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quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

A GLÓRIA DO MINISTÉRIO CRISTÃO

INTRODUÇÃO

Após uma grande vitória sobre as investidas do inimigo, Paulo faz uma defesa da sua conduta aos irmãos de Corinto. Em virtude de não cumprir uma rota de viagem previamente programada, foi acusado de não cumprir com a sua palavra, acusações estas que tinham o objetivo de denegrir sua imagem e ministério diante da igreja em Corinto. Contudo, Paulo sabia que havia no meio da igreja alguns irmãos que acreditavam no seu ministério e na sua sinceridade no trato com a Igreja.

Apesar de já havermos estudado em outras ocasiões I e II Coríntios, com certeza seremos surpreendidos com as novidades que estão por vir nesta aula, pois a versatilidade da Palavra de Deus (Ef 3.10) é a força motriz da vida do cristão.

Interpretando – 1. 12-24

Às vezes lemos as Escrituras e não entendemos algumas palavras ou expressões, contudo, os escritores ao escreverem, utilizaram palavras e expressões locais ou universais, expressões estas que só passa a ter um peso significativo quando nos interamos com o fundo histórico da época e para quem foi escrito o texto. Assim podemos fazer a aplicação correta e na mesma proporção da nossa realidade. As cartas de Paulo são muito ricas em figura de linguagem e no seu estilo literal.

Usaremos muito do contexto histórico e cultural da época dos acontecimentos e alguns significados de palavras em sua linguagem original (Grego Koinê), assim mais uma janela do nosso entendimento se abrirar para o conhecimento, nos fazendo crescer (2 Pe 3.18).

1.12. Porque a nossa glória é esta: O testemunho da nossa consciência, de que, com simplicidade e sinceridade de Deus, não com sabedoria carnal, mas na graça de Deus, temos vivido no mundo, e maiormente convosco.

A principal razão de Paulo escrever esta carta foi defender seu ministério de falsas acusações. Embora Tito houvesse trazido um relatório encorajador acerca da atitude arrependida da maioria dos crentes Coríntios (2 Co 7.6) , alguns ainda criticavam Paulo e seu ministério para que severamente. Ele sentia que era necessário defender seu ministério para que estas acusações infundadas não afetassem a expansão do Evangelho.

Porque a nossa glória é esta. Paulo tinha boas razões para gloriar-se. A Bíblia geralmente trata a jactância como pecado, porque esta é natural de falso orgulho. Paulo porém, prossegue em gloriar-se, não por orgulho ou auto-exaltação, mas sim, por ter certeza absoluta que o seu relacionamento com os conrintos era sincero e simples. Sem busca de interesses pessoais.

Nossa consciência. Paulo fala da consciência porque é ela quem nos monitora a todo momento, é ela quem nos acusa quando reprovados ou nos aprova (1 Co 10.25), deixando claro que tinha uma consciência pura (Rm 9.1;1 Tm 3.9). logo, não tinha a mente cauterizada como os falsos apóstolos (1 Tm 4.2).
Sinceridade (gr. eilikrineia). Refere-se ao processo de sacudir cereais numa peneira para separá-los de toda sujeira ou ao processo de declarar imaculado um artigo após ser examinado à luz do sol. Paulo não receia o exame perscrutador de Deus (Sl 139.23s).
Ele mostra esta simplicidade e sinceridade “no mundo”, ou seja, fora da igreja, e ainda mais abundantemente para com os coríntios na igreja.
sabedoria carnal. Desde a primeira carta aos corintos, Paulo deixa bem claro que o evangelho não é uma forma de sabedoria humana (I Co 2.1), mas sim, poder de Deus (I Co 1.18). Paulo chama a atenção para o conteúdo do evangelho, e o identificou como uma expressão da Sabedoria de Deus (I Co 2.7). Pois, no seu contexto cultural muitos possuíam uma sabedoria terrena/carnal (I Co 1.26).
Muitos tinham dificuldade para distinguir a sabedoria divina (expressa através da cruz de Cristo) da sabedoria “carnal”, esse era um problema para alguns irmãos em Corinto. A sabedoria mundana levou a divisão na igreja (1 Co 1.10-4.7), e, de acordo com os padrões dessa sabedoria Paulo não era aceito como um apostolo (10.2-6).
O fato de Paulo falar tanto em sabedoria mais direcionada para o poder da fala/oratória, talvez seja porque na cultura helenista a habilidade de um orador era sempre julgada como mais importante do que o conteúdo do seu discurso, e em muitos casos nos tribunais o veredicto era mais favorável ao advogado cuja oratória era mais “poderosa”, do que aquele que possuía o direito a seu lado.

1.13,14 - Paulo foi alvo de acusações de ser irresponsável.

O problema é que Paulo havia planejado de visitar Corinto. Em 1 Co 16.2-8, ele menciona duas opções: depois de Éfeso ele iria a Macedônia e depois a Corinto a caminho de Jerusalém. Em 2 Co 1, ele menciona outra rota: Éfeso, depois Corinto, depois Macedônia, de volta a Corinto e então a Judéia.

A visita de Timoteo a Corinto (1 Co 16.10) não teve aparentemente muito efeito na situação que 1 Corintios trata. Paulo estava muito preocupado com a reação deles a 1 Corintios e com a visita de Timoteo. Ademais, surgiram falsos apóstolos em Corinto e começaram a denegrir o apostolado de Paulo, isso o deixou muito perturbado, até que ele partiu de Efeso e foi a Corinto para uma visita breve, e um tanto quanto desagradável (2 Co 2.1;12.14;13.1,2), ele promete então voltar (2 Co 1.16), mas decidiu adiar a sua visita para não causar ainda mais dor (2 Co 1.23; 2,3; 13.2). De volta a Efeso, corria perigo de vida (2 Co 1.8-11), escreveu então uma carta, conhecida como “carta severa” “em muita tribulação e angústia de coração, [...] com muitas lágrimas” (2 Co 2.4; 7.8).
1.15-17 - A VISITA DE PAULO ADIADA

Pelo motivo de Paulo estar confiante que os coríntios glorificariam a Deus por sua causa, ele quis visitá-los para que tivessem uma segunda oportunidade de se beneficiarem espiritualmente do seu ministério (cf. Rm 1.11,12). Mas, alguns coríntios tinham certa desconfiança quanto ao fato de Paulo ter seguido o itinerário que anunciara em sua primeira carta (1 Co 4.19;16.5,6). Alguns o denunciavam por esta razão, ainda que ele tivesse feito os planos com a plena intenção d levá-los adiante. Paulo não estava dizendo sim, querendo dizer não, como tantas pessoas mundanas fazem. Ele já os tinha visitado duas vezes, uma vez para evangelizar a cidade e fundar a igreja e a outra vez para uma visita curta e dolorosa (2 Co 2.1). Contudo, quando encontrou Tito e soube que os crentes de coríntio haviam mudado de atitude (2 Co 7.6-13), ele mudou de pensamento e adiou a visita.
1.18-22 - A CONSISTÊNCIA DA PALAVRA DE PAULO.
18-20.
A preocupação de Paulo não era acerca de seu intinerário, mas acerca do Evangelho. Alguns não só criticavam sua mudança de planos, mas diziam que Paulo não era digno de confiança e, portanto, não se podia confiar no Evangelho que pregava. Paulo afirmava que não havia incerteza na mensagem, pois por trás dela está a fidelidade de Deus.
Silvano. O companheiro de Paulo, denominado Silas em Atos.
Sempre.... sim. Da integridade de Cristo e do Evangelho, Paulo argumenta sua própria sinceridade.
Deus fez muitas promessas. Eles tem o permanente "sim" em Cristo. Ou seja, Cristo pôs o "sim" em todas as promessas por todos os tempos. (2 Co 1.3). Paulo, Silas e Timóteo deram o "amém" (hb. "na verdade, na verdade") a elas (promessas) quando proclamaram a glória de Deus m sua primeira visita a Corinto (At 18.1-18). Na verdade, Deus recebe glória quando vemos o cumprimento de suas promessas.
21-22.
prosseguindo na defesa de sua integridade, Paulo usa quatro particípios que descrevem a fidelidade de Deus:
Deus é quem
1) nos confirma em Cristo;
2) nos unge;
3) nos sela e
4) nos dá o seu Espírito Santo como penhor. Paulo não afirmou que sua sinceridade e confiabilidade eram oriundas de algo que estivesse nele (2 Co 1.12).
Nem pôs os crentes coríntios num nível diferente. O poder e a capacidade de confirmar em Cristo (gr. eis Christon, "em Cristo", uma experiência progressiva) veio tudo do próprio Deus. As promessas não só são nossas por Cristo; Deus, pelo seu Espírito, realizou uma obra tríplice em nós que nos faz confirmados em Cristo.
A UNÇÃO, o selo de propriedade e o seu Espirito em nosso coração como penhor, ou depósito, descrevem o que ocorre no batismo com o Espirito Santo. A unção se refere a receber o mesmo Espírito que Jesus (o Messias, o "Ungido") recebeu depois que foi batizado (Is 61.1,2; Lc 3.22; 4.18-21).
O SELO, era uma marca externa de identificação, ou sinal de propriedade, de uma possessão comprada, denota exclusividade e inviolabilidade. No dia de Pentecostes e ao longo do livro de Atos, o selo, o sinal externo, era o falar em outras línguas.
O PENHOR, diz respeito ao Espírito e seus dons como primeira parcela do que teremos em sua plenetude quando Jesus voltar (Ef 1.13,14, onde o selo vem depois de ouvimos e crermos com um ato distinto. Rm 8.23; 1Pe 1.4, 5)
forma.
1.23,24 - BOAS RAZÕES
paulo retorna à razão de não visitar Corinto com tinha planejado. Ele invoca a Deus com testemunha de sua sinceridade. Figurativamente, ele poderia ter ido "com vara" (1 Co 4.21), mas quis poupa-los. Seu desejo era que entendessem o amor e a preocupação que tinha para com eles. Seu propósito era de não agir como ditador, assenhoreando-se da fé deles. Somente um é o nosso Senhor, o Apostolo e Sumo Sacerdote da nossa confissão (Hb 3.1), o Pastor e Bispo de nossa alma (1 Pe 2.25). Jesus advertiu os discípolos a não serem como tiranos que gostam de dominar as pessoas e o quanto são poderosos. Ele também deu o exemplo pelo serviço humilde (Lc 22.25-27). Paulo queria ajudar os coríntios, trabalhando com eles para fazê-los terem gozo na fé. Era seu desejo que eles pela fé estivessem em pé, não só por sua fé em Deus, mas "pela fé", a verdade, o Evangelho - o que, de fato, eles já estavam fazendo.
CONCLUSÃO
A glória do ministério cristão está na simplicidade, fidelidade e sinceridade com que se prega o Evangelho, o maior exemplo disso é o nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo, Ele nos mostrou o quanto é simples o Evangelho. O cristão deve se gloriar na Cruz de Cristo, assim como Paulo o fez. A igreja está nos seus ultimos dias na face da terra, portanto, é hora de deixar a vaidade e a busca por títulos formais instituidos pelo homem, e buscar o que de fato importa, ser cada dia mais paracido com o Senhor Jesus Cristo.
Por Alan Fabiano
Bibliografia
ALMEIDA, João Ferreira. Bíblia Sagrada: Shedd. Revista e Atualizada. São Paulo: Vida Nova, 2ª Ed. 1997.RICHARDS, O. Lawrence. Comentário Histórico-Cultural do Novo Testamento. Rio de Janeiro: CPAD. 2007.HORTON, M. Stanley. I e II Coríntios, Os Problemas da Igreja e suas Soluções. Rio de Janeiro: CPAD, 4ª Ed. 2007

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