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quinta-feira, 15 de abril de 2010

ANUNCIANDO OUSADAMENTE A PALAVRA DE DEUS

INTRODUÇÃO
A situação moral e espiritual de Judá era crítica. Face tal situação Deus manda Jeremias a pregar na porta do templo (Jr 7.2), quebrando todos os protocolos e formalidades inerentes às cerimônias do templo. Isso revela quão urgência Deus tinha em dar uma mensagem de correção ao seu povo, para que os mesmos voltassem a adorá-Lo com sentimento e não “mecanicamente”. Este modo de servir a Deus precariamente aconteceu nos tempos de Jeremias (Jr 7.4) e demais profetas (Is 29.13), nos tempos de Jesus (Mt 15.8) e atualmente no meio do povo de Deus. Nesta lição aprenderemos que devemos nos posicionar de forma mais intrépida (At 28.31) para anunciar as verdades bíblicas a tempo e fora de tempo (2 Tm 4.2) a todos quantos necessitarem independente de sua posição espiritual e muito menos eclesiástica.

I. JEREMIAS É CHAMADO A PREGAR NA PORTA DO TEMPLO
1. O ambiente da pregação (v.2)
O fato de Jeremias ter se posicionado na porta do templo é de grande importância, vejamos;
- v.2. Põe-te à porta da Casa do Senhor. Deus queria deixar claro para o povo que Ele estava presenciando toda imoralidade por eles cometida, e que tal pecado exigia uma resposta enérgica de Deus. Com esta dura mensagem todos viras que o Senhor Deus não é só o agente para ser adorado, mas também era e é o dono do templo, portanto, não se limita a normas e procedimentos humanos, ainda que seja para o bom andamento do culto. Ele sabe como agir em qualquer situação.

Por que na porta do templo?
- ...todos de Judá, ...
que entrais por estas portas. Observamos que os destinatários da mensagem deveriam passar por aquela porta ao se dirigirem ao interior do templo, assim seria impossível não ouvir a mensagem. Sabemos que a porta de qualquer estabelecimento é o seu “cartão de visita”. Podemos fazer uma breve ilustração: “Quando um dono de uma empresa quer oferecer ou avisar algo novo aos seus clientes, o local ideal para o anuncio é a porta, na fachada, no local de acesso para o interior do estabelecimento, de modo que todos consigam ver e entender a mensagem”. Assim fica claro em nosso entendimento qual era o intento de Deus quando determinou o local para o profeta. Trata-se de um local estratégico, onde todos poderiam ver o profeta e prestar atenção no que estava falando, por se tratar de um local incomum, se tornou mais atrativo.
Não poderia ser no altar porque não teria a abrangência pretendida por Deus.
Não poderia ser na praça porque Deus queria um encontro particular com o seu povo na porta da Casa de Deus, no local apropriado para concerto e quebrantamento de coração.
O que há nas entrelinhas da mensagem?
Aqui é o ponto mais alto deste comentário, veremos a mensagem de Deus para o povo e para nós, neste simples local “porta”.
1. Deus revela a urgência de santificação do povo, não dava pra esperar mais, não dava para o povo entrar mais uma vez no templo sem ouvir aquela mensagem;
2. Com esta mensagem os judeus deveriam fazer um concerto intimamente com Deus antes de entrar no templo para adorá-Lo;
3. Deus queria que o povo entrasse na sua presença com sinceridade e pureza de sentimento, entendemos ainda quão serio é o santuário de Deus, de fato não poderia o povo entrar de qualquer maneira.
Aplicação pessoal
Devemos ter em mente que o Dono não se limita a caprichos e ritos humanos;
Quando quer transmitir sua mensagem não importa o lugar;
Quando nos aproximarmos do santo dos santos devemos estar em condições para que nossa oferta seja aceita.
“Portanto, se trouxeres a tua oferta ao altar, e aí te lembrares de que teu irmão tem alguma coisa contra ti, Deixa ali, diante do altar, a tua oferta, e vai reconciliar-te primeiro com teu irmão, e, depois, vem e apresenta a tua oferta.” Mt 5.23-24.

2. Nossa responsabilidade
Temos aqui duas responsabilidades
Primeira, proclamar a Palavra como ela é. Proclamá-la a todas as pessoas. Rompendo com as opiniões do sistema mundano atual, mas, formando opiniões cristãs, não se deixando levar por falsas filosofias e não desperdiçando o tempo e oportunidade para falarmos a Palavra de Deus a quem quer que seja (independente da fé que professa ou de sua posição eclesiástica). Para isso é necessária uma ferramenta chamada INTREPIDEZ/OUSADIA (At 4.29;2Co 3.12), lembre-se que Deus nos deu espírito de poder e não de timidez (2Tm 1.7).
É interessante ressaltar que a Palavra de Deus é irresistível e infalível, nada pode parar o seu efeito.
Em jeremias é como fogo e martelo (Jr 23.29);
Em Hebreus é como espada afiada de dois gumes (Hb 4.12);
Em Coríntios é poder de Deus (I Co 1.8).
Segunda, responsabilidade com a nossa vida espiritual. Vimos o comportamento reprovável dos judeus diante de Deus, referente à adoração. Aprendemos aqui lições maravilhosas, para que possamos nos aproximar mais ainda de Deus, mas, se aproximar com sinceridade, o que fazemos em oculto, escondemos de todos exceto de Deus, Ele é Santo e justo, e sempre dar uma resposta a altura da nossa necessidade. Ref. Relacionadas (Ex 3.5; Mt 5.23-24; Jo 4.23-24). Por outro lado a sua Palavra nos orienta usar a mesma intrepidez para entrar na sua presença (Hb 10.19).

II. A MENSAGEM DE JEREMIAS
1. O alcance da mensagem de Jeremias. (v.2,3)
...todos de Judá... O alcance da mensagem é para todos de Judá, uma vez que o plano de Deus de fazê-los habitar na terra era para todos (v.3).
Deus também zela por sua igreja e a ver como o corpo de Cristo, a noiva do Cordeiro, e sempre que haver contaminação no meio dela, Ele o revelará e a limpará (Mt 10.26), pois assim como Ele tinha um plano para os judeus (v.3) Ele também o tem para a igreja (Ap 21). Aleluia!

2. O chamado ao primeiro amor (v.3)
“E, por se multiplicar a iniqüidade, o amor de muitos esfriará.” Mt 24.12.
...emendai os vossos caminhos. Deus conclama o seu povo a retornarem as primeiras práticas de adoração, obediência à sua Palavra e a santidade, Deus conclama o povo a voltarem ao primeiro amor. Era uma condição para que eles habitassem naquela terra.
Deus também conclama a igreja de Éfeso a voltar ao “primeiro” amor (Ap 2.5) e sita três passos que deveriam ser realizados pela igreja para que a mesma não fosse removida.
1) Lembrar-se; 2) Arrepender-se e 3) voltar.
Esses três passos deveriam ser realizados pelos judeus nos tempos de Jeremias, e devem ser percorrido por cada cristão, todos os dias.
Devemos buscar o primeiro amor. Aquele amor do inicio da carreira cristã; o amor verdadeiro, puro, fervoroso, alegre (I Co 13).
A ausência desse amor na vida do cristão acarreta grandes perdas espirituais.
III. JEREMIAS COMBATE A TEOLOGIA DO TEMPLO
1. A teologia do templo
A teologia do templo revela o tamanho da hipocrisia e apostasia que o povo estava vivendo, pois reconheciam que o templo era do Senhor (v.4), contudo, não lhes prestavam o culto devido.
Ao pensar um pouco sobre o que é a idolatria chega-se à palavra ídolo que significa => Figura que representa uma divindade ou qualquer ser ou coisa sendo objeto de culto. Assim, aceitamos com facilidade que o povo estava tão acostumado com os modos idólatras, que estavam apenas idolatrando o templo como mais um objeto de culto.
Considerando ainda que a idolatria fundamenta-se no que é visto, logo, chegamos a conclusão que todas as suas ofertas a Deus não passavam de mais um ritual idólatra e não de uma adoração digna do povo de Deus.
Vejamos as práticas do povo dos profetas e dos sacerdotes envolvidos em algumas abominações:
Não amavam a Palavra do Senhor (6.10);
Tinham vergonha da Palavra de Deus (6.10);
Davam-se à ganância (6.13);
Tanto o profeta quanto o sacerdote usavam a falsidade (6.13);
Os profetas e os sacerdotes não exerciam suas funções espirituais como dantes, estavam corrompidos (6.13);
Cometiam abominações conscientemente e não se envergonhavam (6.15);
Recusavam-se a caminhar pelas veredas antigas (6.16);
Não estavam atentos a Palavra de Deus e rejeitaram a sua Lei (6.19) e
Todas de (7.9).
Está mais que provado que a teologia fundamentada no templo não passava de uma idolatria “camuflada”.
Em face de tamanha hipocrisia e apostasia, Deus expressa Seu sentimento nas palavras seguintes Para que, pois, me virá o incenso de Sabá e a melhor cana aromática de terras remotas? vossos holocaustos não me agradam, nem me são suaves os vossos sacrifícios.” (6.20)
Devemos ficar atentos à Palavra de Deus para não nos deixarmos levar por tantos amuletos que estão surgindo no mundo “cristão”. (Jo 4.24).

2. A desmistificação da teologia do templo
Místico. adj 1. Relativo à vida espiritual; 2. misterioso; de sentido oculto; esotérico; 3. sm quem professa o misticismo.
Mistificação. Ação ou efeito de mistificar.
Mistificar. Enganar; abusar da credulidade de.
Desmistificar. Desfazer uma mistificação, denunciar um erro.
Jeremias, toca no núcleo do problema espiritual do povo, eles haviam mistificado o templo. Quando Jeremias profere o v.4 “Não confieis em palavras falsas”, esta frase revela a cegueira espiritual do contexto histórico-religioso da época. A partir desta frase dar-se inicio a desmistificação da teologia do templo, o profeta denuncia o engano, o erro espiritual em que o povo estava vivendo, mostrando-lhes uma lista de desvios espirituais por eles praticados (v.4-9), obras estas que impedem o verdadeiro culto a Deus o qual deve ser realizado de dentro para fora (Jo 4.24; Mt 5.23-24) e jamais o inverso.
É oportuno mencionar o que o apostolo Paulo escreveu aos romanos Porque dele, e por ele, e para ele, são todas as coisas; glória, pois, a ele, eternamente. Ámem”. Rm 11.36
Diante dessa palavra não há lugar para a idolatria, autolatria ou qualquer outro tipo de misticismo religioso.

3. O comportamento reprovável dos Judeus.
O povo de Israel tiveram a honra de conhecer a Deus em primeira mão, experimentaram com exclusividade das manifestações sobrenaturais do único Deus verdadeiro e todo Poderoso, foram fieis a Ele no inicio da caminhada (2.2) porem, estavam mais uma vez sendo reprovados por Ele. Com a falsa teologia do templo, surgiu uma idéia falsa de conforto, liberdade, não tem problema, sou livre e etc. Os judeus estavam, imaginavam que estavam protegidos ou livres de seus pecados - como se Deus não fosse Onisciente, Onipresente, esqueceram-se desses atributos de Deus. Deus então os reprova e lhes promete o fruto de seus pecados (6.19).
Observamos aqui o cumprimento de Sl 42.7 “Um abismo chama outro abismo...” No inicio da repreensão Deus fala da injustiça praticada com o próximo (v.5), ou seja, descumpriam a Lei nas questões sociais e morais -> Mensageiros, escarneciam dos mensageiros de Deus - > por fim estavam afrontando a santidade de Deus - oferecendo sacrifícios a Baal e seguindo outros deuses.
Esta reprovação de Deus aos judeus custou o aprisionamento do profeta Jeremias (26.8), tamanho foi o efeito dessa mensagem.
A pregação fiel da Palavra sempre provoca reações que não esperamos.
Nos nossos dias também tem surgidos falsos ensinamentos que levam o povo ao esfriamento espiritual e a apostasia, trazendo sobre si a reprovação de Deus. Fiquemos atentos, e mais inteirados na Palavra para refutarmos as idéias de Satanás.
IV. A LIÇÃO DE SILÓ
Siló.
Distava 29 Km ao norte de Jerusalém, centro mais antigo de adoração, foi o primeiro lugar na terra de Canaã onde o tabernáculo foi deixado (Js 18.1), fora destruida por volta de 1050 a.C., nos dias de Samuel (I Sm 4-6), a destruição de Siló foi terrível e marcante para o povo de Israel, foram mortos 34.000 homens (I Sm 2.10), a perca da arca (11). Este acontecimento foi relembrado em outras passagens bíblicas tamanho foi suas conseqüências (Jr 7.12; 26.6,9; Sl 78.60-65).
Semelhantemente o templo estava sentenciado, em virtude da contaminação espiritual do povo.
A derrota vem quando se confia mais nas coisas criadas do que no Criador; Quando tratam levianamente as coisas do Senhor.

1. As teologias modernas
O povo de Israel estavam, enganados ou cegos espiritualmente a ponto de cometer tais pecados, o que nos chama a atenção é que estavam convictos que estava tudo bem, isso por causa da onisciência, haviam adotado um falso entendimento da verdadeiro e foram achados em falta com Deus.
Hoje tem surgidos tantas interpretações de algumas passagens bíblicas que nos dar a impressão que descobrimos a Bíblia agora. O conhecimento é fundamental, mas, nunca devemos aplaudir uma declaração dita como verdade, sem antes analisar com cuidado, não esqueçamos das referências (Os 4.6; Mt 10.16). Em contra partida a Biblia nos adverte que nos últimos dias viriam “mestres e doutores” observem “mestres e doutores” trata-se de pessoas que tem o domínio da fala, eloqüência e técnicas de manipulação. Você já viu algum por ai?.

“E TAMBÉM houve entre o povo falsos profetas, como entre vós haverá, também, falsos doutores, que introduzirão encobertamente heresias de perdição, e negarão o Senhor que os resgatou, trazendo sobre si mesmos repentina perdição; E muitos seguirão as suas dissoluções, pelos quais será blasfemado o caminho da verdade; E, por avareza, farão de vós negócio, com palavras fingidas; sobre os quais já de largo tempo não será tardia a sentença, e a sua perdição não dormita.” 2Pe 2.1-3

2. Os perigos de nossos triunfos
O povo de Israel estavam se sentido a nação mais privilegiada da época, afinal eles tinha o templo do Senhor. O problema é que eles não tinha o Senhor dentro deles.
Faltou no povo de Israel mais dependência de Deus.
Efeito da soberba no homem à luz da Bíblia (Tg 4.6; Pv 29.23; Pv 13.10; Pv 16.18).
Não importa os destaques que tivermos seja ele social, profissional, ministerial ou poder aquisitivo ou ainda em todos concomitantemente, devemos lembrar todos os dias desses versículos
“Porque dele, e por ele, e para ele, são todas as coisas; glória, pois, a ele, eternamente. Ámem”. Rm 11.36.
“Eu sou a videira, vós as varas; quem está em mim, e eu nele, esse dá muito fruto; porque, sem mim, nada podeis fazer.” Jo 15.5.

Lembremos que o machado é emprestado (2 Rs 6.5), não há porque se vangloriar.
CONCLUSÃO
Deus é Santo Justo e Perfeitamente bom, são atributos de exclusivo dEle e esses atributos não entram em conflito, portanto, sempre vamos receber o fruto dos nossos atos, assim como os judeus receberam.
Mas, estamos vivendo o nosso tempo, temos oportunidade de marcar vidas com o poder da Palavra de Deus, não importa a fé que professa ou sua posição eclesiástica. Devemos falar ousadamente a Palavra de Deus, mesmo que nos custe uma prisão.
"Quem achar a sua vida perdê-la-á; e quem perder a sua vida, por amor de mim, achá-la-á."
Mt 10.39.

Deus os abençoes ricamente,

Por Dc. Alan Fabiano.

Bibliografia
ALMEIDA, João Ferreira. Bíblia Sagrada: Shedd. Revista e Atualizada. São Paulo, SP: Vida Nova, 2ª Ed. 1997.
BOYER, Orlando. Pequena Enciclopédia Bíblica. São Paulo, SP: Vida, 29ª Ed. 2000.
AMORA, Soares. Minidicionario da língua portuguesa. São Paulo, SP: Saraiva, 19ª Ed. 2009.

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