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domingo, 4 de abril de 2010

O PROFETA JEREMIAS

JEREMIAS, Elevado ou nomeado por Jeová.

Um dos “profetas maiores” do Velho Testamento, filho de Hilquias, um sacerdote de Anatote (Jr 1:1; Jr 32:6). Foi chamado para o ministério profético quando ainda era novo (Jr 1:6), no 13º ano de Josias (628 a.C.). Deixou a sua cidade natal e foi viver para Jerusalém, onde ajudou imenso Josias na sua obra de reforma (2Rs 23:1-25). A morte deste pio rei foi chorada pelo profeta como uma calamidade nacional (2Cr 35:25).
Durante os três anos de reinado de Joacaz, não encontramos qualquer referência a Jeremias mas no início do reinado de Jeoiaquim, a inimizade do povo para com ele foi notada através de uma amarga perseguição que lhe fizeram e ele foi, aparentemente, preso (Jr 16:5). No quarto ano de Jeoiaquim, foi-lhe ordenado que escrevesse as profecias que lhe tinham sido dadas e que as lesse no dia do jejum. Isto foi feito por Baruque, o criado que estava ao seu serviço, produzindo grande excitação. O rolo foi lido perante o rei. Imprudentemente, ele agarrou no rolo, cortou-o em pedaços, deitou-o para o fogo e ordenou que Baruque e Jeremias fossem presos. Jeremias arranjou outro rolo e nele escreveu tudo o que estava no rolo que o rei destruíra e “muitas palavras semelhantes” se acrescentaram (Jr 36:32).
Ele permaneceu em Jerusalém, proferindo, por vezes, palavras de aviso mas que não surtiram qualquer efeito. Esteve lá quando Nabucodonozor sitiou a cidade (Jr 37:4, 5) em 589 a.C. O rumor de que os egípcios se aproximavam com o fim de ajudarem os judeus fez com que os caldeus se retirassem e voltassem ao seu país. Isto deu-se, contudo, durante somente algum tempo. O profeta, como resposta à sua oração, recebeu uma mensagem de Deus, anunciando que os caldeus voltariam novamente e tomariam a cidade, queimando-a (Jr 37:7, 8). Os príncipes, enraivecidos por causa de tal mensagem transmitida por Jeremias, encerraram-no na prisão (Jr 37:15-38:13). Ainda lá se encontrava quando a cidade foi tomada (588 a.C.). Os caldeus libertaram-no e mostraram-se bondosos para com ele, permitindo-lhe que escolhesse um lugar para viver. Jeremias foi para Mizpá com Gedalias, que fora feito governador da Judeia. Joaná sucedeu a Gedalias e, tendo-se recusado a ouvir os conselhos do profeta, desceu ao Egipto, levando Jeremias e Baruque consigo (Jr 43:6). Foi ali que, provavelmente, o profeta passou o resto dos seus dias, tentando, em vão, levar o povo de volta para Deus, contra quem, há muito, se tinham revoltado (44). Viveu até ao reinado de Evil-Merodaque, filho de Nabucodonozor e deve ter morrido com cerca de noventa anos. Não existe qualquer registo autêntico da sua morte. Deve ter morrido em Tapanes ou, de acordo com a tradição, terá ido para a Babilónia com o exército de Nabucodonozor; mas nada disso é certo.

Apêndice.
Hilquias
, Porção de Jeová, Pai do profeta Jeremias (Jr 1:1).

Anatote (Jr 1:1; Jr 32:6), Uma cidade de Benjamim atribuída aos sacerdotes (Js 21:18; 1Cr 6:60). Era a cidade natal do sumo-sacerdote Abiatar (1Rs 2:26) e de Jeremias, o profeta (Jr 1:1; Jr 11:21). Havia 128 exilados, entre os que regressaram de Babilónia com Zorobabel, que tinham nascido em Anatote (Ed 2:23; Ne 7:27). O antigo nome foi perpetuado na actual ‘Anata, uma aldeia de origem recente, a cerca de 5 km a norte de Jerusalém. A antiga cidade situa-se a cerca de 0,8 km a sudoeste de ‘Anata e chama-se agora Râs el-Kharrûbeh. Da antiga localização, cerca de 46 km mais para cima, é possível ver o Vale do Jordão.

Josias, Sarado por Jeová, ou Jeová apoiará, Filho de Amom e seu sucessor no trono de Judá (2Rs 22:1; 2Cr 34:1). A sua história está registada em 2Rs 22 e 23. Ele é o primeiro entre todos os reis da linhagem de David a demonstrar com firmeza a sua lealadade para com Deus (2Rs 23:25). Ele “fez o que era recto aos olhos do Senhor e andou nos caminhos de David, seu pai”. Ascendeu ao trono com oito anos e parece que somente oito anos depois é que ele começou a “seguir os caminhos do Deus de Davi, seu pai”. Com essa idade, Josias entregou-se a Deus. Distinguiu-se por iniciar uma guerra de extermínio contra a idolatria prevalecente, que praticamente se tornara na religião estatal durante cerca de setenta anos (2Cr 34:3; comp. Jr 25:3, 11, 29).
No 18º ano do seu reinado, ele decidiu reparar e embelezar o templo que, com o tempo e a violência, ficara extremamente danificado (2Rs 22:3, 5, 6; 2Rs 23:23; 2Cr 34:11). Enquanto o trabalho estava a ser feito, Hilquias, o sumo sacerdote, encontrou o rolo que era provavelmente a cópia original da lei, todo o Pentateuco escrito por Moisés.
Quando este livro foi lido perante ele, o rei ficou alarmado com as coisas que ele continha e procurou Hulda, a “profetiza”, para que ela o aconselhasse. Ela, por entre palavras de arrependimento, disse-lhe que ele se reuniria com os seus pais em paz, antes que os dias mais conturbados chegassem. Josias imediatamente reuniu o povo e envolveu-o na renovação do seu antigo concerto nacional com Deus. A Páscoa era, então, celebrada com uma magnificência pouco usual, tal como acontecera nos dias do seu grande antecessor, Ezequias. Todavia, “o Senhor não se demoveu do ardor da sua grande ira, ira com que ardia contra Judá” (2Rs 22:3-20; 2Rs 23:21-27; 2Cr 35:1-19). Durante esta grande revolução religiosa, Jeremias deu a sua ajuda através de exortações diligentes.
Pouco depois disto, Faraó-Neco, o rei do Egipto, em expedição contra o rei da Assíria, pretendendo conquistar Carquemis, procurou obter passagem através do território judaico, para si e para o seu exército. Josias recusou tal pedido. É provável que Josias tivesse feito uma nova aliança com o rei da Assíria e, fiel à sua palavra, procurou opôr-se ao progresso de Neco.
O exército de Judá saiu a encontrar-se com o do Egipto em Megido, junto à planície de Esdraelon. Josias saiu para o campo disfarçado e foi fatalmente ferido por uma seta atirada ao acaso. Os que o socorreram, transportaram-no para Jerusalém mas, ao chegarem a Hadadrimom, que se situava a alguns Km a sul de Megido, Josias morreu (2Rs 23:28, 30; comp 2Cr 35:20-27), após um reinado de 31 anos. Foi sepultado com grandes honras, cumprindo, assim, a profecia de Hulda (2Rs 22:20; comp. Jr 34:5). Jeremias compôs uma elegia fúnebre sobre o melhor dos reis de Israel (Lm 4:20; 2Cr 35:25). A explosão de dor nacional aquando da sua morte tornou-se proverbial (Zc 12:11; comp. Ap 16:16).

Jerusalém, Heb. Yerûshalayim, Uma vez que o nome é confirmado, de diferentes maneiras, pelo menos desde o século XIX AC, é uma cidade de origem cananita ou amorreia, significando provavelmente “a cidades do (deus) Shalim”, mas em hebreu provavelmente “a cidade da paz”. Em textos egípcios dos séculos XIX e XVIII AC, o nome pronunciar-se-á Urusalimum. Nas cartas de Amarna do século XIV AC aparece como Urusalim. Em aramaico chama-se Yerûshelem e em grego Ierosoluma e Ierousalem. Uma das mais importantes cidades do mundo, a Santa Cidade de três grandes fés: o Judaísmo, o Cristianismo e o Islamismo. Para os judeus, era o local onde se situava o templo e também a capital da nação. Para os cristãos é o cenário do sofrimento, morte, ressurreição e ascensão de Cristo. Para os muçulmanos é o local tradicional da ascensão de Maomé ao céu. Localiza-se a cerca de um terço da distância que vai desde a extremidade norte do Mar Morto até ao Mar Mediterrâneo, nas montanhas da Judeia.
O nome Salém (Heb. Shalem), que surge duas vezes no VT (Gn 14:18; Sl 76:2), é provavelmente a forma abreviada do nome completo. É também por este nome que é mencionada nas tabuínhas cuneiformes de Tell Mardikh, a antiga Ebla (Síria) do final do 3º milénio AC. A cidade era conhecida pelo nome de Jebus no período dos juizes (Jz 19:10, 11) e na altura em que David a tomou (1Cr 11:4, 5). Isto aconteceu porque os seus habitantes eram chamados jebuseus. Este nome não está confirmado fora da Bíblia. O seu nome árabe actual é el-Quds, “aquela que é santa”, mas para todos aqueles que não são árabes - judeus, cristãos e outros - ainda é conhecida por Jerusalém.
I - A Localização - A cidade fortificada de Jerusalém situa-se entre dois vales principais: o Cedrom a este e o Hinom a oeste e a sul. O planalto entre os dois vales onde a cidade está construída, está ligado ao planalto da Judeia, a norte. Este planalto está rudemente dividido em duas cordilheiras por um vale central, cujo nome não se encontra na Bíblia, mas que é denominado por Josefo como Vale Tyropoeon, ou “vale dos queijeiros”. Este vale era estreito e profundo mas no tempo dos macabeus encontrava-se cheio com os despojos de Acra, a fortaleza dos sírios, que Simão Macabeu demoliu. Actualmente, inicia-se na Porta de Damasco e é visível apenas como uma depressão superficial. As escavações efectuadas mostram que os escombros atingem uma profundidade de 30 metros. A cordilheira a Este atinge uma altura de cerca de 744 metros acima do nível do mar, num local onde o “castelo" (segundo algumas versões), ou “tenda” (segundo outras versões) de Antónia se situava, a norte do tempo. Este monte a norte da cordilheira oriental é chamado “o monte do templo”, ou “monte norte-oriental”. No VT surge como “Moriá" (Gn 22:2; 2Cr 3:1). A cordilheira oriental encontra-se dividida em duas secções (norte e sul) através de uma depressão superficial, actualmente cheia de despojos. A secção sul, o pontão que desce na direcção da junção dos vales Cedrom e Hinom, era o local original da cidade de David, que era conhecida por Jebus, Salém e Sião. A parte mais alta eleva-se a cerca de 695 metros acima do nível do mar. Esta área - a Jerusalém original - fica completamente fora das muralhas da cidade actual, que se situam a sul da área do templo.
A cordilheira ocidental é mais alta do que a oriental, elevando-se a uma altitude de cerca de 777 metros acima do nível do mar, 30 metros mais alta do que o monte do templo. Não se conhecem os antigos nomes das diferentes elevações desta cordilheira ocidental mas o monte a sudoeste foi, por vários séculos, erradamente identificado com “Sião” e ainda tem este nome actualmente, embora a maior parte deste monte talvez nunca tenha sido incluído na antiga cidade até aos tempos helenísticos. Uma boa parte do monte a noroeste localiza-se agora na zona noroeste da actual Cidade Velha de Jerusalém e inclui, como sua mais famosa estrutura, a Igreja do Santo Sepulcro.
O Vale de Cedrom, algumas vezes mencionado na Bíblia (2Sm 15:23; Jo 18:1, etc.) e actualmente chamado Wâdi en-Nâr, separa a cidade do Monte das Oliveiras, cujo pico mais alto se eleva a 835 metros acima do nível do mar. O Cedrom é um desfiladeiro estreito e profundo que serviu de apoio às defesas orientais da cidade. Nele se encontram as únicas fontes de água de Jerusalém: a nascente de Giom, nas vertentes ocidentais do vale; e Enrogel, um poço que se situa perto da confluência dos Vales de Hinom e Cedrom. O Vale de Hinom, actualmente chamado Wâdi er-Rabâbeh, é frequentemente mencionado no VT (Js 15:8; Js 18:16; etc.). É muito mais vasto do que o Cedrom e o Tyropoeon e as suas encostas são mais suaves. Este vale separa os montes mais altos a oeste e a sul da cordilheira sudoeste no planalto de Jerusalém.
II - História - Não se sabe quando é que Jerusalém foi fundada mas algumas escavações puseram a descoberto evidências que provam que já existia durante a 12ª dinastia egípcia (século XIX e XVIII AC), altura em que alguns textos egípcios mencionam a cidade e os seus governantes amorreus, Yaqar-‘Ammu e Sasa‘-‘Anu, como sendo reais ou potenciais inimigos do Egipto. Durante este período, o VT menciona a cidade pela primeira vez sob o nome de Salém, cujo governante - Melquisedeque - era, na altura, um sacerdote do Deus Altíssimo e, portanto, com poder para abençoar Abraão e receber o dízimo do despojo que o patriarca tomara de Quedorlaomer e dos seus confederados (Gn 14:18-20).
Jerusalém é mencionada no livro de Josué como sendo a cidade principal de uma coligação de cidades-estado cananeias que lutaram contra os israelitas. O seu rei, nessa altura, era Adonizedeque que, juntamente com os seus aliados, foi derrotado na batalha de Azeca, tendo sido capturado e executado por Josué (Js 10:1-27). Pouco depois, no tempo do rei Ikhnatom do Egipto, um rei chamado ‘Abdu-Heba ascendeu ao trono de Jerusalém. O seu nome significa “servo (da deusa hitita) Heba” e é possível que fosse de ascendência hitita. Se assim for, ele e os dois reis amorreus já mencionados seriam a prova de que a população que inicialmente habitava em Jerusalém incluía hititas e amorreus. Isto é reflectido nas palavras de Ezequiel, que disse de Jerusalém: “o teu pai era amorreu e a tua mãe heteia” (Ez 16:3; cf. vers. Ez 16:45). Entre as Cartas de Amarna encontram-se algumas que ‘Abdu-Heba escreveu a Ikhnaton e nas quais ele se queixa amargamente da invasão dos ‘Apiru, ou Habiru (provavelmente os hebreus) e da inactividade do Egipto, tendo daí resultado a captura do país secção por secção. Em Jz 1:8 encontra-se registado o relato da captura e destruição de Jerusalém levada a cabo por Judá após a morte de Josué, mas a esta vitória não se seguiu a ocupação da cidade pelos israelitas; Jerusalém permaneceu nas mãos dos cananeus ou jebuseus até à altura em que David a conquistou (Js 15:63; cf. Jz 19:11, 12).
Depois que David foi coroado rei sobre todas as tribos de Israel, ele decidiu transferir a sua capital da importante cidade judaica de Hebrom para um local neutro. Escolheu, então, Jerusalém, que se situava na fronteira entre Judá e Benjamim mas que não pertencia a nenhuma destas tribos. Os jebuseus troçaram de David quando ele cercou a cidade, pois estavam convencidos de conseguirem manter nas suas mãos a bem fortificada cidade situada nas montanhas. Contudo, Joabe e os seus homens obtiveram acesso subindo pelo Sinnôr, que provavelmente se refere ao poço de água que ligava a nascente de Giom ao interior da cidade (2Sm 5:6-8). No tempo de David, ficou conhecida por “cidade de David” (1Cr 11:7; 2Sm 5:7). David construiu ali um palácio (2Sm 5:11) e também algumas fortificações (ver Ct 4:4), que menciona a torre de David; cf. 1Cr 11:8). Esta torre não é a mesma que se encontra na actual cidadela de Jerusalém, uma vez que esta última é uma das torres do palácio construído por Herodes, o Grande. David também construiu um local, ou estrutura, chamado “Milo” (2Sm 5:9; 1Cr 11:8). A partir de outros textos (1Rs 9:15, 24; 1Rs 11:27; 2Cr 32:5), é provável que Milo se situasse dentro da cidade e que fosse periodicamente alargado e fortificado. Aparentemente, fazia parte do sistema de fortificações da cidade no seu ponto mais fraco, que terá sido a extremidade norte do monte a sudeste. A LXX identifica-o com Acra, uma cidadela a sul do templo que ali permaneceu até aos dias de Judas Macabeu. O nome hebraico millô’, que significa “encher”, tem sido explicado de várias maneiras. Poderá ter sido uma muralha dupla cheia de terra, ou uma plataforma sobre a qual se construíram as fortificações.
Quando David transferiu a arca para Jerusalém, colocou-a temporariamente numa tenda. Deus não permitiu que ele construísse um templo. Contudo, David preparou tudo para a sua construção e a eira de Araúna, que ele comprara, foi utilizada para tal efeito, tendo o templo sido construído por Salomão (2Sm 6:17; 2Sm 24:24; 1Cr 28:2, 3, Js 19-21; 2Cr 3:1). Quando David morreu, foi sepultado na cidade de David (1Rs 2:10). Todos os reis de Judá até Acaz foram sepultados no sepulcro real. A localização deste sepulcro ainda é desconhecida, embora uma comparação entre Ne 3:16 e os vers. Ne 3:15 e 3:26 pareça mostrar que ele se situava entre o poço de Siloã e a porta das águas. Foi sugerido que o percurso sinuoso do túnel de Siloã fosse o resultado de se tentar evitar os túmulos reais.
Com Salomão, que era um grande construtor, despontou uma nova era para Jerusalém. A cidade foi alargada para norte e possivelmente para noroeste. O templo, que se encontrava rodeado por um pátio, foi erigido no monte a norte, a oeste da actual Catedral da Rocha que cobre a rocha onde se crê tenha estado o altar das ofertas queimadas (1Rs 6:1-38; 2Cr 3:1). Foi provavelmente entre o templo e a cidade de David que Salomão erigiu um palácio para si (1Rs 7:1), palácio esse, chamado “a casa do rei” (1Rs 9:1). Poderá ter-se tratado de um complexo de estruturas que incluía: ( uma “casa para a filha de Faraó”, que provavelmente fazia parte do harém (1Rs 7:8; 1Rs 9:24), podendo formar com o palácio uma única unidade. Este era provavelmente rodeado por um “outro pátio”, sendo talvez o mesmo local denominado por “meio do pátio” e “pátio da guarda” (1Rs 7:8; 2Rs 20:4; Jr 32:2; etc.); ( um pórtico ou ante-câmara (segundo algumas versões) do juízo (1Rs 7:7), onde se situava o trono; ( um pórtico de colunas, talvez a ante-câmara de audiências (vers. 1Rs 7:6), que era provavelmente uma entrada para a ante-câmara principal, se não se tratasse mesmo de um edifício separado; ( a “casa do bosque do Líbano”, possivelmente assim chamada porque os seus 45 pilares, compostos em três filas, foram construídos em madeira de cedro do Líbano. Salomão acrescentou, assim, toda uma nova zona à cidade e não haverá dúvidas de que a expansão da sua administração trouxe para Jerusalém muitas outras pessoas para quem era preciso providenciar residência. Esta nova zona foi, então, rodeada por uma muralha que circundou “Jerusalém em roda” (cap. 1Rs 3.1; cf. cap. 1Rs 9:1.
Quando o reino se separou depois da morte de Salomão, mais de ¾ do seu reino foram tomados por Judá e Jerusalém perdeu muito da sua importância. Consequentemente, a cidade não voltou a expandir-se durante vários séculos, embora se fizessem algumas reparações de vez em quando, especialmente após alguma batalha. No tempo de Roboão, o filho de Salomão, Sisaque do Egipto conquistou Jerusalém, levando consigo muitos despojos (1Rs 14:25-28; 2Cr 12:2-11). Não se sabe se, nessa altura, a cidade caiu após o cerco, ou se sofreu algum dano, ou ainda se Roboão se rendeu sem luta. Foi também tomada por Joás, de Israel, no tempo do rei Amazias. Joás destruiu cerca de 183 metros da sua muralha ocidental, desde a Porta de Efraim até à Porta de Esquina (2Rs 14:13). Este dano perpetrado contra as fortificações de Jerusalém deve ter sido reparado, embora não esteja registado. Na verdade, não estão registadas quaisquer actividades de reparação ou construção entre os reinados de Salomão e Uzias, com excepção de algumas obras de reparação no templo levadas a cabo por Joás, de Judá (2Rs 12:4-15; 2Cr 24:4-14).
O rei Uzias parece ter sido o primeiro rei em 200 anos a efectuar um qualquer tipo de construção apreciável em Jerusalém. Construiu algumas torres na Porta de Esquina, na Porta do Vale e nos ângulos da muralha (2Cr 26:9). O seu filho Jotão continuou a sua obra e construiu a Porta Superior do Templo, realizando também algumas obras no Muro de Ofel (2Cr 27:3). Do tempo de Ezequias também estão registadas grandes obras de construção. Este rei fez preparações febris para o fortalecimento das fortificações de Jerusalém, a fim de que a cidade fosse capaz de suportar um cerco por parte dos assírios. Construiu um grande túnel entre Giom e o tanque de Siloam (2Rs 20:20; 2Cr 32:4, 30) e, deste modo, conseguiu levar água até à cidade. Nessa mesma altura, ele construiu uma segunda muralha que circundou a parte sul do monte ocidental, tal como mostra a muralha descoberta por N. Avigad, trazendo para dentro das fortificações da cidade o tanque recentemente construído. Reconstruiu também o Milo na antiga cidade de David (2Cr 32:5; Is 22:10, 11).
Embora muitas outras cidades fortificadas de Judá tivessem sido destruídas pelas forças invasoras de Senaqueribe no tempo de Ezequias (2Rs 18:13), Jerusalém foi poupada e emergiu ilesa deste período difícil (cap.2Rs 19:32-36). Manassés, filho de Ezequias, construiu uma segunda muralha a nordeste, perto da Porta do Peixe (2Cr 33:14). Não se sabe se Jerusalém sofreu durante o reinado de Manassés, embora esteja registado que ele foi levado cativo pelos asssírios e que passou algum tempo numa prisão babilónica (vers. 2Cr 11). Poderá ter-se rendido aos assírios sem luta, embora a cidade possa ter sido cercada e capturada. Pouco tempo depois, no reinado de Josias, menciona-se pela primeira vez Jerusalém “na segunda parte” (Heb. mishneh, segundo algumas versões, “colégio”), zona na qual Hulda, a profetisa, morava (2Rs 22:14; 2Cr 34:22; cf. Sf 1:10). Não é certo se isto se refere à nova zona acrescentada a Jerusalém por Manassés, ou à zona noroeste já fortificada no tempo de Salomão.
O bom rei Josias fez reparações adicionais no templo (2Rs 22:3-7; 2Cr 34:8-13) e durante o seu reinado, Jerusalém experimentou uma grande reforma religiosa. Contudo, a sua morte repentina pôs fim a este último reavivamento espiritual e os seus sucessores caíram na idolatria e na impiedade. Como resultado, Jerusalém foi capturada três vezes num período de vinte anos: primeiro em 605 AC durante o reinado de Joaquim (Dn 1:1, 2); depois em 597 AC, altura em que Joaquim foi levado cativo (2Rs 24:10-16); e finalmente em 586 AC, no décimo-primeiro ano de Zedequias, quando Jerusalém foi destruída após um longo cerco e Zedequias foi levado cativo para Babilónia, com a maior parte da população de Judá (cap. 2Rs 25:1-21).
Depois de Jerusalém ter permanecido em ruínas durante cerca de cinquenta anos, regressou de Babilónia o primeiro grande grupo de cativos conduzido por Zorobabel. Isto aconteceu provavelmente em 536 AC, setenta anos (inclusive) depois da primeira deportação em 605 AC (ver Jr 25:11, 12; Jr 29:10). Este grupo logo se predispôs a reconstruir o templo mas eles experimentaram tanta oposição por parte dos samaritanos, para além de outras dificuldades, que a obra só terá realmente começado no segundo ano de Dario I, em 520/19 AC; o templo ficou finalmente pronto e foi dedicado a Deus em 515 AC, no sexto ano de Dario I (Ed 1:1-4; Ed 3:1-13; Ed 4:1-5, 24; Ez 5:1 a 6:16). No sétimo ano de Artaxerxes I, Esdras foi autorizado a levar consigo para Jerusalém um segundo grupo de cativos (Ed 7:6 a 8:32). Ele reorganizou a província e estabeleceu uma administração baseada na lei judaica em 457 AC. Foi provavelmente nos anos que se seguiram que os judeus de Jerusalém começaram a reconstruir a muralha da cidade. Contudo, mais uma vez, foram impedidos pelos seus inimigos (Ne 1:3), até que Neemias conseguiu que Artaxerxes I o nomeasse governador. Neemias foi para Jerusalém em 444 AC e terminou as obras de reparação em algumas semanas, apesar dos muitos obstáculos (cap. Ne 2:1 a 4:23; Ne 6:15).
A muralha de Neemias, sobre a qual existe informação detalhada (Ne 2:12-15; Ne 3:1-32; Ne 12:27-40), parece ter seguido a muralha da Antiga Cidade, tal como era na altura em que Jerusalém foi destruída por Nabucodonozor. Na sua descrição, ele menciona a maior parte das portas da cidade, assim como outras características topográficas, embora nem todas possam ser definitivamente identificadas. As localizações das várias portas da cidade, torres e outras estruturas referidas por Neemias são mencionadas sob os seus respectivos nomes em artigos separados.
Pouco se sabe da história de Jerusalém nos 250 anos que se seguiram a Neemias. Josefo relata uma discussão que teve por base o sumo sacerdócio e durante a qual Joanã matou o seu irmão no templo. Por causa disso, o governador persa castigou severamente a nação. Josefo também fala de uma visita de Alexandre, o Grande, a Jerusalém, altura em que a profecia de Daniel (aparentemente o cap. 8) lhe foi explicada. De acordo com Josefo, isto causou-lhe uma tal impressão, que ele se tornou amigo dos judeus. No tempo dos sucessores de Alexandre, Jerusalém foi uma capital administrada pelos sumos sacerdotes, umas vezes sob a soberania dos Ptolomeus do Egipto e outras sob o domínio dos Seleucidas da Síria.
Durante este período, Jerusalém foi grandemente influenciada pelo helenísmo. A língua, o modo de pensar, o modo de vestir e os costumes gregos tornaram-se moda, especialmente entre as classes dominantes que estavam em contacto directo com os estrangeiros. Uma facção, conhecida por Helenizadores, quis tornar Jerusalém numa cidade grega, tal como muitas outras fundadas ou reconstruídas pelos governantes helenísticos das áreas vizinhas. Para isso, criaram um ginásio grego e também implementaram os jogos atléticos. Mas o povo judeu opôs-se desesperadamente quando um dos governantes seleucidas, Antíoco IV Epifânio, fez uma tentativa determinada para helenizar os judeus à força, profanando o templo ao sacrificar animais impuros às deidades pagãs. Este facto esteve na origem da revolta macabeia e das guerras entre os sírios e os judeus, guerras das quais os macabeus saíram vencedores. Quando fizeram de Jerusalém a capital da sua nação independente, deu-se um grande crescimento, quer físico, quer em importância. A primeira mudança ocorreu quando Judas Macabeu tomou Jerusalém em 165 AC e rededicou o templo a Deus. Alguns anos mais tarde, o seu irmão Simão capturou a cidadela - Acra -, que parece ter-se localizado a sul do templo. Destruiu-a completamente, assim como o topo do monte onde ela se situava, usando os escombros para cobrir o Vale Tyropoeon Central, que se localizava entre as cordilheiras ocidental e oriental da cidade. Os governantes macabeus da Judeia construíram um palácio no monte ocidental que, nessa altura, se encontrava incluído no sistema defensivo da cidade. Construíram também uma cidadela a norte do templo, mais tarde conhecida por castelo, ou torre, de Antónia.
Pompeu e o seu exército romano capturaram Jerusalém em 63 AC, derrubando parte da sua muralha. Crassus saqueou o templo em 54 AC e os parcianos pilharam a cidade em 40 AC. Três anos mais tarde, Jerusalém foi capturada por Herodes, o Grande. Este restaurou as muralhas e adornou a cidade com muitas novas estruturas, tais como um palácio com três torres, chamadas Hippicus, Phasaelus e Mariamne (onde a “Cidadela “ agora se situa), um ginásio, um hipódromo e um teatro. Reconstruiu também a fortaleza conhecida por “a torre”, ou “castelo” (segundo algumas versões), ou “barracas” (segundo outras versões) de Antónia (At 21:34, 37; At 22:24; etc.). Nesta altura, o templo tinha cinco séculos e precisava urgentemente de reparações. Herodes queria mais do que repará-lo; ele planeava reconstruí-lo completamente. Isso implicava muitas alterações nas muralhas e fortificações do templo. Esta sua mais ambiciosa obra começou em 20/19 AC. O edifício central do templo ficou completamente construído em dezoito meses mas as outras construções da grande área do templo só terminaram por volta de 64 DC, dois anos antes do eclodir da revolta judaica contra os romanos.
Arquelau, o sucessor de Herodes, não realizou grandes construções mas Agripa I edificou o que ficou conhecido por terceira muralha. Alguns pensam que seguiu o percurso das muralhas norte e ocidental da actual Antiga Cidade, até à Porta de Jafa. Outros, contudo, acreditam que a terceira muralha percorre cerca de 460 metros a norte da actual Antiga Cidade, onde partes da velha muralha foram escavadas em vários locais, podendo, por isso, ser seguida durante alguns metros. Outros mantêm que a terceira muralha foi uma estrutura erigida à pressa no século II DC, por altura da revolta de Bar Cocheba.
No tempo de Herodes, o Grande (37-4 AC), no tempo do seu filho Arquelau (4 AC - 6 DC) e no tempo de Agripa I (41-44 DC), Jerusalém foi a capital do país mas não durante os dois períodos em que os procuradores romanos governaram a Judeia (6-41 DC e 44-66 DC). Estes fizeram de Cesareia a sua capital e só iam a Jerusalém durante as festas mais importantes, para o caso de surgirem problemas. Geralmente, só uma guarnição se encontrava estacionada no castelo de Antónia, a fim de garantir a lei e a ordem na cidade.
Quando eclodiu a revolta contra Roma na primavera de 66 DC, muito sangue foi derramado em Jerusalém. Sob a administração de Gessius Florus, o último procurador da Judeia, os judeus começaram a massacrar os gentios e estes passaram também a massacrar os judeus, até que toda a semelhança de ordem e governo desapareceu. Cestius Gallus, o emissário da Síria tomou o comando da Judeia e no outono de 66 DC marchou contra Jerusalém. Embora a certa altura tivesse atingido a muralha norte do templo, foi repelido e, por alguma razão desconhecida, retirou-se, perdendo muitos dos seus soldados nesse processo de retirada. Os cristãos, lembrando-se do aviso de Jesus (Mt 24:15-20), aproveitaram a oportunidade para saírem de Jerusalém, encontrando refúgio em Pela, na Pereia. Desde o final do ano 66 DC até à primavera de 70 DC, Jerusalém não sofreu qualquer ataque directo por parte dos romanos. Vespasiano, ao chegar ao país em 67 DC, seguiu o seu plano de o submeter ao seu controlo, permitindo que as várias facções políticas em Jerusalém se guerreassem, tornando-se, deste modo, cada vez mais fracas. Em 69 AC, quando Vespasiano foi proclamado imperador, a maior parte da Palestina encontrava-se nas mãos dos romanos mas transformara-se num deserto. Tito, o filho de Vespasiano, tomou o comando do exército e preparou-se imediatamente para capturar Jerusalém, a forte capital da Judeia.
Durante os três anos de guerra com Roma, houve um grande influxo de pessoas que entrou em Jerusalém. Tinham chegado à cidade, sem cessar, ondas de refugiados, entre os quais se encontravam grupos de soldados pertencentes a diferentes facções e comandados por líderes rivais. João de Gischala, na Galileia, era o líder dos zelotes, que se estabeleceram na zona baixa do templo. Simão bar Giora, o líder dos saqueadores, ocupou a zona superior da cidade; e Eleazer, filho de Simão, também um líder rebelde, tomou conta da parte superior do templo. Quando Tito deu início ao cerco de Jerusalém, com 80.000 soldados romanos, em Abril de 79 DC, os três líderes e os seus seguidores encontravam-se envolvidos em batalhas sangrentas uns contra os outros. Foram lutas implacáveis que duraram todos os cinco meses do cerco romano, em que uma secção após outras foi capturada e a fome imperava. Mais de 100.000 judeus morreram na cidade entre o início de Maio e o final de Julho. Nessa altura, o castelo de Antónia foi tomado e os sacrifícios do templo terminaram. Em Agosto, de acordo com o relato de Josefo, o templo foi conquistado e, novamente sob o comando de Tito, foi queimado. O monte a sudoeste de Jerusalém, chamado “A Cidade Superior”, caiu nas mãos dos romanos em Setembro. Josefo declara que mais de um milhão de judeus perdeu a vida durante o cerco de Jerusalém e que outros 97.000 foram feitos prisioneiros, entre os quais se encontravam João de Gischala e Simão bar Giora. A cidade foi arrasada para que o mundo visse que até as mais fortes muralhas não podiam suster o exército romano. Somente três torres do palácio de Herodes e parte da muralha ocidental permaneceram de pé como monumentos da anterior glória de Jerusalém e a fim de servirem como posto militar para a guarnição romana.
Jerusalém recuperou lentamente desta catástrofe mas quando o imperador Adriano a refortificou e começou a reconstruí-la como cidade gentílica, os judeus revoltaram-se novamente, desta vez sob o comando de Bar Cocheba, em 132 DC. Depois que esta revolta foi esmagada em 135 DC, a reconstrução da cidade foi retomada e terminada e todos os judeus foram banidos de lá. O seu nome passou a ser Colonia Aelia Capitolina, indicando que era uma colónia romana assim denominada em honra de Adriano, cujo nome completo era Publius Aelius Hadrianus, tendo também sido dedicada a Jupiter Capitulinus. O templo a este deus romano foi construído no local do antigo templo. Os cristãos também se instalaram em Jerusalém e no século IV, esta tornou-se praticamente numa cidade cristã. Helena, mãe de Constantino, construiu uma igreja no Monte das Oliveiras em 326 DC e em 333 DC, Constantino construiu a Igreja do Santo Sepulcro no local onde, supostamente, Jesus terá ressuscitado. A interdição contra os judeus foi levantada nessa altura.
Em 614 DC, os persas, sob as ordens de Chosroes II, capturaram Jerusalém, destruíram a Igreja do Santo Sepulcro, massacraram milhares dos seus habitantes e levaram cativos outros tantos milhares. A cidade foi recapturada pelo imperador romano Heraclio quatorze anos mais tarde, rendendo-se aos árabes sob o comando de Omar em 638 DC. Desde então e na maior parte do tempo, esteve sob domínio muçulmano. O local onde o templo de situava tornou-se num valado muçulmano sagrado chamado Haram esh-Sherîf, onde se encontra o terceiro santuário muçulmano mais sagrado, a Catedral da Rocha (erradamente apelidada de Mesquita de Omar). Encontra-se no local onde se acredita ter-se situado o altar de bronze de Salomão. Na extremidade sul do valado está a Mesquita el-Aqsa. Embora existissem períodos em que os cristãos foram humilhados em Jerusalém, no seu todo não foram muito maltratados, sendo geralmente tolerados. A situação mudou quando os bárbaros turcos, denominados por Seljuk, tomaram Jerusalém em 1077 DC. Toda a Europa se mostrou indignada com as humilhações que os cristãos sofreram na Santa Cidade. Daí resultaram as cruzadas. Em 1099 DC, Jerusalém foi conquistada, sendo aí estabelecido um reino cristão que durou 88 anos. Em 1187, Saladim, sultão do Egipto e da Síria, tomou a cidade e reconstruiu as suas fortificações. Jerusalém foi devolvida aos cristãos por mais dois períodos: primeiro em 1229 DC, quando o Imperador Frederico II da Alemanha a obteve para si por meio de um tratado e os cristãos a mantiveram em seu poder durante dez anos e novamente em 1243 DC, quando foi incondicionalmente dada aos cristãos. Mas um ano mais tarde, foi tomada pelos turcos Khwarazm, depois caiu nas mãos dos egípcios e, em 1517, os turcos otomanos conquistaram-na, mantendo-a em seu poder até 1917, quando Jerusalém se rendeu aos britânicos, sob o comando do General Allenby. A actual muralha que rodeia a chamada Velha Cidade foi construída pelo sultão turco Suleiman, o Magnífico, em 1542. No tempo em que a Palestina foi um território sob governação britânica (1923-1948), Jerusalém foi a sua capital. Durante a guerra judaico-árabe em 1948, houve uma grande batalha em Jerusalém e o bairro judaico da Velha Cidade murada foi completamente destruído. Entre 1948 e 1967, a cidade foi dividida. A parte principal da cidade actual fora das muralhas, situando-se na sua maioria a oeste da Velha Cidade, ficou nas mãos dos israelitas e tornou-se na capital do Estado de Israel. A sua população, em 1967, elevava-se a cerca de 200.000 pessoas. A Velha Cidade, dentro das muralhas, ficou na posse dos árabes, formando parte do Reino Hachemita do Jordão. A nova cidade árabe espalhou-se para norte da Velha Cidade. A zona de Jerusalém na posse dos árabes possuía uma população de cerca de 70.000 pessoas em 1967. Como resultado da vitória israelita na guerra dos seis dias em 1967, Jerusalém foi reunificada e o bairro judaico que, dentro da Velha Cidade se encontrava destruído, foi reconstruído e repovoado pelos judeus. O estado legal da cidade não será decidido até que seja conseguido um ajustamento político para o país.
III - História da Investigação Arqueológica em Jerusalém - A obra arqueológica tem sido levada a cabo em Jerusalém há mais de cem anos; por um lado, tem sido realizada por eruditos aí residentes, sacerdotes e outros e, por outro lado, por escavações organizadas. Ao primeiro grupo pertence Charles Clermont-Ganneau (1846-1923), que foi para Jerusalém em 1867 e viveu no Oriente durante vários anos. As suas descobertas, estudos topográficos e publicações tornaram-se num bom fundamento sobre o qual os outros eruditos construíram. Entre as suas mais importantes descobertas encontram-se as Inscrições Gregas de Aviso, que Herodes colocou no Templo, e duas inscrições tumulares do tempo de Ezequias, encontradas em Silwan. Um outro residente em Jerusalém durante muitos anos, um arquitecto, o Dr. Conrad Schick (1822-1901), foi incansável nas suas investigações, a fim de reconstruir a história antiga da Cidade Santa. Gustaf Dalman (1855-1941), o director do Instituto Arqueológico Alemão em Jerusalém, entre 1902 e 1914, L.-H. Vincent, da Escola Bíblica Francesa, durante meio século e W. F. Albright, durante dez anos director da Escola Americana de Investigação Oriental em Jerusalém ocupam o primeiro lugar entre os que clarificaram a extremamente difícil história arqueológica da Jerusalém antiga.
As escavações sistemáticas iniciaram-se em 1867, quando Charles Warren trabalhou em Ofel para o recentemente formado Fundo de Exploração da Palestina. Através de profundos poços e túneis (para cima de 25 metros), ele localizou parte do que restava das primeiras muralhas. Às suas descobertas pertence a “muralha Warren de Ofel”, a sul da esquina sudeste de Haram esh-Sherîf, que data do tempo do antigo Israel. Descobriu também o poço que os jebuseus cavaram, a fim de providenciarem um acesso que fosse desde a cidade até à nascente de Giom. Fez também escavações junto à Porta da Corrente, em Haram esh-Sherîf, que provaram que a rua actual que dá acesso à Porta se dirige para o “Arco de Wilson”, um antigo viaduto que cruza o Vale Tyropoeon. Entre 1880 e 1881, Hermann Guthe, assistido por Conrad Schick, levou a cabo algumas escavações à volta da saída do túnel de Siloam, na vertente sul do monte a sudeste, pondo a descoberto porções da antiga muralha da cidade, na encosta este do monte a sudeste. Entre 1894 e 1897, Bliss e Dickie exploraram as fortificações a sul da antiga cidade para o Fundo de Exploração Palestiniano. Descobriram a antiga muralha a sudeste do Tanque de Siloam, puseram a descoberto a muralha que atravessava o Vale Tyropoeon, muralha essa que continuava pelas encostas a sul do monte a sudoeste. Durante as escavações clandestinas levadas a cabo, entre 1909 e 1911, pelo Capitão M. Parker (que procurava os tesouros escondidos do Templo), foi desimpedido o túnel de Siloam e L.-H. Vincent foi capaz de indicar no mapa este túnel e também outras partes dos antigos sistemas de água ligados à nascente de Giom. Em 1913, Raymond Weil deu início a umas escavações ambiciosas para o Barão E. de Rothschild, planeando sistematicamente colocar a descoberto toda a zona sul do monte a sudeste. O eclodir da Primeira Grande Guerra logo pôs termo a esta obra. Mas ele descobriu na parte sul do monte a sudeste uma grande torre redonda, provavelmente de origem hebraica. Encontrou também uma inscrição grega da sinagoga de Teodoto. Continuou as suas escavações durante mais uma época (1923 a 1924), durante as quais descobriu uma parte da muralha sul, colocando também a descoberto um túmulo que poderá ter pertencido à necrópole real dos reis de Judá; uma vez que os túmulos desta área há muito que se encontravam todos destruídos e não existia material que não tivesse sido estratigraficamente perturbado, a sua natureza continua incerta. Macalister e Duncan escavaram a zona este de Ofel entre 1923 e 1925 para o Fundo de Exploração da Palestina. A sua principal descoberta foi uma parte de uma fortaleza e de uma torre confinante, que eles interpretaram como pertencendo às fortificações jebusaicas e davídicas e que investigações posteriores mostraram que datavam do tempo de Neemias. Outra escavação importante, efectuada para a Escola Britânica de Arqueologia na Palestina e para o Fundo de Exploração da Palestina, foi levada a cabo por J. W. Crowfoot e G. M. Fitzgerald na zona ocidental do monte a sudeste em 1927. Eles descobriram uma porta da cidade, talvez a “Porta do Vale” do VT, com uma estrada que ia desde esta porta até ao Vale Tyropoeon.
A norte, foram levados a cabo três importantes empreendimentos. Entre 1925 e 1927, Sukenik e Mayer, da Universidade Hebraica de Jerusalém, puseram a descoberto grandes porções da muralha que se situava mais a norte e que eles denominaram por “a terceira muralha”. Outros sectores desta muralha têm vindo a ser descobertos e escavados ocasionalmente desde então. Johns, do Departamento Britânico de Antiquidades, efectuou escavações dentro da Cidadela entre 1934 e 1940, mostrando que as torres do palácio de Herodes se situavam sobre as fundações que remontavam aos tempos helenísticos. Novas escavações levadas a cabo por R. Amiran e A. Eitan entre 1968 e 1969 aperfeiçoaram e completaram o quadro apresentado por Johns. Entre 1937 e 1938, Hamilton, também do Departamento de Antiquidades, levou a cabo algumas sondagens fora da muralha a norte da actual Antiga Cidade e da Porta de Damasco. As escavações efectuadas junto desta porta foram retomadas por Hennessy entre 1964 e 1966. Mostraram que a actual Porta de Damasco se encaixa numa estrutura que foi originalmente construída por Agripa I no século I DC e que foi, mais tarde, reconstruída por Adriano no século II.
Também foram levadas a cabo escavações dentro da cidade, principalmente em conventos e igrejas. Estas escavações esclareceram algumas questões relativas à extensão da Torre de Antónia, à cidade do tempo de Constantino e às estruturas erigidas no seu tempo.
Têm sido efectuadas escavações, com resultados extremamente importantes, desde 1961, primeiro por K. Kenyon até 1967 e desde a guerra dos seis dias, em 1967, por arqueólogos judaicos. Só aqui serão mencionadas as mais importantes.
As escavações de Kenyon clarificaram e corrigiram descobertas anteriores das fortificações antigas na zona este de Ofel. Ela descobriu as muralhas jebusaicas e davídicas da antiga Jerusalém e provou que as ruínas das fortificações (que se pensavam ser do tempo dos jebuseus e de David) foram, de facto, erigidas por Neemias.
Em Muristan, a sul da Igreja do Santo Sepulcro, foi escavado um fosso no leito de uma rocha, mostrando que esta área se situava fora das muralhas da cidade no tempo de Cristo. Estas provas foram mais tarde confirmadas por escavações levadas a cabo por U. Lux durante as obras de restauro da Igreja Luterana do Redentor, que se situa entre Muritan e a Igreja do Santo Sepulcro. Estas descobertas mostraram que o Santo Sepulcro, construído no século IV e no local que os cristãos contemporâneos consideravam como sendo o lugar onde a crucificação e o sepultamento de Cristo aconteceram, se localizava num sítio que, no tempo de Cristo, ficava fora da cidade. Portanto, é possível que este local tradicional seja o local dos sofrimentos e ressurreição de Cristo.
As escavações efectuadas por Mazar desde 1968 a oeste e a sul da área do templo colocaram a descoberto, para além das ruínas da Jerusalém bizantina e islâmica, importantes achados da cidade herodiana do tempo de Cristo. Estes achados incluíam umas escadas monumentais com 64 metros de largura e que iam desde Ofel, a zona baixa de Jerusalém, até à Porta de Hulda, que dava acesso à área do Templo, para quem vinha do sul.
As escavações realizadas no bairro judaico da Cidade Velha desde 1969 sob a direcção de Avigad mostraram as ruínas de várias casas destruídas em 70 DC. Ainda continham muitos dos seus utensílios e móveis. A mais importante descoberta, contudo, foi uma secção da muralha da cidade, erigida no século VIII AC provavelmente pelo rei Ezequias, que cercou a nova área situada no monte ocidental de Jerusalém. Foram escavados cerca de 65 metros desta muralha, que tem cerca de 7 metros de largura e que foi preservada até uma altura de 3 metros. Também foi descoberta por Avigad uma torre pertencente à muralha ocidental de Jerusalém e que se provou ter sido destruída pelos babilónios em 586 AC. Estas descobertas necessitaram da correcção do plano da antiga Jerusalém.
IV - Os Resultados de Um Século de Investigações Arqueológicas em Jerusalém - Embora ainda não tivessem sido resolvidos muitos dos problemas históricos e topográficos, poderão mencionar-se alguns resultados positivos. A localização e tamanho da Jerusalém jebusaica e da Cidade de David foram estabelecidos com toda a certeza. Também o percurso das muralhas dessa cidade mais antiga e a localização de algumas das suas portas podem agora ser conhecidos. As obras relativas ao transporte de água efectuadas pelos jebuseus e por Ezequias foram exploradas. Também a extensão aproximada da área do templo e a localização do templo dentro dessa área foram estabelecidas. Igualmente conhecidas são a localização e extensão da Torre de Antónia, do palácio de Herodes, do tanque de Betesda, do tanque de Siloam, da nascente de Giom, do poço de Enrogel e dos Vales Cedrom e Hinom. Ainda por conhecer está a maior parte do percurso exacto das muralhas da cidade durante os vários períodos da história da antiga Jerusalém.

Jeoiaquim, Aquele que Deus estabeleceu. Segundo filho de Josias e 18º rei de Judá, reino que ele governou durante 11 anos (610-599 a.C.). O seu nome original era Eliaquim.
Quando o seu pai morreu, o seu irmão mais novo Jeoacaz (Salum, Jr 22:11), que favoreceu os caldeus contra os egípcios, foi feito rei pelo povo. Mas o rei do Egipto, Faraó-Neco, invadiu o país e depôs Jeoacaz (2Rs 23:33, 34; Jr 22:10-12), colocando Eliaquim no trono, em seu lugar e mudando-lhe o nome para Jeoiaquim.
Depois disso, o rei do Egipto não mais tomou parte da política judaica, tendo sido derrotado pelos caldeus em Carquemis (2Rs 24:7; Jr 46:2). A Palestina foi invadida e conquistada por Nabucodonozor. Jeoiaquim foi feito prisioneiro e levado cativo para Babilónia (2Cr 36:6, 7). Foi nesta altura que Daniel e os seus três companheiros foram levados cativos para a Babilónia (Dn 1:1, 2). Nabucodonozor voltou a colocar Jeoiaquim no trono mas tratou-o como um rei vassalo. Um ano depois, Jeremias conseguiu que as suas profecias fossem lidas por Baruque no pátio do templo. Jeoiaquim, ouvindo isto, quis que elas fossem também lidas no palácio real perante ele. As palavras desagradaram-lhe e, tomando o rolo das mãos de Baruque, cortou-o em pedaços, atirando-o para o fogo (Jr 36:23). Durante o seu desastroso reinado, voltou-se à idolatria e corrupção dos dias de Manassés.
Após três anos de sujeição a Babilónia, Jeoiaquim revoltou-se contra Nabucodonozor (2Rs 24:1), esperando tornar-se independente. Mas este enviou as tropas dos caldeus, dos sírios e dos amonitas (2Rs 24:2), a fim de castigar o seu rebelde vassalo. Eles atormentaram cruelmente todo o país (comp. Jr 49:1-6). O rei teve uma morte violenta e o seu corpo foi atirado por sobre o muro de Jerusalém, a fim de convencer o exército sitiado de que ele estava morto, após o que foi levado e sepultado fora dos portões de Jerusalém, “numa sepultura de jumento”, em 599 a.C. (Jr 22:18, 19; Jr 36:30). Nabucodonozor colocou o seu filho Joaquim no trono, desejando manter, ainda, o reino de Judá como um tributário seu.

Nabucodonozor, Na ortografia babilónica Nabu-Kudur-Uzur significa “Nebo, protege a coroa!”, ou “fronteiras.” Numa inscrição, ele chama-se a si próprio “o favorito de Nebo.” Foi filho e sucessor de Nabopolassar, que livrou Babilónia da sua dependência da Assíria e deixou Nínive em ruínas. Foi o maior e mais poderoso de todos os reis babilónios. Casou com a filha de Ciaxares e, assim, as dinastias Medo e Babilónica se uniram.
Neco II, o rei do Egipto, obteve uma vitória sobre os assírios, em Carquemis. Isto assegurou ao Egipto a possessão das províncias sírias da Assíria, incluindo a Palestina. As restantes províncias da Assíria foram divididas pela Babilónia e pela Média. Mas Nabopolassar ambicionava reconquistar a Nebo as províncias ocidentais da Síria e, para isso, enviou o seu filho com um poderoso exército (Dn 1:1). Os egípcios encontraram-se com ele em Carquemis, onde se travou uma grande batalha, que teve como resultado a derrota dos Egípcios. Estes tiveram que se retirar (Jr 46:2-12) e a Síria e a Fenícia ficaram novamente sujeitas a Babilónia (606 AC). A partir daí, “o rei do Egipto nunca mais saiu da sua terra” (2Rs 24:7). Nabucodonozor também subjugou toda a Palestina e tomou Jerusalém, levando cativos muitos judeus, entre os quais se encontravam Daniel e os seus companheiros (Dn 1:1; Jr 27:19; Jr 40:1).
Três anos depois, Jeoiaquim, que reinava em Jerusalém como vassalo de Babilónia, rebelou-se contra o opressor, contando com a ajuda dos egípcios (2Rs 24:1). Isto fez com que Nabucodonozor conduzisse novamente o seu exército sobre Jerusalém, que se lhe rendeu imediatamente (598 AC). Lutaram contra eles uma terceira vez, Jeoiaquim foi deposto e Nabucodonozor levou-o para Babilónia, juntamente com uma grande quantidade da população da cidade, assim como os vasos sagrados do templo, colocando Zedequias no trono de Judá, em seu lugar. Ele também, sem prestar atenção aos avisos do profeta, fez uma aliança com os egípcios e rebelou-se contra Babilónia. Isto fez com que a cidade fosse novamente sitiada, tendo sido posteriormente tomada e, por fim, destruída (586 AC). Zedequias foi levado cativo e foram-lhe tirados os olhos, por ordem do rei da Babilónia, que fez dele seu prisioneiro até ao fim da sua vida.
Um camafeu de ónix, que actualmente se encontra no museu de Florença, contém uma inscrição em forma de seta que é, certamente, antiga e genuína. O perfil protegido por um capacete também é genuíno mas é mais provável que seja o retrato de um usurpador no tempo de Dario (Histaspes) chamado Nidinta-Bel, que tomou o nome de “Nebuchadrezzar”. A inscrição foi traduzida desta maneira: “Em honra de Merodaque, seu senhor, Nabucodonozor, rei da Babilónia, durante a sua vida mandou fazer isto.”
Uma tabuinha de barro, que actualmente se encontra no Museu Britânico, contém a seguinte inscrição, sendo a única que foi descoberta e onde são mencionadas as guerras que travou: “No 37º ano de Nabucodonozor, rei do país da Babilónia, dirigiu-se ao Egipto (Misr) para guerrear. Amasis, rei do Egipto, reuniu (o seu exército), avançou, espalhando-se em diferentes direcções”. Assim se cumpriram as palavras do profeta (Jr 46:13-26; Ez 29:2-20). Tendo subjugado a Fenícia e infligido um castigo ao Egipto, Nabucodonozor dedicou-se a reconstruir e a adornar a cidade da Babilónia (Dn 4:30), dando ao seu reino uma maior grandeza e prosperidade através da construção de canais, aquedutos e reservatórios, ultrapassando em grandeza e magnificência tudo o que, no género, é mencionado na História (Dn 2:37). É representado como o “rei dos reis”, governando sobre um vasto império constituído por muitas províncias, com uma longa lista de oficiais e governadores que agiam sob as suas ordens, sátrapas, prefeitos e presidentes, juizes”, etc. (Dn 3:2, Dn 3:2, ou talvez o oriente em geral, alguma vez produziu. Ele deve ter possuído imensos trabalhadores. Nove décimos da própria Babilónia e 19/20 de todas as outras ruínas que em grande profusão cobrem a terra são compostas por tijolos estampados com o seu nome. Ele parece ter construído e restaurado quase todas as cidades e templos de todo o país. As suas inscrições fornecem-nos um elaborado registo de todas as obras que ele fez em e à volta de Babilónia, ilustrando a sua jactância: ‘Não é esta a grande Babilónia que eu construí?’”
Depois do incidente da “fornalha ardente” (Dn 3), à qual os três hebreus foram lançados, Nabucodonozor foi afligido por uma doença mental muito peculiar, como castigo pelo seu orgulho e vaidade, provavelmente a forma de loucura conhecida por licantropia (i.e., “homem que se transforma em lobo”). A narrativa da Escritura é notavelmente confirmada pela recente descoberta de um degrau de bronze que contém uma inscrição afirmando que terá sido oferecido por Nabucodonozor ao grande templo de Borsipa como oferta votiva e relativa à sua recuperação de uma doença terrível.
Viveu durante mais alguns anos após a sua recuperação e morreu em 562 AC com 83 ou 84 anos, após um reinado de 43 anos, tendo sido sucedido pelo seu filho Evil-Merodaque a quem, após um reinado de dois anos, sucedeu Neriglissar (559-555), tendo a este, sucedido Nabonadio (555-538). No fim do reinado deste rei (menos de um quarto de século após a morte de Nabucodonozor), a Babilónia caiu sob os exércitos de Ciro, exércitos conjuntos da Média e da Pérsia.
“Examinei,” diz Sir H. Rawlinson, “alguns tijolos pertencentes a centenas de cidades diferentes, na vizinhança de Bagdade e nunca encontrei nenhuma outra lenda que não fosse a de Nabucodonozor, filho de Nabopolassar, rei da Babilónia.” Nove décimos de todos os tijolos de entre as ruínas da Babilónia estão estampados com o seu nome.

Judeia, Gr. Ioudaia, uma forma adjectival da forma aramaica Yehûday, “(pertencente a) Judá”, ou “(a terra de) Judá”, Por algum erro de tradução, encontramos “Judeia” no VT uma vez (Ed 9:9), como tradução do Heb. Yehûdah e uma vez em algumas versões (cap. Ed 5:8), como tradução de Yehûd, que é o equivalente aramaico para Yehûdah. Contudo, ambos os termos deverão ser traduzidos por “Judá”, nome este que aparece repetidamente em Esdras e Neemias (Ed 1:2, 3; Ed 3:9; Ne 2:5; Ne 6:7, etc.). “Judeia” é, mais propriamente, a forma latinizada do Gr. Ioudaia, enquanto que “Judá” em Gr. é Ioudas. O termo Judeia refere-se, em primeiro lugar, à área da Palestina a sul de Samaria ocupado pela antiga Judá; em segundo lugar, a toda a terra dos judeus com várias fronteiras. No NT, a Judeia refere-se geralmente à área sul de Samaria (cf. Mt 2.15; Mc 3:7, 8; At 9:31; etc.), embora, às vezes, possa abranger algo mais. Por exemplo, vemos Herodes, que reinou sobre toda a Palestina, ser apelidado de “rei da Judeia” (Lc 1:5).
Este artigo começa, mais ou menos arbitrariamente, no tempo de Alexandre, o Grande, por ser o período em que o domínio e a influência grega - simbolizado pelo termo Judeia, que é o nome grego para o país - se iniciou. Cobre os períodos intertestamental e do NT. Para períodos anteriores, ver tribo de Judá.
1 - O Período Intertestamental - Quando Alexandre conquistou o país que fazia fronteira com o Este do Mediterrâneo, Jerusalém não resistiu; de acordo com Josefo, o sumo sacerdote chegou a recebê-lo como um convidado de honra e como o conquistador mencionado na profecia. Alexandre mostrou-se favorável para com os judeus e instalou alguns na sua nova cidade de Alexandria. Após a sua morte, a Judeia tornou-se parte do território dos seus sucessores, tendo sido primeiramente governada pelos Ptolomeus do Egipto. Contudo, mudou várias vezes de mãos, sendo governada alternadamente pelos Ptolomeus e pelos Seleucidas, da Síria.
Os judeus foram geralmente bem tratados durante os primeiros 150 anos de domínio helenístico. Sob domínio ptolomaico e início do domínio seleucida, eram bastante autónomos. A Judeia era um “Estado do Templo” governada pelo sumo sacerdote e o governador helenístico mostrava-se geralmente satisfeito, desde que o tributo fosse pago regularmente. Os judeus puderam manter os seus costumes e religião, embora entre as classes mais altas houvesse uma tendência crescente para se adoptar a língua, o modo de vestir e os costumes gregos. Contudo, deu-se uma reacção quando Antioco IV tentou helenizar os judeus à força. Em 168 AC, ele ordenou que os judeus deixassem de adorar o Senhor, deixassem de observar o Sábado e pusessem de lado o rito da circuncisão, devendo passar a participar nos serviços pagãos de animais impuros oferecidos a Zeus e Dionísio. Antioco tinha um templo em Jerusalém dedicado a Zeus e ordenou que animais impuros fossem sacrificados no seu altar. O Sábado foi abolido, assim como a Lei. Os livros sagrados dos judeus foram destruídos e aqueles que eram pios e leais à religião dos seus pais foram torturados e mortos. A resistência judaica transformou-se finalmente em revolta, liderada pelos macabeus (Matatias, os seus filhos e os seus seguidores). As primeiras acções tomadas contra os sírios chegaram na forma de lutas de guerrilha mas, sob a liderança de Judas Macabeu, desenrolaram-se verdadeiras batalhas, conseguindo-se extraordinárias vitórias. A sorte nestas batalhas variava de vez em quando mas a Judeia acabou por emergir desta luta como uma nação livre. A partir de 143 AC, declarou-se independente. A partir de 104 AC, transformou-se num reino independente, dominando sobre um vasto território na Palestina que, eventualmente, incluía a Idumeia (Edom), Samaria, a Galileia e certas zonas na Transjordânia e a nordeste do Mar da Galileia. Em 63 AC, Pompeu tomou Jerusalém e a Judeia tornou-se num súbdito de Roma, passando a ser governada pelos últimos governantes macabeus como um reino sujeito a Roma. Em 40 AC, os romanos nomearam um novo governante nativo como rei da Judeia, Herodes, o Grande, de descendência idumaica.
2 - Os Tempos do Novo Testamento - Quando Jesus nasceu, pouco antes da morte de Herodes, o reino da Judeia quase igualava, em tamanho, o reino controlado pelo rei David. Após a morte de Herodes em 4 DC, o reino foi dividido, tendo a Judeia propriamente dita e Samaria sido colocadas sob o domínio do seu filho Arquelau, que recebeu o título de etnarca. Quando Arquelau foi deposto em 6 DC, por causa da sua má administração, a Judeia deixou de ser governada por regentes nativos, passando a ser controlada pela administração provincial romana. Após ter gozado de autonomia local sob o domínio persa, helenístico e romano, a Judeia passou a ser governada directamente por governadores estrangeiros - procuradores romanos que tinham a sua sede em Cesareia. Foram sete os procuradores que governaram a Judeia e Samaria num período de 35 anos e que se opuseram totalmente aos judeus. Então, a Judeia e Samaria foram acrescentadas ao reino de um descendente de Herodes Agripa I - que reinava sobre a Galileia, a Pereia e a região nordeste. Reinou sobre a Judeia entre 41 e 44 DC. Após a sua morte, a Judeia, juntamente com Samaria, passou novamente a ser uma província governada por um procurador. Muitos dos sete procuradores que dominaram sobre o país durante os 22 anos seguintes foram homens egoístas e vis, cujos actos néscios e pouco apropriados para homens de estado contribuíram grandemente para o eclodir da rebelião de 66 DC. Esta guerra teve como resultado a destruição de Jerusalém e do templo por Tito em 70 DC e o fim da nação judaica como tal.

Egipto, Heb. Misrayim, O nome deriva do grego Aiguptos, “casa do (deus) Ptah”, mencionado como Hikuptah nas cartas de Amarna. Os antigos egípcios chamavam à sua terra Km.t, “(a terra) preta”, por causa do contraste entre o solo rico e escuro do fértil vale do Nilo e o deserto que fica para além do rio. Contudo, um outro nome dado ao Egipto pelos seus nativos significaria “duas terras”, ou seja, a união entre o Egipto Superior e o Egipto Inferior. As cartas da Amarna mostram que, no século XIV AC, os cananeus chamavam Misri ao Egipto. A palavra hebraica Misrayim (ver Mizraim) tem duas terminações que apontarão para as duas principais regiões do país, o Egipto Superior e o Egipto Inferior. Os egípcios, hoje em dia, usam o nome arábico Misr.
História:
Cronologia - As principais fontes de informação sobre este difícil assunto são listas antigas de reis, alguns dados astronómicos e dados históricos mencionando os anos de reinado dos reis ou a extensão dos seus reinos. A divisão em dinastias foi efectuada por Manetho, um sacerdote egípcio que escreveu a sua história sobre o Egipto na Grécia e no início do século III AC. Esta obra perdeu-se e só se encontram disponíveis algumas porções em sumários ou referências feitas por Josefo, Africanus e Eusébio. O conseguir-se uma cronologia correcta tem sido a tarefa mais difícil que os egiptólogos tomaram a seu cargo, desde que se conseguiram ler os antigos registos egípcios. Os eruditos ainda não chegaram a conclusões unânimes e não foram estabelecidas datas relativamente à história antiga. As datas fornecidas por eruditos antigos, no que toca ao início da história do Egipto com a primeira dinastia (Petrie: 4777 AC), não são aceites por ninguém. Este acontecimento é situado pelos egiptólogos entre 3100 AC e 2800 AC. Só a partir do Reino Central as datas disponíveis se tornam seguras e a primeira data absoluta a que se chegou, com base em dados astronómicos, é o ano de 1991 AC, o início da 12ª dinastia. No entanto, mesmo no segundo e primeiro milénios AC, existem acontecimentos para os quais não estão disponíveis dados cronológicos, como por exemplo, para a maior parte dos acontecimentos que tiveram lugar durante as dinastias 13-17. Existem também incertezas cronológicas relativamente às dinastias 21-23. Contudo, as dinastias 18-20 estão razoavelmente bem estabelecidas e a cronologia das dinastias 24-30 cria poucos problemas. Estes vários graus de certeza devem ser tidos em mente, ao se considerarem as datas fornecidas nos parágrafos seguintes. As datas fornecidas em ligação com a história do Egipto até à 12ª dinastia são vulgarmente aceites pelos egiptólogos que aderiram à cronologia mais baixa e serão necessariamente as mais correctas.
Pré-história - Praticamente nada se conhece sobre o Egipto antes de a arte da escrita ter surgido na primeira dinastia. As relíquias do Egipto pré-dinástico são compostas por algumas aldeias em ruínas, cerâmica, vasos de pedra, objectos utilitários, armas, algumas esculturas toscas e pinturas murais. Os eruditos dividiram o tempo pré-histórico em períodos aos quais deram nomes baseados nos locais onde os resíduos culturais característicos foram, pela primeira vez, encontrados - Tasiano, Badaniano, Amraciano e Gerzeu. Não existe maneira de se conhecer a extensão destes períodos.
O Reino Antigo - Dinastias 1-6 (2800-2150 AC). No início deste período, deu-se a unificação do Egipto sob o domínio de um rei a quem Manetho chama Menes, embora este nome não se encontre nos antigos registos egípcios. Existem muitas tumbas em Abido e Saqqârah pertencentes aos reis das primeira e segunda dinastias, construídas em tijolo e imitando o estilo de construção mesopotâmico. Muitas das provas apontam para o Vale do Eufrates e do Tigre como o local de origem da antiga cultura dos egípcios. Durante a terceira dinastia, foram erigidas as primeiras estruturas monumentais de pedra. Entre elas encontra-se a Pirâmide do Rei Zoser, assim como as inúmeras estruturas à sua volta que formam os grandes compostos mortuários. Depois, chegou o tempo dos grandes construtores de pirâmides da 4ª dinastia - Khufu, Khafre e Menkaure - que nos deixaram três formidáveis pirâmides em Gîzeh. A sua mestria no tratamento da pedra, tal como se testemunha através de esculturas, estruturas monumentais (tal como as pirâmides) e templos mortuários, nunca foi ultrapassado e raramente foi igualado no antigo Egipto. O Reino Antigo sobressaiu não somente em termos de arquitectura e esculturas mas também no campo das ciências, tais como a matemática e astronomia, sendo visto, em tempos posteriores, como um período clássico. Durante as dinastias 5 e 6, o poder real entrou em declínio, o que é revelado pelo menor tamanho e qualidade mais pobre das pirâmides e outras estruturas tumulares. No século XXII, o Reino Antigo chegou ao fim e a ele se seguiu um período de caos e anarquia, marcado por uma grande pobreza entre a população e uma reavaliação da visão que os egípcios tinham sobre a vida.
O Primeiro Período Intermédio - Dinastias 8-11 (2150-2025 AC). Deve notar-se primeiro que não há qualquer prova da existência, nos registos antigos, daquilo a que Manetho chama a 7ª dinastia; consequentemente, deverá supor-se que esta dinastia nunca existiu, devendo, portanto, ser posta de lado em qualquer discussão histórica sobre a história do antigo Egipto. Os reis do Primeiro Período Intermédio, na sua maioria governantes locais que se apelidavam de reis, foram fracos sucessores dos do Reino Antigo e tentaram, sem sucesso, obter a supremacia sobre todo o país.
Durante este período, deu-se também um grande influxo de asiáticos - provavelmente amorreus que surgiram nesta altura em todo o Próximo Oriente. Dominaram sobre partes do Delta e fizeram da cidade de Athribis a sua capital. Eram habitualmente acusados pelos seus contemporâneos de serem os causadores de todos os problemas e misérias desse tempo. Quando a forma central de governo se desmoronou, surgiram muitas ilegalidades e uma grande crise económica levou o país à bancarrota. Contudo, quando desapareceram as posses materiais, deu-se uma busca profunda pelos valores reais. Isto reflecte-se claramente no florescimento excepcional da literatura nesse tempo.
O Reino Central - Dinastias 11-12 (2025-1780 AC). Um dos reis da 11ª dinastia de Tebes, no Egipto Superior, foi capaz de pôr termo às condições caóticas desse período, colocando todo o país sob o seu domínio. O resultado foi o regresso de um reino forte e unido, com uma administração ordenada. Este facto deu início ao Reino Central. Mais tarde, uma revolução abriu caminho para uma mudança de dinastias mas os reis da 12ª dinastia deram continuação à poderosa governação dos seus antecessores. Transferiram a capital para Lisht, no Egipto Central e procuraram tornar-se governantes responsáveis para o seu povo. Treinaram os seus sucessores, promoveram o comércio com o estrangeiro, exploraram as minas da Núbia e do Sinai e levaram a cabo expedições na Palestina e na Líbia. Ao mesmo tempo, construíram fortificações para protegeram as suas fronteiras da intrusão de estrangeiros.
O Segundo Período Intermédio - Dinastias 13-17 (1780-1590 AC). Mais uma vez o Egipto passou por um período de caos e domínio estrangeiro. Esta segunda quebra da ordem e do governo centralizado foi causada pela intrusão dos Hiksos, um povo misterioso a quem Josefo chamou reis-pastores. Parecem ter feito parte da grande migração dos povos que, nessa altura, inundaram o Próximo Oriente e que foi responsável pela destruição de vários reinos e pelo surgimento de novos reinos, tais como o Império Heteu, na Ásia menor; o Reino Hurreu, de Mitanni, no Eufrates Superior e o Reino dos Casseus, na Baixa Mesopotâmea.
Os Hiksos (o seu nome significa “governante de países estrangeiros), que vieram da Ásia para o Egipto, eram em parte semitas e em parte hurreus. Trouxeram com eles um novo veículo de guerra, o cavalo e os carros, que transformou a vida militar, tanto quanto o tanque no século XX. Não se sabe, por falta de provas documentais, se entraram no Egipto num período de paz, tomando o país a uma administração fraca, ou se o conquistaram pela força. Os egípcios, mais tarde, destruíram todas as provas que lhes recordavam os seus opressores estrangeiros.
Os Hiksos estabeleceram a sua capital em Avanis (a grega Tanis e a Zoã bíblica), no delta oriental. Os seus reis mais fortes governaram provavelmente sobre todo o Vale do Nilo; outros não controlaram mais do que certas áreas restritas. Os governantes nativos continuaram a ser reconhecidos pelos egípcios e pelos hiksos como administradores de certos territórios. Por volta de 1600 AC, o príncipe de Tebes começou a lutar pela libertação do Egipto do domínio estrangeiro. As campanhas de três reis sucessivos - Sekenen-Re, Kamose e Ahmose - terminaram com a derrota total dos Hiksos, a conquista de Avanis e a expulsão dos opressores. Os Hiksos estabeleceram-se durante alguns anos em Sharuhen, no sul da Palestina, mas após uma campanha de três anos (ou três campanhas anuais; o registo é ambíguo), os egípcios expulsaram-nos também dessa região, após o que desapareceram da história. Deste modo, por volta de 1570 AC, o Egipto encontrou-se novamente livre, iniciando-se o período mais glorioso de toda a sua história.
O Novo Reino Antes do Período Amarna - Início da 18ª dinastia (1590-1380 AC). Ahmose, o rei de Tebes, tornou-se aparentemente no pai de uma nova dinastia, embora a linha ancestral dos reis da 17ª dinastia não tivesse sido quebrada. Os seus sucessores foram governantes particularmente fortes mas, peculiarmente, durante várias gerações, só nasceram raparigas e vários dos reis que existiram não passaram de príncipes consortes. Tal aconteceu com os primeiros três Thutmose e foi esta a razão porque uma mulher, a famosa Hatshepsut, governou o Egipto como “rei”.
Sob o domínio de Amenhotep I, a Núbia tornou-se novamente numa parte integrante do país do Nilo e as minas do Sinai foram exploradas. Thutmose I (1542-1524 AC) levou a cabo campanhas militares na Palestina e na Síria, chegando até ao Eufrates. No tempo de Hatshepsut (1504-1486 AC), foram enviadas expedições comerciais até Punt (provavelmente a Somália, na África Oriental), tendo-se desenvolvido grandemente a construção civil. Após o forte mas pacífico domínio de Hatshepsut, Thutmose III (1486-1450 AC), que fora seu co-regente durante alguns anos, deu início a uma série de campanhas militares na Palestina e na Síria, que fez com que o Egipto atingisse o pico da sua glória. Ele criou o mais poderoso império que existiu no segundo milénio AC e que se estendia desde o Eufrates até à sexta catarata do Nilo. Construiu-se um forte governo central e, pela primeira vez, a nação possuía um poderoso exército de profissionais, com guarnições em todas as partes do império. Os tesouros de todo o mundo que fluíam para o Vale do Nilo capacitaram os Faraós egípcios com meios para se dedicarem à construção de empreendimentos de proporções fenomenais. O mundo nunca vira nada igual.
O Período Amarna - Finais da 18ª dinastia (1380-1360 AC). O Período Amarna foi somente um pequeno interlúdio na história do Egipto mas o mais intrigante e importante também. Alguns desenvolvimentos que precederam o Período Amarna são dignos de nota no final do século XV e início do século XVI AC, mas nada de tangível é conhecido até que Amenhotep IV (1381-1364 AC) surge na história como rei do Egipto. Ele surge como um fanático monoteísta adorador de Aton, o sol. A oposição a esta revolução religiosa foi muito forte na capital, Tebes, onde o politeísmo, especialmente o culto a Amom, estava fortemente implantado; por isso, ele mudou a capital para um novo local, Akhetaton (agora Amarna), que se situa a meio caminho entre Tebes e Menfis. Com os antigos templos fechados e os seus sacerdotes despedidos, com os antigos deuses suprimidos e os seus adoradores perseguidos, foi construído um novo templo, em Akhetaton, dedicado ao sol. O rei, que mudara o seu nome para Ikhnaton, dedicou-se de todo o coração à interpretação e disseminação da nova religião e culto. Contudo, ele não era suficientemente forte para mudar completamente as crenças enraizadas da população e no fim do seu reinado nota-se uma rejeição menos fanática da antiga religião. Com a sua morte, este movimento terminou. O seu sucessor, Tutankhaton (13361-1353 AC), um genro, foi forçado a voltar para Tebes. Ao mudar o seu nome para Tutankhamen e ao reabrir os antigos templos, ele mostrou que tudo voltaria à sua antiga ordem e que a revolução Amarna morrera. A revolução de Ikhnaton foi a única tentativa de se introduzir o monoteísmo no Egipto, até surgir o cristianismo, que triunfou sobre o paganismo, cerca de dezasseis séculos mais tarde.
Ikhnaton, mais interessado nas reformas religiosas do que nos seus deveres políticos e administrativos, compôs e cantou hinos a Aton, em vez de prestar atenção aos frenéticos apelos de ajuda vindos dos seus súbditos e amigos na Ásia. Vemos que toda a Síria e a maior parte da Palestina escaparam ao controlo dos egípcios naqueles tempos fatídicos e os reis que lhe sucederam eram demasiado fracos e estavam demasiadamente empenhados em fazer parar a ruptura do império.
O Novo Reino Após o Período Amarna - Dinastias 18-20 (1360-1101 AC). Depois que a revolução de Amarna terminou, a antiga religião e o antigo estilo de vida foram rapidamente reimplantados e não demorou a que todos os traços de levantamento religioso desaparecessem. Harmhab (1349-1322 AC), o primeiro governante forte após o período de restauração, manteve-se bastante ocupado na restauração da ordem e da autoridade dentro das suas fronteiras, não tendo tempo para reconquistar os territórios perdidos da Ásia.. Foi isto que Seti I (1322-1394 AC) começou a fazer, subjugando várias cidades fortes do Vale de Esdraelon, na Palestina e mantendo o controlo da área costeira que as ligava ao Egipto. Nas circunstâncias em que se encontrava, ele não podia fazer muito mais.
O seu sucessor, Ramsés II, governou durante quase setenta anos (1304-1238 AC). Lutou contra os heteus em Cades e depois assinou um tratado concedendo-lhes a posse da Síria. Tornou-se mais conhecido do que qualquer outro rei do Egipto porque o seu longo reinado o capacitou para levar a cabo um extenso programa de construções. Apropriou-se de vários edifícios pertencentes a reis anteriores, desmantelou-os e usou os materiais nas suas próprias estruturas, nas quais colocou o seu nome, como construtor.
Durante o reinado do seu filho e sucessor, Merneptah, uma migração de bárbaros vindos do ocidente, os chamados Povos do Mar, invadiu os países civilizados do oriente. Estes recém-chegados pressionaram os líbios que, por seu turno, se viraram para o Egipto, forçando Merneptah a lutar contra os seus vizinhos ocidentais. O Império Heteu desapareceu devido aos ataques implacáveis destes Povos do Mar, que tinham invadido a Ásia Menor. Quando Ramsés III (1196-1165 AC) subiu ao trono, corria pelo Egipto um medo mortal a estes invasores mas ele conseguiu refrear esta maré, derrotando-os e fazendo-os voltar para trás. Alguns dos seus remanescentes permaneceram no país, tal como os filisteus, que se instalaram na costa ocidental da Palestina. Ramsés III salvou o Egipto do perigo externo e também promoveu a segurança interna do seu país. Contudo, na última parte do seu reinado, o país entrou em declínio, o que foi acelerado pelos fracos reis que lhe sucederam. Por isso, o Egipto tornou-se num país de segundo ou terceiro nível. A principal razão da séria crise económica que atravessou foi a perda das possessões estrangeiras e do comércio ultramarino. Tal facto transformou-se em corrupção no país, desordens no exército, greves entre os trabalhadores governamentais, pilhagem de túmulos reais e um sentimento generalizado de insegurança económica e pessoal. Nessa altura, o poder do sumo sacerdote de Amom aumentou, até que este passou a dominar o país.
O Domínio dos Reis-Sacerdotes, Líbios, Etíopes e Assírios - Dinastias 21-25 (1101-663 AC). Durante a 21ª dinastia, reis rivais reinaram em Tanis e Tebes, sendo o de Tebes o sumo sacerdote de Amom. O Egipto encontrava-se numa situação tão debilitada, que até os seus embaixadores foram humilhados em países estrangeiros. A união foi mais uma vez conseguida por reis de descendência líbia, que formaram a 22ª dinastia, ou dinastia líbia. O primeiro destes reis, Sheshonk I (o Sisaque bíblico) (950-? AC), efectuou uma tentativa ambiciosa para restaurar o império. Contudo, a sua campanha militar na Palestina não obteve um sucesso duradoiro, não restaurando os territórios perdidos a este de Egipto, embora tivesse conquistado Jerusalém e muitas outras fortalezas de Judá e Israel. Os sucessores de Sheshonk foram governantes fracos e o Egipto continuou somente uma sombra do seu passado.
Após um reinado de quase 200 anos por parte dos líbios, os egípcios recuperaram o trono (24ª dinastia) (750-715 AC) mas ocuparam-no somente durante alguns anos. Não demorou a que fossem substituídos pelos etíopes, de Núbia, que, como reis da 25ª dinastia (750-663 AC), dominaram os egípcios durante quase nove décadas. Os Faraós etíopes tiveram que lutar contra os assírios que, nessa altura, se tinham tornado na nação mais poderosa do mundo. Em 670 AC, Esaradom, da Assíria, conquistou o Egipto e transformou-o numa província assíria, estatuto esse que se manteve durante vários anos.
Os Reis Saitas - Dinastia 26 (663-525 AC). Durante esta dinastia, o Egipto passou por um período de razoável prosperidade. Os seus reis nativos, cuja capital era Sais, no Delta Ocidental, recuperaram algum do seu há muito perdido prestígio internacional. Governando durante o período em que o poder assírio entrou em declínio, os reis saitas restabeleceram uma semelhança com a forte governação que já dominara o Egipto. Ousaram sonhar com a reconstrução do seu antigo império na Ásia e desafiaram o reino neo-babilónico, que tinha emergido como um novo poder na Mesopotâmea. Neco, o rei do Egipto, não só se aventurou em campanhas na Ásia, como também, e durante vários anos, se manteve na posse de toda a Palestina e Síria, até ao Eufrates. Contudo, a sua derrota em Carquemis às mãos do príncipe babilónio Nabucodonozor (605 AC) terminou com todas as aspirações egípcias na Ásia. A partir daí, os egípcios ficaram confinados ao seu próprio país. Uma tabuínha cuneiforme indica que sofreram a invasão babilónica provavelmente no reinado de Amasis. Contudo, os governantes egípcios mantiveram-se no trono durante o período do Império Babilónico.
Persas e Últimos Reis Nativos - Dinastias 27-31 (525-333 AC). Cambises, segundo rei do Império Persa, conquistou o Egipto em 525 AC, tornando-o numa satrapia persa. Entretanto, o Egipto encontrou-se novamente sob o domínio de um rei nativo, desde o tempo de Dario II até ao reinado de Artaxerxes III. Nesse período, reis egípcios, pertencentes a três dinastias (28-30), ocuparam o trono dos Faraós. Os persas voltaram em 341 AC, pondo fim ao domínio nativo. Contudo, este segundo domínio persa, mencionado por Manetho como a 31ª dinastia, não esteve no poder por muito tempo, terminando com a entrada vitoriosa de Alexandre no Egipto em 332 AC.
Egipto Romano e Helenístico - Com as vitórias esmagadoras de Alexandre sobre os exércitos persas, os governadores helenísticos tomaram conta das áreas conquistadas, entre as quais se encontrava o Egipto, que passou a ser administrado por Ptolomeu. Vinte anos depois da morte de Alexandre, Ptolomeu nomeou-se a si próprio rei do Egipto e os seus descendentes reinaram durante quase 300 anos. Alexandria foi fundada como cidade grega e certas partes do Delta foram helenizadas mas o resto do Egipto continuou como antes, passando por poucas mudanças. Com a chegada dos romanos, o Egipto tornou-se numa dependência desta poderosa república. Depois que Octaviano (Augusto) o conquistou, em 30 AC, no ano que se seguiu à batalha de Actium, o Egipto tornou-se numa província romana sob o domínio directo do Imperador. Era este o seu estatuto no tempo dos apóstolos.

Babilónia, Heb. Babel, Um nome geralmente atribuído ao sul da Mesopotâmea, zona que se estende desde o Golfo Pérsico até à latitude 34º. Este país era formado por depósitos aluviais e era muito fértil mas, uma vez que não chovia ali muito, era preciso recorrerem à irrigação. Nos tempos antigos, toda uma rede de canais trazia a água para todas as partes daquela área, tornando toda a região num virtual jardim de Deus. Inscrições antigas referiam-se a este país como Suméria ou Acádia, sendo a Suméria a secção sul do Golfo Pérsico, rondando a latitude 32º e a Acádia a secção norte. Ambas as secções eram salpicadas por inúmeras cidades grandes e pequenas. As cidades mais importantes da Suméria eram Ur, Uruk (a Ereque bíblica), Eridu, Nippur, Lagash, Larsa e Isin. Da Acádia eram: Babilónia, Kish, Cuthah, Borsippa e Sippar. Certos textos bíblicos dão o nome de Sinear à Acádia (Gn 10:10; Gn 11:2; Is 11:11) e outros chamam-lhe terra dos caldeus (Jr 24:5; Jr 25:12; Ez 12:13).
Os primeiros habitantes da parte sul desta região foram os sumérios, que falavam uma língua que não tinha qualquer afinidade com nenhuma outra língua conhecida, antiga ou moderna. Os sumérios desenvolveram um alto nível de civilização, inventaram a arte da escrita e dois sistemas de calculo - os sistemas decimal e sexagesimal. Dividiram o país em várias cidades-estado. As suas principais divindades eram Anu, o deus-céu; Enlil, deus da atmosfera; Dingirmah, deusa da terra e da fertilidade e Ea, deus das águas. De acordo com a chamada “baixa cronologia”, o primeiro período sumério foi substituído pela Dinastia Acadiana, no século XXIV AC, quando os governantes semíticos derrotaram os sumérios e tomaram todo o país. O grande rei Sargon, da Acádia, criou um império que se estendia desde o Golfo Pérsico até ao interior da Ásia Menor. Após um século de governação, esta dinastia foi deposta, ao se dar a invasão do povo das montanhas, os Guti. Dominaram sobre toda a Mesopotâmea, embora algumas cidades tenham gozado de uma certa autonomia, tal como a próspera Lagash, sob as ordens de Gudea, o seu capaz governante. Os Guti foram afastados pelos sumérios, após pouco mais de um século de governação. Os sumérios, por esta altura, experimentavam o renascimento do seu poder. Estabeleceram a terceira dinastia de Ur, a mais forte, que governou a Baixa Mesopotâmea desde 2070 até 1960 AC. Os reis desta dinastia codificaram as suas leis e construíram um império económico próspero e forte. Após a queda de Ur, o poder transferiu-se para as cidades de Isin e Larsa, onde permaneceu durante mais de 100 anos. No século XIX aC, o país foi invadido duas vezes - uma pelos elamitas, vindos das montanhas a este e outra pelos amorreus, vindos do deserto sírio. Os últimos fundaram a primeira dinastia forte da Babilónia por volta de 1830 aC. O sexto rei desta dinastia foi o famoso Hammurabi (1728-1686 AC). Derrotou o último rei de Larsa e dominou sobre praticamente todo o Vale da Mesopotâmia. Babilónia tornou-se na capital do império. Hammurabi é mais conhecido como legislador, embora tivesse sido muito mais do que isso. Foi também um sábio administrador e um patrocinador da literatura e da arte. A sua dinastia teve o seu fim por volta de 1550 AC, com a invasão dos hititas, sob o comando de Mursilis I. Estes invasores saquearam Babilónia, capturaram o seu rei e levaram a estátua de ouro do seu principal deus - Marduk. Durante este mesmo período, os cassitas, vindos do nordeste, invadiram o país e, durante vários séculos, dominaram sobre a Baixa Mesopotâmia. A sua capital era Dûr Kurigalzu, agora ‘Aqarquf, alguns quilómetros a oeste de Bagdad. A correspondência que um dos reis cassitas manteve com os reis do Egipto foi preservada, encontrando-se entre as Cartas de Amarna.
No século XIII AC, os assírios, então governados por Tukulti-Ninurta I, invadiram Babilónia. Também eles levaram a estátua de ouro de Marduk. Durante seis séculos, Babilónia esteve mais ou menos sob a dependência da Assíria. Era frequente ocorrer algumas rebeliões contra o jugo estrangeiro mas eram regularmente reprimidas. Tiglath-Pileser III (745-727 AC), que introduziu algumas inovações políticas e militares, coroou-se a ele próprio como rei da Babilónia, sob o nome de Pul. Sargon II também reinou como rei da Babilónia, mas Senaqueribe, cansado das constantes rebeliões, destruiu a cidade de Babilónia em 689 AC. Esaradom reconstruiu-a, após o que a cidade entrou no seu período mais florescente. Em 626 AC, Nabopolassar, um oficial caldeu, subjugou os assírios, declarando-se rei da Babilónia, tal como o fizera um dos seus parentes tribais, Marduk-apal-iddina, o Merodaque-Baladã bíblico, um século antes. A declaração de independência por parte de Merodaque-Baladã durou apenas dezoito anos mas o novo reino foi um sucesso, tornando-se num império que logo sucedeu ao dos assírios. Depois de Nabopolassar ter lutado contra os assírios durante vários anos com um sucesso desigual, juntou-se aos Medos e, com a ajuda deles, depois de um cerco de três meses, conquistou Ninive em 612 AC. Quando os conquistadores dividiram o Império Assírio, o rei babilónio ficou com toda a Mesopotâmia, a Síria e a Palestina. Foi-lhe necessário lutar contra o que restava da resistência assíria na Mesopotâmia Superior durante mais alguns anos e também com os egípcios, que tinham ajudado os assírios e que tentaram conquistar a Síria e a Palestina. Em 605 AC, Nabucodonozor, ainda príncipe, derrotou Neco, do Egipto, primeiro em Carquemis e depois em Hamate. Mais tarde, nesse mesmo verão, o seu pai morreu e ele sucedeu-lhe no trono. Seguiram-se campanhas anuais na Síria e na Palestina. Jerusalém foi conquistada várias vezes e após a terceira captura, em 586 AC, a cidade rebelde foi destruída e a sua população deportada para Babilónia.
Nabucodonozor foi um rei forte e um grande construtor. Ele praticamente reconstruiu a cidade de Babilónia e erigiu muitas estruturas noutras cidades. Após um bem sucedido reinado de mais de quarenta anos, seguiram-lhe vários governantes fracos, sob cuja ineficiente governação o império rapidamente se deteriorou. O seu filho Amel-Marduk, o Evil-Merodaque bíblico, reinou durante apenas dois anos (562-560 AC) e foi depois assassinado, tendo-lhe sucedido o seu cunhado Nergal-shar-usur, que reinou em Babilónia durante quatro anos (560-556 AC). Seguiu-lhe o seu filho Labashi-Marduk, que foi assassinado após um reinado de menos de dois meses. Os assassinos colocaram no trono um dos conspiradores - Nabonido. Este, vendo que a Pérsia representava um perigo, aliou-se ao Egipto, à Lídia e a Esparta. Fez também campanhas na Arábia e estabeleceu a sua residência em Tema, no noroeste da Arábia, aí vivendo durante alguns anos. Entretanto, o seu filho mais velho, Belsazar, foi nomeado co-regente, passando a governar em Babilónia. Em Outubro de 539 AC, apenas 23 anos após a morte de Nabucodonozor, o império cai nas mãos de Ciro, o Persa, quase sem luta. Ciro forçou a sua entrada no Vale da Mesopotâmia numa batalha em Opis e, dias depois, a capital foi subjugada, sem luta, pelos persas. Com a sua queda, terminou a história de Babilónia como poder independente. O reino tornou-se parte do Império Persa e foi, mais tarde, reduzido a uma província. O território foi depois subjugado por Alexandre, o Grande, pertencendo sucessivamente aos seleucidas, parcianos, sassanidos e outros; actualmente faz parte do Iraque.
Bibliografia.
Biblia Online, Mundo Bíblico.
Por Dc. Alan Fabiano

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