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terça-feira, 1 de junho de 2010

O VALOR DA TEMPERANÇA

Subisídio para – Lição 10
O VALOR DA TEMPERANÇA
Objetivos:
Explicar a origem dos recabitas.
Compreender honravam a tradição de seus antepassados.
Conscientizar-se de que a igreja de Cristo deve ter um forte compromisso com a temperança e com a excelência moral tanto de seus membros quanto dos que a cercam.
Temperança, 1. gr. enkrateia, derivado de kratos, “força”, ocorre em At 24.25; Gn 5.22; 2 Pe 1.6, em todos esses textos sendo traduzido por “temperança”; “autocontrole” é tradução preferível, visto que a “temperança” está limitada a uma forma de autocontrole; as varias capacidade concedidas por Deus ao homem são passiveis de abuso; o uso correto delas exige o poder controlador da vontade sob a operação do Espírito de Deus; em At 24.25, a palavra vem depois de “justiça”, o que representa as reivindicações de Deus, sendo o autocontrole/temperança/domínio próprio, a resposta do homem a ela; em 2Pe 1.6, a palavra vem depois de “ciência” (ou conhecimento), sugerindo que o que se aprende deve ser colocado em prática. 2. Qualidade do que é moderado ou do que modera paixões ou apetites. 3. Sobriedade, parcimônia, moderação. 4. É uma parte do fruto do Espírito (Gl 5.23).

Jonadabe. Filho de Recabe e fundador de uma tribo que fez um voto de não tocar no vinho (Jr 35:6-19). Existiam várias colônias de recabitas (Jz 1:16; Jz 4:11; 1Cr 2:55). A sua entrevista e aliança com Jeú são mencionadas em 2Rs 10:15-23. Foi com Jeú para Samaria.
Recabe. Pai de Jonadabe, que era o pai dos recabitas (2Rs 10:15, 23; Jr 35:6-19).
Câmara. Arranjadas em torno dos átrios do templo, como despensas; parcialmente como residência para sacerdote (1Cr 9.27; Ex 40.17; Ne 10.37-39).
Homem de Deus, refere-se a Hanã como "profeta" (1 Rs 12.22).
Maaséias. Provavelmente pai de Sofonias (21.1; 29.25; 37.3) o qual é mencionado como o segundo sacerdote, em 52.24.
Guarda do vetíbulo. Havia três oficiais, um para cada portão do templo. Só eram menos importantes que o sumo sacerdote e seu representante (52.24). Estavam encarregados de cuidar do dinheiro destinado à restauração do templo (2 Rs 12.9).

INTRODUÇÃO
Nesta lição aprenderemos tudo que a Bíblia relata sobre os recabitas, este clã que foi um exemplo de obediência de tal forma que recebeu um espaço no texto Sagrado. Deste clã aplicaremos em nossos dias o significado prático da temperança que é uma das propriedades do fruto do Espírito, e que deve está renovado no cotidiano de cada cristão. Nesta lição refletiremos sobre os nossos valores e se estamos obedecendo a sã doutrina.

I. RIGEM DOS RECABITAS
Os chefes infiéis em contraste com os recabitas Jr 34.1-22.
O fato de Zedequias, rei dos judeus fazer aliança com todo povo de Jerusalém na casa do Senhor (34.15), apregoando-lhes a liberdade aos servos hebreus (34.8,9) conforme Deus já havia estabelecido em aliança com os seus antepassados (Ex 21.2; Jr 34.13,14). Porem, Zedequias e os senhores que haviam firmado aliança, arrependeram-se (34.11), fazendo voltar à servidão os servos libertados, profanando assim o nome de Deus (34.16). Por este motivo foi desencadeado dois eventos de suma importância para a época e até os dias de hoje, 1. a destruição de Jerusalém, no aspecto histórico de natureza punitiva e 2. a visita dos recabitas à casa de Deus, no aspecto moral de natureza didática, Vejamos:

1. A destruição de Jerusalém. Jeremias anuncia que o temível juízo de Deus sobre Zedequias e todos os homens que quebraram os termos do pacto se produzirá inevitavelmente (34.17-22). Os babilônicos retornarão para queimarem a cidade de Jerusalém. Nos capítulos 35-36 estão registrados os incidentes históricos nos tempos de Jeoiaquim, o então rei de Judá, indicando claramente que tal atitude religiosa indiferente tem prevalecido demasiado tempo em Judá.
2. Visita dos recabitas à casa do Senhor. A visita dos recabitas, à casa do Senhor na presença dos sacerdotes, tinha o objetivo de se fazer um paralelo com o povo de Jerusalém, pois os recabitas obedeciam de maneira voluntária durante 250 anos foram fieis a uma ordenança feita por homens, e que a Lei não exigia (Dt 6.10,11). Em contra partida um povo que tinha o privilegio de serem dirigidos por Deus e receberem seus ensinamentos através dos seus profetas, não lhes dava ouvido, e não obedeciam a sua Lei. Portanto Deus iria trazer juízo sobre Jerusalém e livramento e prosperidade para os recabitas (35.19).

1. Sua origem
Pouco se sabe sobre os recabitas, são poucos comentários sobre eles, no entanto, o nosso comentarista trouxe um rico conteúdo sobre eles.

Recabitas. Os descendentes de Recabe, através de Jonadabe. Pertenciam aos queneus, que acompanharam os filhos de Israel até à Palestina, habitando entre eles. Moisés casou com uma quenita (Jz 1:16) e Jael era mulher de “Heber, o queneu” (Jz 4:17). Saul também se mostrou bondoso para com os queneus (1Sm 15:6). A maior parte dos queneus habitava em cidades e adotaram hábitos de vida estáveis (1Sm 30:29); mas Jonadabe proibiu os seus descendentes de beberem vinho e de viverem em cidades. Foi-lhes ordenado que levassem sempre uma vida nômade. Eles aceitaram a lei estabelecida por Jonadabe e notabilizaram-se, no tempo de Jeremias, pela sua fidelidade aos hábitos já há muito estabelecidos pela família (35); e este traço de caráter é mencionado pelo profeta com o propósito de reforçar a sua própria exortação. São mencionados em Ne 3:14 e 1Cr 2:55. Se estabeleceram no sul de Judá, perto do deserto de Cades (1Sm 27.10).
2. Seu relacionamento com Israel
Teve inicio do no reino do norte, quando Jeú, rei de Israel, encontrou-se com Joanadabe e levando-o para Samaria, capital de Israel (Reino do Norte).

3. O encontro dos recabitas com Jeremias
Reino do Norte, Israel, capital: Samaria
Reino do Sul, Judá, capital: Jerusalém.
Considerando que os recabitas eram oriundos do Reino do Norte, o qual havia sido tomado pelo exército assírio (2Rs 17), também invadiu Judá, tomando as cidades fortificadas deixando Jerusalém uma cidade ilhada. Porem, o exército babilônico retomou o seu poder e continuaram as deportações. Diante este contexto de grandes conflitos, podemos concluir que os recabitas fugiram para o Reino do Sul, para se livrarem das perseguições babilônicas.

II. O ESTILO DE VIDA DOS RECABITAS
O estilo de vida dos recabitas era fundamentado em princípios próprios de verdadeiros servos de Deus, esses princípios são os mesmos requeridos para os seguidores de Cristo e foram amplamente difundidos pelo Espírito Santo através dos seus apóstolos. Esses princípios são na verdade partes de um fruto, o Fruto do Espírito. Vislumbramos neste clã uma figura da igreja de Cristo, vivendo em uma época de grandes problemas em vários aspectos: morais, sociais, políticos, econômicos e espirituais. Contudo, não se associavam com eles, mantinham-se isolados, fechando as portas para a desobediência e a corrupção, assim prossegue a igreja de Cristo convivendo com uma geração perversa que ouve a Palavra de Deus mas, não lhes dá ouvido.

1. Abstinência de bebida forte
Abstinência. Privação voluntária, renúncia, privar-se de.
Bebida forte. Qualquer bebida que provoque a embriaguez, êxtase, alucinação.

A abstinência por bebida forte era comum das pessoas em estado de santidade (separar-se para Deus). Foi o que aconteceu com os sacerdotes (Lv 10.9,10), a mãe de Sansão (Jz 13.4) e com os nazireus (Nm 6.3), essas pessoas receberam esta ordem diretamente de Deus, já os recabitas receberam-na dos seus antepassados.
A bebida forte leva a embriaguez (perda parcial da razão), ou seja, quem está embriagado ver as coisas em sua volta, mas não consegue discernir o de fato está acontecendo. Foi por esse motivo que Deus proibira os sacerdotes de fazerem uso de bebida forte ao se aproximarem de Deus (Lv 10.9,10).
A bebida forte trouxe vários contratempos aos personagens bíblicos do Velho Testamento (Gn 9.21; 19.32-38), a bebida forte está associada à perversão moral, imoralidade, sensualidade e da prostituição (Os 4.11,18; Ap 17.2), as confusões (Ef 5.18) e até crimes. No Novo Testamento é expressamente condenada a embriaguez, inclusive os beberrões não herdarão o Reino dos Céus (Gl 5.21).
Logo, embriagar-se não traz alegria e muito menos paz, pois o que nos traz alegria e paz é encher-se do Espírito Santo (Ef 5.18).
Com tantas referências bíblicas concluímos que a bebida forte não pode fazer parte da mesa dos servos de Deus.
Em nossos dias as propagandas de bebidas estão associadas ao pecado, sensualidade. Sem contar o quanto são nocivas a saúde e à família.

Para refletirmos: Qual é o nome da bebida forte que tira sua razão como servo de Deus?
“E não comuniqueis com as obras infrutuosas das trevas, mas, antes, condenai-as;” Ef 5.11.
Essa foi uma decisão correta dos recabotas, manter-se longe da aparência do mal para agradar ao Senhor.

2.Peregrinações.
A peregrinação dos recabitas tem um sentido mais profundo do que as peregrinações que fazem os “religiosos”, estes fazem suas peregrinações ocasionalmente como um ritual e não como um estilo de vida, os recabitas tinham um estilo de vida nômade, para agradar a Deus.
Esta peregrinação como estilo de vida é uma figura da igreja de Cristo sobre a terra (Hb 11.13;13.14; 1 Pe 2.11).
A peregrinação física dos recabitas representa uma dependência total da providencia de Deus, uma vez que não podiam nem plantar grandes plantações (35.8-10), representa ainda desprendimento aos bens materiais, lugares e comprometimento com uma sociedade pecadora, alem de ser uma devoção a Deus como sacrifico vivo.
A igreja de Cristo é peregrina, porém no sentido mais espiritual do que físico, pois é impossível viver em nossos dias sem relacionar-se com as pessoas (1Co 5.8-11), contudo, é possível não se associar com o sistema mundano (Rm 12.2) no qual a sociedade está vivendo na atualidade, ainda o povo de Deus deve ter o seu coração no Céu e não na terra (Mt 6.19.20).

3. Honravam a tradição de seus antepassados
Outra característica dos recabitas está numa atitude maravilhosa, é a obediencia às ordenanças de Jonadabe ditadas a 250 anos atrás, esta característica nos ensina algo tremendo, é a soma da + OBEDIENCIA = FIDELIDADE. Embora fosse tradição humana, tinha o objetivo de alcançar um padrão de vida que agradasse a Deus, buscando uma adoração mais pura e sincera. Face essa obediência que inclusive é o primeiro mandamento com promessa (Ex 20.12; Ef 6.2), foi assim que os recabitas receberam de Deus uma promessa de prosperidade e longevidade (35.19).
Muito mais assim deve proceder o povo de Deus, fundamentados sobre as alianças de Deus, especialmente na Nova Alianças firmada na pessoa de Jesus Cristo (1 Co 11.25). Devemos refletir a natureza e a vontade de Cristo em toda sua doutrina, suas atitudes e suas ações (comp. 13-17 com Jo 14.15; 15.10).

III. O EXEMPLO DOS RECABITAS
O contumaz pecado de Israel teve origem na desobediência. Diante da situação moral e espiritual do povo, Deus utiliza os recabitas para mostrar aos lideres espirituais dos judeus que havia um povo que exercitavam dois princípios indispensáveis para quem quer agradar a Deus, quais sejam: 1. Ensino, e 2. Obediência. São essas virtudes que trabalharemos como exemplo dos recabitas.
1. Ensino no Lar.
O Ensino conforme a didática de Deus:
Quando Jeremias oferece um banquete de vinho aos recabitas, logo vem a resposta firme, sem titubear de um dos lideres dos recabitas, mencionando inclusive quem lhes instruiu a esse respeito, já havia se passado aproximadamente 250 anos e os ensinamentos estavam presentes em sua forma de viver.
Mas, para aquelas ordenanças permanecessem vivas era necessária uma prática diária de reflexão e ensino de tais ordenanças. Assim conseguiram manter sua identidade, enquanto que os israelitas se misturaram com outras nações caindo em apostasia.
O ensino trás o conhecimento e o conhecimento mudança de vida, Deus ordenara aos patriarcas que ensinassem aos seus filhos tordos os dias Dt 4.10. em todos os lugares e no relacionamento familiar Dt 11.19 e dos tais ensinamentos o povo não deveria se afastar nem para a direita nem para a esquerda Dt 17.11. Mas, com o passar do tempo Israel foi se misturando com outras nações e perdendo sua identidade, não separava mais o santo do profano (Ez 16).
Deixaram de praticar o ensino da Lei aos filhos dentro do seu lar Dt 4.10, conforme Deus havia ordenado.
Aprendemos com os recabitas a importância de praticar o culto doméstico, levar os filhos à escola dominical, contar historias bíblicas ilustradas e outras opções de ensino da Palavra de Deus dentro do lar.
“Instrui ao menino no caminho em que deve andar; e até quando envelhecer não se desviará dele.” Pv 22.6.

Considerando que os recabitas é figura da igreja de Cristo em meio a uma geração corrompida vale ressaltar a importância da valorização do ensino e ministração da Palavra, temos visto que o tempo disponível para essas modalidade em algumas igrejas tem sido sufocados, reduzidos e pouco valorizado, vemos ainda professores com pouca aptidão para a leitura e não se esforçam para o desenvolvimento do ensino na casa de Deus.
Outro fator que nos chama a atenção é que os recabitas se reuniram em particular com os sacerdotes e ministros do culto, trazendo um alerta para os administradores para a casa de Deus. (não entrarei nesse mérito).
2. Obediência.
Obedecer. Submeter-se à vontade de outrem e executá-la.
Foi através da simplicidade e da fidelidade que os recabitas receberam uma promessa especial da parte de Deus, eles resolveram a obedecer às ordenanças a eles pregadas visto que era para se aproximarem de Deus, sendo mais dependente dEle.
A obediência é o segredo da vitória para qualquer pessoa em qualquer área da vida, temos grandes exemplos de homens de Deus que foram exaltados após passarem por um processo de obediência.
Os judeus perderam o senso da obediência e já ofereciam sacrifício que não passavam de um ritual religioso (Jr 6.19-20), diferente dos recabitas que foram fieis, mesmo diante de um banquete com taças cheias de vinho.
Este é o outro exemplo dos recabitas, é esse tipo de obediência que devemos primar, visando sempre o nosso exemplo maior que é Cristo que foi obediente ao Pai até a morte (Fp 2.9).

CONCLUSÃO
Que nós venhamos a colocar em prática, o exemplo dos recabitas, a igreja de Cristo vive em meio a uma geração corrompida, mas, se obedecer firme a Palavra de Deus seguirá sem perder sua identidade, como aconteceu com o povo de Israel (Ez 16). Nós enquanto cristãos devemos ser mais dependentes de Deus e da sua Palavra para que possamos tomar posse das promessas já conquistadas na Cruz.

Bibliografia
BOYER, Orlando. Pequena enciclopédia bíblica. São Paulo: Vida, 2000.
Bíblia Sagrada. Online, mundo bíblico.
ALMEIDA, João Ferreira. Bíblia Sagrada: Shedd. São Paulo, SP: Vida Nova, 2ª Ed. 2008.
Bíblia de Estudo de Genebra, Revista e Atualizada. São Paulo, SP: Cultura Cristã, 2ª Ed. 1999.
Bíblia de Estudo Pentecostal, Revista e Corrigida. Brasil: CPAD, Ed. 1995.