cristo, não passava de um defunto bem produzido. Aliás, a sua certidão de óbito já estava lavrada com a explicitação da causa mortis.

1. Perda de memória.
A primeira doença: R.4
- Esquecimento espiritual;
- Esqueceu-se das primeiras obras, do primeiro amor, das bênçãos espirituais, dos dons, dos milagres, das revelações, das profecias e da intimidade com Deus (Ap 2.5);

- Exortação:  “Lembra-te, pois, do que tens recebido e ouvido, e guarda-o, e arrepende-te” (Ap 3.3), voltar (Ap 2.5).
Comparação:

- Sardes (morta) era mais grave do que a de Éfeso (esqueceu o 1º amor).
- Efeso => lembra-te, arrepende-te e volta;
- Sardes=> lembra-te, arrepende-te, (novo nascimento) e vigiar.

Aplicação. O Senhor Jesus, porém, tanto nos restaura a memória espiritual, como nos faz ressurgir dentre os mortos (Ef 5.14).

2. Desleixo.
A segunda doença: Desleixo.

- Apesar de não sejamos perfeitos, nossas obras têm de primar pela excelência.
- A igreja em Sardes, todavia, desprezando o padrão divino, conforme descrito:
“Não achei as tuas obras perfeitas diante de Deus” (Ap 3.2). Jr 48:10 (obra relaxadamente).

Aplicação.
- No Reino de Deus, a perfeição é o padrão mínimo aceitável, conforme recomenda o apóstolo: “se é ministério, seja em ministrar; se é ensinar, haja dedicação ao ensino; ou o que exorta, use esse dom em exortar; o que reparte, faça-o com liberalidade; o que preside, com cuidado; o que exercita misericórdia, com alegria” (Rm 12.7.8, Ec 9.10).

3. Descaso para com o remanescente fiel.

- Responsabilidade de quem está em pé:
- Ajudar os que estão fracos na fé (1 Ts 5.14)
- O Senhor recomenda: “Sê vigilante e confirma (na fé, na dedicação, no Evangelho de Cristo) o restante que estava para morrer, porque não achei as tuas obras perfeitas diante de Deus” (Ap 3.2).

- Jesus estava dando outra oportunidade para a igreja de Sardes, transformando o seu estado espiritual reprovado (orgulho, rebelião, adultério, fornicação, heresias, roubo, cobiça, calúnias).

Aplicação
- É hora de confirmar os que ainda respiram.
Através da Palavra de Deus, da oração, da comunhão dos santos e do serviço evangelístico e missionário.

CONCLUSÃO
Se o anjo da igreja em Sardes não cumprisse os seus deveres, teria o nome riscado do Livro da Vida: “O que vencer será vestido de vestes brancas, e de maneira nenhuma riscarei o seu nome do livro da vida; e confessarei o seu nome diante de meu Pai e diante dos seus anjos” (Ap 3.5). Sabe o que isso significa? Separação eterna de Deus. Sim, desempenhar o ministério cristão de forma relapsa e profana pode levar o obreiro a comprometer a própria salvação. Muito cuidado!
Finalmente, irmãos, a Igreja de Cristo é lugar de vivos. Nosso Deus não é Deus de mortos (Mc 12.27).

Bibliografia
Bíblia de Estudo SHEDD;
Novo Testamento - King James

sexta-feira, 4 de maio de 2012

TIATIRA, A IGREJA TOLERANTE

 Tiatira, a igreja tolerante - Lição 6

 “Não vos prendais a um jugo desigual com os infiéis; porque que sociedade tem a justiça com a injustiça? E que comunhão tem a luz com as trevas? E que concórdia há entre Cristo e Belial? Ou que parte tem o fiel com o infiel?” (2 Co 6.14,15).

OBJETIVOS
Identificar as principais características da igreja de Tiatira.
Saber que se tratava de uma igreja rica em obras.
Conscientizar-se de que o verdadeiro amor não é cego para o pecado.

INTRODUÇÃO
Palavra Chave
Tolerância: Ato ou efeito de tolerar; indulgência; condescendência.
Para início da aula sobre a Igreja de Tiatira, temos uma comparação com a igreja de Efeso.
Vejamos:
EFESO: - Elogiada por odiar os maus; TIATIRA: - Repreendida por tolerar o mal;
EFESO: - Faltava amor; TIATIRA: - O amor sobejava;
EFESO: - Já não amava como antes; TIATIRA: Amava mais do que antes, contudo, não era capaz de repulsar o mal.
Tiatira apesar de ser amorosa, foi reprovada por não punir devidamente uma profetisa que, à semelhança da mulher de Acabe, vinha induzindo os santos ao adultério e à idolatria.

- Contextualizando com os nossos dias,
Algumas igrejas atualmente estão vivendo a mesma história de Tiatira, onde alguns membros perderam o temor não discernindo entre o santo e profano; Ministros do Evangelho vivendo como dantes, mesmo estando em pleno pecado. (Mt. 7.21)

I. A IGREJA EM TIATIRA
Resumo do contexto histórico, político e social da cidade de Tiatira. 
1. A cidade de Tiatira.
- Tiatira, (atual Akhisar (Castelo Branco), é um distrito e uma cidade da província de Manisa, situada na Região do Egeu, no oeste da Turquia. Encontra-se no lugar onde se localizava a antiga cidade de Tiatira) foi fundada por Seleuco (311-280 a.C) com o objetivo de ser um posto militar avançado,  Era a cidade natal de Lídia (At 16.14), situada na província do mesmo nome, perto da fronteira com a Mísia, no caminho que ligava Pérgamo a Sardes. Seleuco Nicanor, depois da morte de Alexandre, colonizou-a com gregos. Adquiriu grande por seus produtos manufaturados e em especial pela arte de tingir com púrpura. Na atualidade se especializa na manufatura e tinturaria de artigos de escarlata, exportando anualmente grande quantidade para Esmirna, a cidade conta com uma população de aproximadamente 84,659 pessoas, sendo a maioria maometana. No tempo do imperador Otávio Augusto foi destruída por um grande terremoto, tendo sido reconstruída com a ajuda do Império Romano, entre 27 a.C. e 14 d.C.
- Apesar de não ter a riqueza de Éfeso, sabia usufruir do progresso que os romanos haviam trazido (os romanos conquistaram todos os estados da Anatólia entre 133 - 129 a.C. criando a Provícia da Ásia Menor) à região ao transformar a Ásia Menor numa província imperial. Sua produção de tecidos, principalmente o índigo, tornou-a famosa em todo o mundo.
Tiatira fizera-se afamada também pelas guildas (associação) que agrupavam os profissionais das mais diversas áreas; era uma espécie de sindicato.

2. A igreja em Tiatira.
Pouco se sabe sobre a história da igreja de Tiatira nos tempos dos apóstolos.
- É provável que o Evangelho tenha chegado a Tiatira através de Lídia. Evangelizada por Paulo em Filipos, tendo em vista que era sua cidade natal (At 16.14). O apóstolo haveria de confirmar o trabalho ali estabelecido em sua terceira viagem missionária (At 19.10).

II. A IDENTIFICAÇÃO DO DESTINATÁRIO
Entendo que o Ponto acima deve se ler (A IDENTIFICAÇÃO AO DESTINATÁRIO)
Jesus se apresenta ao anjo da Igreja de Tiatira como: FILHO DE DEUS; ONISCIENTE e SUPREMO JUIZ

1. Filho de Deus. (revela a divindade de Cristo; a mesma natureza)
- Jesus apresentando-se como Filho de Deus, dessa vez em sua glória (Jo 17.5). João tem o privilégio de ver o Senhor Jesus, Glorificado, uma vez que já tinha ouvido o Senhor falar da glória que tinha com o Pai, agora ele vê essa glória...
.... Você deseja O vê como Ele é (1 Jo 3.2)?

- Outro fator importante é que, quando o Senhor Jesus declara que é O Filho de Deus, fala expressamente de sua Divindade e ao mesmo tempo revela a essência do Pai em si mesmo (Jo 14.9-11), considerando que; em seu ministério terreno os discípulos já reconheciam sua divindade; Para João a visão do Filho de Deus glorificado, foi o ápice da crença no MESSIAS Redentor da humanidade.

- Por outro lado, era necessário que o anjo da igreja de Tiatira, tomasse conhecimento da mensagem e a recebesse com temor e tremor, tendo a consciência que a recebera diretamente do Cabeça e Dono da Igreja (Ef 1.2).

2. Onisciente.
- Ainda falando da natureza do Senhor Jesus Cristo, falaremos agora de um dos seus atributos, ou seja, aquilo que Ele é em sim mesmo, independente de qualquer elemento que possamos imaginar.
- Se no primeiro ponto vimos que Ele é O Filho de Deus. Logo, compartilha da mesma natureza, tem a mesma essência, assim se Deus é Onisciente, o Senhor Jesus também o é.
- Jesus é onisciente. Ele tudo sabe, tudo conhece, tudo vê (Mt 6.8; Jo 2.25; 16.30). Sonda-nos as mentes e os corações (Ap 2.23).



3. Supremo Juiz. 
O poder judiciário do Filho de Deus é simbolizado pelo bronze polido de seus pés. Ele é o Juiz Supremo de todas as coisas, porque todas as coisas foram-lhe confiadas pelo Pai (Jo 5.22; Ap 2.18). Em breve, pois, Jesus haveria de submeter a severo julgamento tanto Jezabel quanto os que com ela adulteravam. Deus não mudou. Continua a julgar os lobos que, em sua Igreja, vestem-se como cordeiros, a fim de levar as ovelhas ao pecado (Mt 7.15).

III. UMA IGREJA RICA EM OBRAS
Antes de o Senhor Jesus censurar o anjo da igreja em Tiatira, passa a destacar-lhe as qualidades. Aliás, Tiatira, conforme já adiantamos, era tão rica em obras quanto Éfeso. Além disso, fizera-se elogiável pelo amor que consagrava a Deus. No entanto, ainda não havia alcançado o padrão de Filadélfia.


1. Amor. 

O amor de Tiatira era maior do que antes, mas ainda não era perfeito. Sua imperfeição não estava em amar os maus; residia no aquiescer ao mal (1 Co 13.6,7). O amor que tolera o erro, ainda desconhece o que é certo. Deus ama o pecador, mas odeia o pecado de Jezabel e a abominação dos que, com ela, fizeram-se repugnantes aos seus olhos.

2. Serviço. 

Obreira incansável, Tiatira vinha notabilizando-se no serviço a Cristo em favor dos santos (Ap 2.19). Evangelizava, socorria os mais necessitados e tudo fazia por expandir o Reino de Deus. Imitando a apostólica Jerusalém, erguia-se como exemplo para as demais igrejas. Todavia, seu amor carecia de perfeições (1 Co 13.1-13).

3. Fé. 

Por suas obras, Tiatira demonstra a sua fé (Tg 2.18). Uma fé, aliás, que não se limitava a um mero assentimento intelectual (Tg 2.19). Sua confiança em Deus era bem fundamentada. Tinha forças não somente para realizar o impossível, mas para mostrar uma perseverança que ousava além dos limites humanos.

4. Paciência. 

A paciência é a virtude que nos capacita a suportar o insuportável (Rm 5.4). Sabemos que, juntamente com a luta, o Senhor vem com o escape sempre oportuno (1 Co 10.13). É por isso que o anjo de Tiatira mantinha-se perseverante e calmo.

5. Abundância em obras. 

O anjo da igreja em Tiatira jamais se mostrou remisso. Trabalhando e esforçando-se cada vez mais, foi elogiado por Cristo por serem as suas últimas obras mais abundantes do que as primeiras (Ap 2.19). Se as primeiras eram boas, as últimas tinham a marca da excelência.
 
IV. JEZABEL, E AS PROFUNDEZAS DE SATANÁS

Não obstante suas inigualáveis virtudes, o anjo da igreja em Tiatira foi reprovado por Cristo por estar tolerando uma mulher que, dizendo-se profetisa, encontrava-se a desencaminhar os fiéis à idolatria e à prostituição.


1. A Jezabel de Tiatira. 

Idólatra e adúltera. Assim era a mulher de Acabe conhecida entre as tribos hebreias. Por causa de sua reputação, ela serviu para nomear a profetisa que, em Tiatira, induzia os homens ao adultério e à apostasia. Curiosamente, Jezabel, em hebraico, significa casta, mas em nada diferia ela de uma rameira (2 Rs 9.22).

2. O ministério de Jezabel. 

Jezabel apareceu em Tiatira com uma nova doutrina que, em essência, era a velha mentira do Diabo (Gn 3.1-5). Apresentou um ensino novo, uma unção nova e, quem sabe, até um método novo de crescimento da igreja. Nos bastidores, era tudo isso conhecido como as profundezas de Satanás (Ap 2.24). O que parecia uma nova revelação era, na verdade, o engano antigo e caduco que levou nossos pais à ruína (2 Co 11.3).
Além de profetizar, Jezabel ascendera à categoria de mestra na igreja (Ap 2.20). Profetizando e ensinando, seduzia a todos com a sua doutrina. Como lhe fora possível tamanha ascensão sobre o ministério? Não havendo ninguém que lhe barrasse os passos, ela transtornou todo o redil e comprometeu a ortodoxia e a pureza da igreja.


3. A obra de Jezabel. 

Através de seus ensinos e profecias, a perversa Jezabel induz alguns homens à idolatria e ao adultério (Ap 2.20). Muita vigilância. Não são poucos os que, sob o manto de uma espiritualidade afetada e caricata, desviam os fiéis a práticas vergonhosas e abomináveis.
Cuidado com o rebanho que o Senhor lhe confiou (At 20.28,29). Zele pela sã doutrina e pelos bons costumes. Jamais permita que o lobo lhe devore as ovelhas, utilizando-se de seu púlpito (1 Tm 1.3; 4.16).

CONCLUSÃO
Em sua misericórdia, Deus concedeu um tempo de arrependimento a Jezabel e aos que com ela pecaram (Ap 2.21). Buscaram eles o favor do Senhor? Não temos o desfecho dessa história. Apesar de estarmos em plena era da graça, o Deus do Antigo Testamento não mudou. Se Ele puniu a Acã, não deixou impunes Ananias e Safira.
Busquemos, pois, no Deus de amor, a perfeição de nosso amor. Não basta amar mais do que antes, é urgente amar como nunca: perfeita e integramente. O perfeito e íntegro amor, embora suporte os maus, não pode tolerar o mal; apesar de amar o pecador, não pode indultar o pecado.

quinta-feira, 3 de maio de 2012

Pérgamo, a igreja casada com o mundo

Base Bíblica
Apocalipse 2.12-17.
12 - E ao anjo da igreja que está em Pérgamo escreve: Isto diz aquele que tem a espada aguda de dois fios:
13 - Eu sei as tuas obras, e onde habitas, que é onde está o trono de Satanás; e reténs o meu nome e não negaste a minha fé, ainda nos dias de Antipas, minha fiel testemunha, o qual foi morto entre vós, onde Satanás habita.
14 - Mas umas poucas coisas tenho contra ti, porque tens lá os que seguem a doutrina de Balaão, o qual ensinava Balaque a lançar tropeços diante dos filhos de Israel para que comessem dos sacrifícios da idolatria e se prostituíssem.
15 - Assim, tens também os que seguem a doutrina dos nicolaítas, o que eu aborreço.
16 - Arrepende-te, pois; quando não, em breve virei a ti e contra eles batalharei com a espada da minha boca.
17 - Quem tem ouvidos ouça o que o Espírito diz às igrejas: Ao que vencer darei eu a comer do maná escondido e dar-lhe-ei uma pedra branca, e na pedra um novo nome escrito, o qual ninguém conhece senão aquele que o recebe.


OBJETIVOS
Conhecer o contexto geográfico e histórico da cidade de Pérgamo.
Elencar as principais características da igreja de Pérgamo.
Explicar quais eram as heresias encontradas em Pérgamo.
QUEM FOI BALAÃO
   •    Falso profeta gentio, filho de Beor, que vendeu seus serviços a um rei pagão, e que o aconselhou a seduzir Israel a comprometer sua fé por meio da idolatria e imoralidade (Nm 22-24).

A DOUTRINA DE BALAÃO
   •    A doutrina de Balaão refere-se, a mestres e pregadores corruptos que, em Pérgamo, que levavam suas congregações à transigência fatal com a imoralidade, o mundanismo e as falsas ideologias.

INTRODUÇÃO
Palavra Chave
Heresia: Rejeição voluntária aos ensinos da Palavra de Deus.

Primeiro, vieram os discípulos de Balaão que, sob o manto de uma espiritualidade afetada e exótica, logo acharam guarida na igreja em Pérgamo. Depois, chegaram os nicolaítas que, embora atrevidos e afoitos, também não encontraram dificuldades para se acomodar entre as pobres e desprotegidas ovelhas. Quando o ministério local deu por si, já não havia mais nada a fazer: o terreno já estava tomado pelo inimigo. E o pastor da igreja? Ele sabia que a situação era grave, mas não ignorava o que acontecera ao seu antecessor. Ao reagir, o destemido Antipas foi assassinado pelo grupo que sustentava o trono de Satanás naquela igreja.
As coisas, porém, não haveriam de continuar daquele jeito. Já enojado, Jesus, através de João, envia uma carta ao anjo de Pérgamo, urgindo-o a retomar o cajado e apascentar o rebanho de conformidade com a sã doutrina. Caso contrário, o próprio Senhor batalharia contra aqueles iníquos com a espada que sai de sua boca.
Como estão nossas igrejas? Será que, de alguma forma, não permitimos que o Diabo se entronizasse entre nós e não o percebemos? É hora de reagir contra o império das trevas.

I. PÉRGAMO, O TRONO DE SATANÁS
1. Pérgamo, a cidade dos livros e da ignorância espiritual. Situada às margens do Caíco e distante trinta quilômetros do Mar Egeu, Pérgamo era a mais importante metrópole da Mísia. Cidade antiga e rica, fizera-se afamada por sua biblioteca, cujo acervo chegou a ser estimado em duzentos mil volumes. De tal forma ela se achava ligada aos livros, que o seu nome tornou-se sinônimo destes: pergaminho. Seus operários sabiam como industriar a pele animal como suporte à escrita.
Como uma cidade tão rica em livros podia ser tão pobre quanto ao conhecimento do verdadeiro Deus? Faltava-lhe a sabedoria do Livro dos livros (Pv 1.7).

2. A Igreja em Pérgamo. Pérgamo, em grego, significa casado. É bem provável que a Igreja de Cristo haja sido implantada em Pérgamo quando da estadia de Paulo em Éfeso (At 20.31). Apesar de a cidade ser a guardiã do trono do próprio demônio, o Reino de Deus prevaleceu em seus termos. Se o trono era do Diabo, o cetro estava nas mãos de Cristo (Is 9.6).

II. A ESPADA DE DOIS GUMES
1. A espada afiada de dois gumes. A uma igreja casada com o mundo e que já se havia acomodado a duas ardilosas heresias, apresenta-se Jesus como “aquele que tem a espada aguda de dois fios” (Ap 2.12). Sim, contra as apostasias, só existe uma arma realmente poderosa: a Bíblia Sagrada — a espada do Espírito Santo (Ef 6.17; Hb 4.12).

2. Manejando bem a espada do Espírito. Se temos semelhante arma, combatamos as mentiras que nos chegam aos arraiais como verdades. Cortemos pela raiz as heresias, misticismos e modismos que teimam brotar em nossos campos. Nessa luta, porém, saibamos como manejar a Palavra de Deus: “Procura apresentar-te a Deus aprovado, como obreiro que não tem de que se envergonhar, que maneja bem a palavra da verdade” (2 Tm 2.15).
Guerreemos contra as inverdades doutrinárias que o Diabo, velada e abertamente, vem semeando na seara do Mestre (2 Pe 2.1).

III. O DESTINATÁRIO
1. Um anjo numa cidade infernal. Não era nada fácil ao anjo de Pérgamo habitar nessa cidade. Se por um lado, era coagido pelos pagãos a incensar o altar no qual César era divinizado; por outro, era constrangido a conviver com o paganismo que, a princípio sutil, ameaçava agora o remanescente fiel da igreja. Mas o Senhor Jesus estava de tudo ciente: “Eu sei as tuas obras, e onde habitas, que é onde está o trono de Satanás” (Ap 2.13). Denota-se, pois, que os crentes infiéis e casados com o mundo, haviam entronizado Satanás na casa de Deus.
Pérgamo era uma cidade infernal, mas o Senhor queria o seu anjo ali, para que ali fosse manifestado o Reino dos Céus.
O paganismo não ficou restrito a Pérgamo. Nestes últimos dias, o Diabo vem repaganizando o mundo através dos meios de comunicação. Há um panteão em cada praça.

2. O testemunho e a perseverança de um anjo. Embora habitasse num lugar espiritual e moralmente hostil, o anjo da igreja em Pérgamo porfiava em manter o seu testemunho, como realça o próprio Senhor. “[...] reténs o meu nome e não negaste a minha fé” (Ap 2.13). Ele mantinha uma postura impecável como servo de Deus. Se parte de sua igreja achava-se casada com o mundo, ele e o remanescente fiel encontravam-se aliançados com o Cordeiro de Deus.
3. Antipas, a fiel testemunha. Mui provavelmente, Antipas havia precedido o destinatário da carta no pastorado de Pérgamo. E pelo que depreendemos das palavras do Senhor, o fiel Antipas, cujo nome em grego significa “contra todos”, levantara-se para combater os apóstatas que haviam entronizado o Diabo naquela igreja. Por isso, ajuntaram-se todos para tirar-lhe a vida, conforme denuncia Jesus: “o qual foi morto entre vós, onde Satanás habita” (Ap 2.13).
Sim, Antipas não foi morto pelas autoridades romanas. Ele foi morto pelos que se diziam irmãos. Por conseguinte, caberia ao atual anjo de Pérgamo continuar a luta de Antipas. Levantar-se-ia ele contra os que detinham a doutrina de Balaão e sustentavam o ensino dos nicolaítas.

IV. AS HERESIAS DE PÉRGAMO
1. Doutrina de Balaão. Ensino pseudobíblico que, torcendo as Sagradas Escrituras através de artifícios teológicos e hermenêuticos, corrompia a graça de Deus, apresentando aos santos uma teologia permissiva e eticamente tolerante (Jd 4). O objetivo dessa doutrina era levar o povo de Deus à prostituição e à idolatria, a fim de, enfraquecendo-os moral e espiritualmente, extorquir-lhes os bens materiais. Era a teologia dos ladrões.
O patrono desta doutrina era Balaão, filho de Beor que, embora profeta e teólogo, utilizou-se da profecia e da teologia para levar a maldição ao arraial hebreu (Nm 25). Subornado por Balaque, rei de Moabe, ensinou-lhe como levar a maldição às tendas hebreias. Por isso, o apóstolo Pedro taxa-o de louco (2 Pe 2.15,16). E Judas acusa-o de venalidade (Jd 11).
Balaão tinha os seus discípulos em Pérgamo. Estimulados pela ganância, utilizavam-se de sua influência teológica sobre a igreja, a fim de levá-la a noivar-se com o mundo.

2. A doutrina dos nicolaítas. Não sabemos muita coisa acerca dos nicolaítas. O que sabemos é que a sua doutrina não destoava quase nada do ensino de Balaão. Pelo menos quanto ao conteúdo.
Se Balaão era dissimulado, sutil e teológico, os nicolaítas, fazendo abertamente comércio dos santos, publicamente apregoavam a repaganização da igreja, afirmando ser possível servir a Deus e aos ídolos. Utilizando-se de um linguajar bem elaborado, levaram muitos fiéis a se desviarem pelos caminhos da fornicação, do adultério e da idolatria.

CONCLUSÃO
Escrevendo aos filipenses, o apóstolo Paulo afirmou: “Mas a nossa cidade está nos céus, donde também esperamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo” (Fp 3.20). Embora o cristão não tenha como evitar o lado “temporal” da vida, seu olhar deve fixar-se em sua redenção eterna. Jesus sabia da sedução que os bens terrenos podem exercer sobre nós e por isso advertiu: “Porque onde estiver o vosso tesouro, aí estará também o vosso coração” (Mt 6.21). Por esse motivo, coloquemos o Senhor Jesus sempre em primeiro lugar.

AUXÍLIO BIBLIOGRÁFICO
Subsídio Teológico
 “Pérgamo é chamada ao arrependimento
Apesar de a igreja em Pérgamo, como um todo, ser fiel a Cristo e às verdades do Evangelho, alguns dentre eles faziam-se passíveis da repreensão do Senhor. Os tais estavam comprometendo sua fé com os baixos padrões morais e costumes pagãos daqueles dias. Tinham um comportamento idêntico aos dos israelitas nos dias de Moisés. Seguindo os conselhos de Balaão, um vidente e falso profeta, Balaque, rei de Moabe, usou belas jovens de seu reino para seduzir os israelitas, e induzi-los a participarem de suas festas idólatras, nas quais a imoralidade era praticada em nome da religião (ver Número 25.1-5; 31.15,16). Jesus chama a isto de prostituição (Ap 2.14). Deus não aceita ritos e cerimônias como desculpa para se quebrar os seus mandamentos (Ver 2 Pedro 2.15,16, onde por dinheiro, Balaão tenta manipular Deus para que amaldiçoasse a Israel).
Alguns estudiosos veem no nome hebreu de Balaão (Ap 2.14) um equivalente no grego Nikolaos, identificando os balaamitas como os nicolaítas do versículo 15. Entretanto, pelo contexto parecem ser dois grupos diferentes. Pode ser que os nicolaítas encorajassem o mesmo tipo de desregramento desenfreado que os balaamitas, mas sem envolver idolatria. É claro que ambos os grupos possuíam perspectivas erradas acerca do amor e da liberdade do cristão”

Bibliografia.
(HORTON, S. M. Apocalipse: As coisas que brevemente devem acontecer. 2.ed., RJ: CPAD, 2001. pp.35,36).
LAWSON, S. J. As Sete Igrejas do Apocalipse: O alerta final de Cristo para o seu povo. 5.ed., RJ: CPAD, 2004.