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terça-feira, 13 de julho de 2010

A NATUREZA DA ATIVIDADE PROFÉTICA

Lição 2 - 11 de julho de 2010
OBJETIVOS:
Explicar as formas de comunicação divina aos profetas, e pelos profetas ao povo.
Descrever a interpretação naturalista acerca dos profetas do Antigo Testamento.
Refutar a falácia dos naturalistas com argumentos bíblicos.


TEXTO ÁUREO
"Havendo Deus, antigamente, falado, muitas vezes e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas, a nós falou-nos, nestes últimos dias, pelo Filho" (Hb 1.1).

VERDADE PRÁTICA
A autêntica comunicação profética, nos tempos bíblicos, era feita por meio de palavras e de figuras, a fim de que o povo compreendesse claramente a mensagem divina.

EXPLORANDO A REVISTA

INTRODUÇÃO

“Sabemos que Deus falou muitas vezes e de muitas maneiras através dos seus mensageiros” (Hb 1.1).

Estudaremos como os profetas recebiam a revelação divina e como essa mensagem era transmitida ao povo.

Estudaremos a natureza da atividade profética, ou seja, o modus operandi da comunicação entre Deus -> Profeta -> Povo.

Modus operandi é uma expressão latina que significa "modo de operação", utilizada para designar uma maneira de agir, operar ou executar uma atividade seguindo sempre os mesmos procedimentos.

MEIO DE COMUNICAÇÃO PROFÉTICA

1. PROCLAMAÇÃO DIRETA
- Linguagem direta e simples – Jo 3.4 (Jesus e Nicodemos);
- Boca a boca (audível) – Nm 12.8 – Privilégio de Moisés
- Visão e sonho – Nm 12.6; Jr 1.11;

2. LINGUAGEM FIGURADA
- Metáfora e a Símile – Comparações direta entre elementos - (Mt 23.37)
Símile se usa “como”, iguala os elementos – (Jr 18.6) casa do oleiro
Metáfora compara sem uso do “como” – (Sl 3.3; Mt 5.13...).
Parábolas (profética) – 2 Sm 12.1-2.

Quais propósitos da linguagem figurada?
a) Transmissão mais efetiva e expressiva de um fato ou verdade – Is 66.12,13;
b) Revelar um acontecimento futuro a algumas pessoas e omitir de outras – Lc 8.10;

3. APRESENTAÇÃO DRAMÁTICA
- O profeta dramatiza a mensagem
Ex: Jeremias fazia jugos e pendurava-os no pescoço – Jr 27.2;
Ezequiel grava desenhos em tijolos – Ez 4.1ss; raspou o cabelo e a barba – Ez 5.1-12;
Oséias casa-se com uma prostituta – Os 4.2.

I. AS FORMAS DE COMUNICAÇÃO DE DEUS AOS PROFETAS
Algumas formas de comunicação direta de Deus aos profetas.

1. "[...] Veio a mim a palavra do SENHOR" (v.4).

A expressão "veio a mim a palavra do Senhor" serve para introduzir um diálogo ou uma visão entre Deus e o profeta (vv.4,11,13).

Serve ainda para demonstrar a autenticidade da mensagem.

A FORMA DE RECEPÇÃO DA MENSAGEM

Íntima (pessoal) e repentina (imprevisível) podendo ser audível ou não, porém, só o profeta ouvia – 1 Sm 16.6,7; Is 7.3,4.

2. Revelação divina em forma de diálogo (vv.6,9,10).
Comunicação típica de chamadas ao ministério profético, vejamos:
Ex:
Jeremias – Jr 1.6-10;
Isaias – Is 6;
Ezequiel – Ez 1; 2.1-2;

3. Visão ou sonho.
Visão. Algo visto fora da contemplação ou percepção humana comum e natural.
Sonho. Não é necessariamente uma revelação de Deus, é apenas uma série de imagens acompanhadas de pensamentos e emoções que a pessoa vê enquanto dorme.
Sonho profético. Era outra maneira de Deus se revelar aos seus profetas (Nm 12.6), como fez com Daniel (Dn 7.1).

Visões

a) A visão da vara de amendoeira (vv.11,12).
A amendoeira é uma árvore que se renova mais cedo para a primavera, ou seja, é a primeira a florir.

A palavra hebraica correspondente para "amendoeira" é shaqed, e significa "o despertador", uma vez que o povo a via como o "arauto da primavera".

Representa o lembrete de que Deus está atento ao cumprimento de sua palavra (cf. Jr 31.28; 44.27).

b) A visão da panela fervendo (vv.13-15)
A segunda visão dada pelo Senhor a Jeremias veio algum tempo depois e mostra uma panela fervendo, virada do norte para a região da Palestina.

O "conteúdo" desse caldeirão (algo sinistro e assustador, pois anunciava o trágico destino da nação judaica devido aos seus pecados) seria derramado sobre Judá e Jerusalém.

Refere-se especificamente ao reino da Babilônia que dominaria outros povos e que havia de dominar também a Israel.

II. AS FORMAS DE TRANSMISSÃO DA MENSAGEM DOS PROFETAS AO POVO

1. Declaração oral e direta.
Quando o porta–voz divino leva diretamente a alguém a mensagem.
É algo muito comum nos profetas pré-clássicos.

Profetas pré-clássicos (profetas não escritores), profetas da fala.
Samuel (1 Sm 15.16,17);
Natã (2 Sm 7.8-17; 12.7-10);
Gade (1 Sm 22.5);
Hanani (2 Cr 16.7) e
Elias (1 Rs 21.19-27).

Os profetas clássicos (literários) – Profetas escritores.
Atuam na história de Israel no decorrer de três séculos, entre 750 e 450.
1) Os profetas do 8º século (760 . 700 a.C.): Amós; Oséias; Isaías; Miquéias;
Jonas.
2) Os profetas dos 7º e 6º séculos (640 . 587 a.C.): Sofonias; Naum; Jeremias;
Habacuque; Ezequiel.
3) Os profetas do 6º e 5º séculos (539 . 443 a.C.): Ageu; Zacarias; Obadias;
Daniel; Joel; Malaquias.
Essa forma de comunicação ocorre também nos clássicos, mas a sua quantidade de ocorrências é menor (Jr 38.17).

Conteúdo das mensagens:
repreensão, advertência, conforto ou ensino.

2. Figuras e símbolos proféticos.
Outras formas de transmitir as mensagens proféticas são as figuras e símbolos.

São ilustrações pictóricas utilizadas pelo profeta, com o objetivo de chamar a atenção do seu interlocutor para a mensagem.

Ex: O profeta Aías, que rasgou um manto em doze pedaços e ofereceu dez deles a Jeroboão I, comunicando-lhe acerca da divisão do reino de Salomão (1 Rs 11.29-32).

O profeta Jeremias, orientado por Deus, enterrou próximo ao rio Eufrates um cinto de linho (13.1-11); sua ida à casa do oleiro (18.2-6) e o uso da canga de madeira sobre o seu pescoço (27.2; 28.12), são exemplos dessa forma de comunicar a mensagem profética.

3. Casos reais que servem de representação para comunicar a mensagem.

Com certeza a mais dolorosa de todas:

Aqui o profeta é o seu próprio púlpito.

Uma forma rara de comunicação da mensagem divina é a que envolve casos reais, utilizados para exemplificar a situação entre Deus e o povo.

Chamada em hermenêutica de "oráculo por ação",
Ex:
Oséias – casa-se com uma prostituta - (Os 1.2,3).
Jeremias – que é proibido de casar- (Jr 16.1-3).

III. A QUESTÃO EXTÁTICA DO PROFETA
Teologia X Naturalismo
Naturalistas: Essa teoria afirma que todos os fenômenos podem ser explicados mecanicamente em termos de causas e leis naturais. Opõe-se ao sobrenatural.

1. Interpretação naturalista.
Os intérpretes naturalistas consideram o estado de êxtase como um dos aspectos mais característicos da atividade dos profetas hebreus, mas negam a origem divina de seus oráculos.

Afirmam que o fenômeno do êxtase era apenas um estado emocional da pessoa.

Tentam igualar os profetas de Deus aos adivinhos, falsos profetas hebreus e aos profetas dos deuses das nações vizinhas de Israel.

“Quem recebe espíritos perde o sentido, diferente dos profetas que sempre profetizavam em sã consciêcia”.

2. Falácia dos naturalistas.
A interpretação naturalista é antibíblica, porque as Escrituras Sagradas declaram que a fonte dos oráculos proféticos é o próprio Deus (Os 12.10; 2 Pe 1.21).

Há na Bíblia inúmeras evidências irrefutáveis e indestrutíveis que provam serem os profetas de Israel embaixadores de Deus enviados ao povo (Ag 1.13).

A interpretação naturalista é inconcebível, pois as profecias que vêem de Deus se cumpriram e continuam se cumprindo.

3. A base dos naturalistas e uma refutação.
Alguns relatos bíblicos parecem mostrar alguém profetizando em estado de êxtase como Balaão: "[...] caindo em êxtase e de olhos abertos" (Nm 24.4,16).

Refutação:
Entretanto, antes de mencionar um desses casos e sua respectiva ressalva, é importante destacar que o termo "êxtase" sequer aparece no Antigo Testamento com esse sentido.

A ARC emprega o termo, em itálico, para descrever o estado emocional de Balaão enquanto alçava a sua parábola (Nm 24.4,16).

O emprego de palavras em itálico no texto bíblico traduzido indica que não constam explicitamente do texto nas línguas originais.

Além do mais, Balaão pode ter sido inicialmente um profeta, mas depois se desviou.

Em nenhum lugar do Antigo Testamento, ele é chamado de profeta, antes é reconhecido como "adivinho" (Js 13.22). Deus o usou assim como usou a sua jumenta; bem como usou a Caifás (Jo 11.49-52). Quanto ao caso que alguns afirmam ter paralelo com o "êxtase" de Balaão, trata-se de Saul: "[...] e ele também profetizou diante de Samuel, e esteve nu por terra todo aquele dia e toda aquela noite" (1 Sm 19.24). Contudo, é bom lembrar que Saul, à época dessa experiência, estava distanciado de Deus (1 Sm 16.14).

CONCLUSÃO

Aprendemos sobre a natureza da atividade profética, e o que nos chama à atenção é que o mesmo Deus que se manifestava em glória aos profetas é o mesmo. Ele é imutável, portanto tomemos posse da profecia feita através do profeta Joel, "E há-de ser que, depois, derramarei o meu Espírito sobre toda a carne, e vossos filhos e vossas filhas profetizarão, os vossos velhos terão sonhos, os vossos mancebos terão visões".


Fonte:
ALMEIDA, João Ferreira. Bíblia Sagrada: Shedd. Revista e Atualizada. São Paulo, SP: Vida Nova, 2ª Ed. 1997.

sábado, 3 de julho de 2010

O MINISTÉRIO PROFÉTICO NO ANTIGO TESTAMENTO

Lição 1 - 04 de julho de 2010

OBJETIVOS

Identificar a origem do ministério profético.

Explicar o significado do termo profeta dentro do contexto das Escrituras Sagradas.

Reconhecer que Moisés e Arão deram início ao ministério dos profetas em Israel.


INTRODUÇÃO

Definição: Profeta. [Do heb. Nabi; do gr. prophetes]. “No Antigo Testamento, era a pessoa devidamente vocacionada e autorizada por Deus para falar por Deus e em lugar de Deus”.

O profeta era a voz de Deus entre os homens.

Os profetas do Antigo Testamento inspiram e instruem não somente a Israel, mas a Igreja de Cristo. O Senhor Jesus Cristo e os seus apóstolos fizeram-lhes referências, reconhecendo a autoridade espiritual deles.

A presente lição objetiva explanar a missão desses homens de Deus e a abrangência bíblica do termo "profeta".


I. O INÍCIO DO MINISTÉRIO DOS PROFETAS

1. Contexto histórico (v.24). Trabalho excessivo de Moisés:

Moises fora chamado por Deus para levar o povo de Israel à Terra prometida – (Ex 3.8), durante a caminhada pelo deserto surgiram vários problemas, contudo, sempre tiveram vitória.

Em Nm 11. 1-15, destacamos:

Por parte do povo 11.1-10:

1. A falta de confiança em Deus; 2. Falta de visão; 3. Ingratidão; 4.Insatisfação.

Por parte de Moisés 11.11-15:

1. Dúvida da chamada; 2. Frustração; 3. Conflito pessoal; 3. Desespero (pede a morte).


Deus atende a oração de Moisés aliviando sua carga – Ver 11.17.


2. Moisés iniciou o ofício profético em Israel (vv.25,26).

A figura do profeta está presente desde os patriarcas.

A palavra “profeta” aparece pela 1ª vez em Gn 20.7, significando “porta-voz de Deus”, Abraão recebia a revelação direta da parte de Deus.

A 2ª vez é em Ex 7.1. Arão “profeta” de Moisés; “porta-voz” de Moisés à Faraó.


Moisés e Arão iniciam o ofício profético. (ambos eram porta-vozes de Deus,

Ex 3; 4.10-16, 29-31).

O verbo profetizar aparece a 1ª vez em Nm 11.25,26. A partir dai iniciou a descentralização do ministério profético, pois eram centralizados em Arão e Moisés.

Dos setenta apenas dois continuaram a profetizar, quais sejam:

Eldade, Hb. Deus ama.

Medade, Hb. Amor

Mas, os demais permaneceram cheios do Espírito de Deus e com autoridade espiritual para administrar o povo (11.17):


3. Tomara que todo o povo do SENHOR fosse profeta (v.29).

Moisés demonstra um desejo que posteriormente foi o mesmo de Paulo (1 Co 14.5).


Quais requisitos no AT, para ser chamada ao ministério profético? Ou não necessitava de requisitos?

Com base no chamado dos "setenta" , Ter comunhão com Deus e ser-Lhe obediente. (Ex 24.1).


Na Bíblia vemos profetas das mais variadas classes social.

Débora e Hulda (Jz 4.4; 2 Rs 22.14);

Amós (Am 7.14).

“Quanto menos àquele que não faz acepção das pessoas de príncipes, nem estima o rico mais do que o pobre; porque todos são obra das suas mãos.” Jo 34.19.


II. O PROFETA

1. Seu significado.

Profeta. Hb. nābî'. Sua etimologia é incerta, mas o significado é possível pelo seu uso nas Escrituras (Dt 18.18,19).

É traduzido como "porta-voz", um "embaixador", representante de Deus,

(Êx 4.14-16;), é "falar em nome Deus" em lugar de Deus, é a voz de Deus na Terra.


2. Sua abrangência. (do significado)

Tanto o substantivo "profeta" como o verbo "profetizar" têm amplo significado no Antigo Testamento e em nossos dias.


O termo "falso profeta" só aparece na Septuaginta (LXX), e no Novo Testamento, não existe nas Escrituras hebraicas.


Sendo as expressões nābî' e nãbã aplica-se também a adivinhos, falsos profetas e profetas das divindades pagãs das nações vizinhas de Israel, sendo identificados como tais pelo contexto (Dt 13.1-15Js 13.22; 1 Rs 22.12; Jr 23.13).


3. Expressões correlatas.

Tres palavras são usadas para se referir a “profeta” encontradas em 1 Cr 29.29.

Profeta, hb.nābî';

Vidente, hb. rō'eh; (1 Sm 9.9)

Vidente, hb. Hōzer.

A expressão “vidente” era para enfatizar o meio pelo qual o profeta se comunicava com Deus, apresentam dois sentidos: ver com os olhos físicos e ver introspectivamente, ou seja, ver com o espírito, por isso, o profeta é chamado de "homem de espírito" (Os 9.7).


III. O MINISTÉRIO

1. Havia o ministério dos profetas?

Alguns negam a existência da escola e do ministério dos profetas como instituição em Israel nos tempos do Antigo Testamento.

A atividade profética em Israel iniciou no ministério mosaico (Nm 11.25).

Mas, o profetismo, como movimento, surgiu séculos depois.


Evidencias que sugerem tal movimento:

Samuel presidia a congregação de profetas em Naiote, região de Ramá, onde residia (1 Sm 7.17; 19.19-23 – ler ).

Havia uma escola dos profetas composta por "filhos" dos que exerciam o ofício (2 Rs 2.3,5,15).

"filho", no sentido de "discípulo, aprendiz" (Pv 3.1,21; 2 Tm 2.1; Fm v.10).

Havia uma organização de profetas bem estruturada, onde Eliseu foi mestre deles (2 Rs 6.1-3).

Os profetas tinham servos para escreverem suas revelações (2 Rs 6.1-3; 1 Cr 29.29).


2. A corporação profética.

O termo original para "ministério, serviço" não é o mesmo referente à atividade dos profetas.

A expressão "ministério do profeta" ou "dos profetas", na ARC, como aparece nas leituras diárias desta lição, significa na verdade "por meio dos profetas", como registra a ARA.

O vocábulo "ministério" indica o serviço religioso específico e especial, desempenhado pelos levitas (1 Cr 6.32), pelos sacerdotes (1 Cr 24.3) e pelos apóstolos (At 1.25).

Isso, porém, não é em si mesmo prova da inexistência de uma corporação profética em Israel (1 Sm 10.5).


3. Classificação.

Os profetas do Antigo Testamento são categorizados em clássicos, ou profetas escritores, e os conhecidos também como profetas não-escritores ou orais.

Profetas da fala, não escreveram: Samuel, Elias e Eliseu.

Os profetas literários, os quais escreveram suas profecias: Isaías, Jeremias, Ezequiel, dentre outros.

Ambos os grupos desempenharam o mesmo ofício, mas em épocas diferentes.


REFLEXÃO:

“Os profetas bíblicos eram tanto pregadores da verdade como prognosticadores do futuro. A profecia tem suas raízes na história, mas também se estende pelo futuro. Em outras palavras, a natureza da profecia preditiva surge a partir do contexto histórico do profeta, quando a revelação de Deus lhe mostra o futuro bem como o presente” Ed Hindson.


CONCLUSÂO

Deus suscitou os profetas para revelar-se ao homem, a fim de que este conhecesse a vontade divina e o plano de salvação na pessoa sublime de Jesus Cristo, nosso Salvador. Por essa razão, devemos considerar "a palavra dos profetas, à qual bem fazeis em estar atentos, como a uma luz que alumia em lugar escuro, até que o dia esclareça, e a estrela da alva apareça em vosso coração" (2 Pe 1.19).


Fontes:

Bíblia Sagrada - Shedd;

Dicionário - Vine;

Pequena Enciclopédia Bíblica. Orlando Boyer.