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sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

A GLÓRIA DAS DUAS ALIANÇAS

INTRODUÇÃO
Apesar de Paulo ser muito conhecido dos irmãos de Corinto (At 18.1,8-11), apesar de eles conhecerem sobre seu ministério e o seu testemunho, eles exigiram carta de recomendação a Paulo, contudo, esta exigência se deu em virtude do surgimento de falsos apóstolos.
Parece uma atitude simples a primeiro momento, entretanto, para o apostolo era indevida, o fato de haver falsos mestres no meio deles não justificaria tal medida. Paulo então inicia uma nova luta, ele começa a defender toda sua carreira, era comum carta de recomendação aos irmãos que viajavam para lugares diferentes, e necessitavam das cartas para ter hospedagem e serem recebidos com alegria.

O que não era o caso de Paulo, ele era a ultima pessoa a necessitar da carta para visitar Corinto, ele fica inconformado e começa sua defesa.

I. PAULO JUSTIFICA SUA AUTORRECOMENDAÇÃO (3.1,2)

1. A recomendação requerida (3.1). Era hábito dos judeus que viajavam com freqüência, levarem cartas de recomendação para que, assim, ao chegar a lugares onde não eram conhecidos, pudessem ser hospedados durante o período em que ali estivessem.

Este não era o caso de Paulo, pois o apóstolo era bem conhecido dos irmãos conríntios, a exigência de “carta de recomendação” dos irmãos em Corinto se deu em virtude do surgimento de falsos apóstolos que se diziam “mestres” da verdade apostólica, daí os irmãos começaram a pedir carta a todos os missionários que surgiam na cidade. Entretanto, apesar de tal exigência alguns desses falsos mestres conseguiam forjar falsas cartas e se infiltravam na igreja de Corinto.
As cartas também eram um instrumento para testificar a veracidade dos cristãos que estavam em viagens em lugares desconhecidos para que os irmãos do respectivo lugar hospedassem o irmão visitante, inclusive o apóstolo Paulo as utilizou em outras ocasiões (Rm 16.1,2; 1 Co 16.10,11; Cl4.10). Sendo assim Paulo não acredita que os irmãos estariam pedindo carta de recomendação para ele, pois já era conhecido de todos. A “carta de recomendação” que recomendaria Paulo, deveria ser expedida pelos anciãos de Jerusalém.

Imagine o fundador da igreja, conhecido de todos, ter de cumprir a exigência de ser portador de "cartas de recomendação", apenas para satisfazer o espírito opositor que dominava alguns judeu-cristãos, que estavam com dúvidas acerca da autenticidade do seu apostolado! Algo injustificável.

Aqui temos os dois motivos suficientes para o apostolo não fazer uso da carta de recomendação, 1. fundador da igreja, 2. conhecido de todos. O objetivo das cartas era garantir a hospitalidade e de receber com alegria o seu portador.
Paulo então, começa a defender sua auto-recomendação.

2. Paulo defende sua auto-recomendação (3.1). Todos em Corinto sabiam que Paulo, mesmo não tendo sido um dos doze que estiveram com Jesus, recebera um chamado de Cristo para ser apóstolo.

Alguns irmãos (2.6) na igreja de Corinto desconfiavam do ministério de Paulo, entretanto, a maioria o reconhecia, Paulo havia testificado do seu encontro pessoal com Cristo (1 Co 15.1-11), e que, mesmo sendo como um apóstolo “fora do tempo”, trabalhou mais do que os outros.

Note que Paulo sustenta a veracidade de que o seu chamado foi diretamente de Cristo, com a argumentação da realidade da ressurreição corpórea do próprio Jesus, listando inclusive uma lista dos irmãos que O viram antes dele. O objetivo da lista desses irmãos é simplesmente para servir de testemunhas caso fosse necessário para alguém, ele ainda fala que muitos deles ainda viviam. Portanto todos os irmãos de Corinto sabiam de fato quem era Paulo.

Seu testemunho pessoal era a prova concreta de que não lhe era necessário nenhuma recomendação. Seus sofrimentos por Cristo evidenciavam seu apostolado entre os gentios e, especialmente em Corinto, dispensando portanto, qualquer tipo de recomendação por escrito.

Vimos aqui dois elementos que definem com precisão um verdadeiro apóstolo de Cristo.
Paulo tinha certeza absoluta do seu chamado e de sua transformação de vida (Gl 2.20), suas atitudes expressavam a sua consciência, como ele mesmo pregava (mudança de mente, gr metanoia, arrependimento que surge de dentro pra fora).

A mente de alguns irmãos de Corinto estava como que fechadas, e não aproveitaram a espiritualidade do apostolo Paulo para crescerem na graça e no conhecimento. Hoje podemos aprender muito e crescer com esse homem de Deus, quando fazemos um paralelo entre o seu testemunho e o testemunho de muitos lideres eclesiásticos brasileiros independente da denominação.

Testemunho pessoal, Paulo era perseguidor do evangelho (At 9.13;Fl 3.6) extremamente zeloso com a lei (Gl 1.14),consente a morte de Estevão (At 22.20), renuncia toda sua forma de viver (2 Co 6.10), passa a ser perseguido (1 Co 4.12) e por fim arriscando a própria vida por amor ao Evangelho de Cristo (At 9.16).

Sofrimentos por Cristo, Nos dias atuais são poucos os que querem realmente pagar o preço, e nós sabemos o quanto é difícil pagar este preço; mas Paulo, pagava este preço (2 Co 6.4-10) com alegria (Fp 2.17;Cl 1.24), o segredo é que ele não perdia o alvo, ele era um homem empreendedor espiritualmente falando (Fp 3.14).

Estes dois elementos é resultado do verdadeiro AMOR, que suporta (1 Co 13.7).

“As vezes fico imaginando se o tamanho da revelação que Paulo teve de Cristo foi maior que a que nós temos hoje ou se nós somos muito precarios no buscar a gloria de Deus”

“Porque estou zeloso de vós, com zelo de Deus; porque vos tenho preparado para vos apresentar como uma virgem pura a um marido, a saber, a Cristo” 2 Co 11.2.

No texto de 2 Coríntios 5.11, o apóstolo Paulo faz uma defesa de sua atitude dizendo que "o temor que se deve ao Senhor" lhe dava condições de se auto-recomendar, porque a sua vida e ministério eram manifestos na consciência de cada um daqueles crentes.

Aqui o apostolo usa esse argumento, para mostrar sua sinceridade e transparência para como os irmãos conríntios, ou seja, que não necessita de artifícios para conquistar alguém, como os falsos apóstolos faziam (2 Co 2.17).

Paulo faz um argumento lógico e seqüencial em defesa da sua sinceridade quando afirma: que conhece o temor do Senhor -> é conhecido por Deus -> e espera ser conhecido pela consciência dos irmãos (2 Co 4.2). Em outras palavras, ele havia compreendido o temor do Senhor e esperava que os irmãos conríntios tivessem uma auto compreensão da sua pessoa – da mesma forma que nós compreendemos sem dificuldade que ele era um verdadeiro apostolo de Cristo.

A atitude paulina não tinha por objetivo ofender a ninguém, mas baseava-se na confiança do conhecimento que os coríntios tinham da sua pessoa e ministério.

A atitude de se auto-recomendar baseava-se na certeza que ele tinha, de que a maioria dos irmãos tinham-no como um verdadeiro apostolo.

3. A mútua e melhor recomendação (3.1). Na parte "b" do versículo 1, Paulo questiona: "[...] necessitamos, como alguns, de cartas de recomendação para vós ou de recomendação de vós?" Tal questionamento é retórico, pois apela para uma reciprocidade que havia entre ele e a igreja, a qual dispensava a recomendação de Jerusalém requerida por alguns opositores do seu ministério, uma vez que ele o havia desenvolvido entre os coríntios.

Paulo aqui questiona retoricamente, se era de fato necessário ele levar carta de recomendação dos anciãos de Jerusalém quando fosse visitar os irmãos conríntios, e se era necessário levar carta dos lideres da igreja de Corinto quando ele (Paulo) fosse abrir outros trabalhos em outros lugares.

O apóstolo, por sua vez, via-se como insignificante, mas os coríntios eram o seu verdadeiro louvor e glória.

Ele via-se insignificante, porque os irmãos na verdade não estavam dando a Paulo o reconhecimento devido, pois eles deveriam se orgulhar (2 Co 5.12) de serem filhos da fé (1 Co 4.14; 2 Co 12.14) de um homem tão dedicado na obra de Deus como Paulo (2 Co 12.15).

“Se eu não sou apóstolo para os outros, ao menos o sou para vós; porque vós sois o selo do meu apostolado, no Senhor” 1Co 9.2.

Assim, nem os coríntios precisavam de recomendação escrita, porque, dizia: "vós sois a nossa carta, escrita em nossos corações, conhecida e lida por todos os homens" (v.2).

Paulo surpreende seus leitores com esta frase, alem de retratar o laço do amor (ágape), retrata sua qualidade de liderança, que vai muito alem da mesquinharia de pensamento de alguns irmãos de Coríntios, enquanto eles brigavam por algo aparente, Paulo dava-lhes uma resposta com algo abstrato – o amor que ele sentia por eles.

A maior e melhor recomendação que um servo de Cristo pode ter é a evidência do seu ministério no coração e na vida daqueles que foram por ele alcançados para o Senhor Jesus.

O feedback, é essencial para animar o ministério de qualquer servo de Deus, isso não significa dizer que estamos dando honra ao homem e não a Deus, mas o certo é que Paulo gostaria de ver todos irmãos de Coríntios se orgulhando (2 Co 5.12) de haver recebido um evangelho puro, sem mistura, e havia impactado a vida daqueles irmãos com o poder do evangelho, portanto podia dizer que eles eram de fato sua carta escrita. Quando falamos de feedback, podemos também imaginar em nosso ministério de ensino.... será que estamos impactando nossos alunos?

“Se o professor de EBD não impactar o seu aluno no dia da aula, é tempo perdido” Dr. Russel Shedd.
Que nós passamos ver a evidencia do nosso ensino da vida dos nossos alunos.

“Não me escolhestes vós a mim, mas eu vos escolhi a vós, e vos nomeei, para que vades e deis fruto, e o vosso fruto permaneça; a fim de que, tudo quanto em meu nome pedirdes ao Pai, ele vo-lo conceda.”Jo 15.16

Quando Paulo diz aos coríntios que sua carta de recomendação foi escrita no coração deles, pelo próprio Cristo, "não com tinta, mas com o Espírito do Deus vivo" (vv.2,3), a preocupação maior de Paulo era referendar como verdadeiro o caráter do seu ministério apostólico (2 Co 3.6).


Este é o clímax da mensagem, é nesse momento que vislumbramos o que é de fato um ministério de PODER e VIDA, é um ministério aprovado por Deus, onde há transformação de vidas, em contraste com a incapacidade da lei escrita em tábuas de pedra. Deus, há muito tempo, prometera que a nova aliança assim se distinguiria (Ez 36.26). O coração era concebido como a fonte de toda ação, pensamento ou palavra.
Paulo percebia a presença do Espírito Santo no meio deles abundantemente, uma prova disso é quando ele fala dos muitos dons que havia na igreja de Coríntios (1 Co 14.20-25). Isso era a assinatura do seu apostolado, era a marca publica do seu ministério, onde todos podiam ver mudanças nas vidas daqueles irmãos. Aleluia!

II. A CONFIANÇA DA NOVA ALIANÇA (3.4-11)
Paulo tinha habilidades naturais e fora treinado nas Escrituras do Antigo Testamento sob a orientação do excelente rabino Gamaliel (At 22.3). Mas nada disso lhe deu a capacidade de pregar o Evangelho. Tudo provinha de Deus e Cristo, inclusive o fato dele ser cheio do Espírito Santo (At 9.17). Assim ele podia dizer: "De sorte que tenho glória em Jesus Cristo, nas coisas que pertencem a Deus. Porque não ousaria dizer coisa alguma que Cristo por mim não tenha feito, para obediência dos gentios, por palavra e por obras; Pelo poder dos sinais e prodígios, na virtude do Espírito de Deus; de maneira que, desde Jerusalém e arredores, até ao lírico, tenho pregado o evangelho de Jesus Cristo". Rm 15.17-19.

O ministério do Novo Testamento deve ser feito pelo poder do Espírito. Deus deu a ele e a seus companheiros a capacidade como ministros de um Novo Concerto, tal concerto teve efeito com a morte de Jesus e o derramamento do seu sangue (Hb 9.11-28). O Novo concerto foi profetizado em (Jr 31.31-35; Ez11.19), o qual é citado em (Hb 8.8-12 e 10.15-17). Embora fosse dado primeiro a Israel, o Novo Testamento mostra que inclui todos os que crêem em Jesus, não sendo um código prescrito em tábuas, mas sim prescrito em nosso coração e mente conforme o Espírito Santo vai nos revelando.

A lei deu preceitos a seguir, mas não deu poder para cumpri-los. Exigia a morte do ofensor (Dt 30.15-18) e deu até mesmo ao pecado a oportunidade de enganar e, pelo mandamento, trouxe a morte (Rm 7.10.11). Deus permitiu isso para que a lei, que era santa, justa e boa (Rm 7.12), se tornasse um meio de mostrar que o pecado é "excessivamente maligno" (Rm 7.13; 1 Co 15.56). O novo concerto, por causa de Jesus, traz ao crente vida e poder do Espírito de Deus (Jo 3.17; Rm 3.20,24; 5.20,21). O antigo concerto foi escrito em pedra fria e morta, contrastando com o novo, onde o Espírito Santo escreve suas instruções em nosso coração e mente (Jr 31.33).

Deus ainda prometeu um coração novo, um espírito novo e a habitação do Espírito Santo (Ez 36.26,27; Jo 14.23). Agora o crente sob o novo concerto tem um Ajudador semelhante a Cristo (Jo 14.16), que os ajuda a fazer tudo que agrada a Deus. Dizendo que Deus os fez (eles e seus companheiros) "capazes de serem ministros dum Novo Testamento, não da letra", Paulo contrasta o antigo concerto proclamado em pedra, com o novo concerto do "Espírito". Isso não significa que estivesse falando do conhecimento literal das Escrituras, mas estava falando que o simples cumprimento da lei não era o suficiente para salvar.
"Mas, agora, alcançou ele ministério, tanto mais excelente, quanto é mediador dum melhor concerto, que está confirmado em melhores promessas". Hb 8.6.

III. A GLÓRIA DA NOVA ALIANÇA (3.7-18)
Paulo observa que quando Moisés foi falar com Deus, seu rosto ficou resplandecente. Estar na presença de Deus transformou a aparência de de Moisés. Paulo observa algo a mais: Quando Moisés deixava a presença do Senhor, ele falava com o povo sem o véu. Mas, logo, ele colocava um véu sobre o seu rosto e o deixava ali até entrar novamente na presença de Deus. Ficamos a imaginar por que Moisés comportava-se desta maneira? Mas, Paulo afirma, era para esconder o fato da resplandecência, a glória era temporário e desapareceria! Assim, Moisés punha o véu sobre o seu rosto "para que os filhos de Israel não olhassem firmemente para o fim daquilo que era transitório". (3.13). Fica claro então que o Antigo Concerto, conforme exemplificado pelo o próprio Moisés, não oferece transformação permanente!

Agora, diz Paulo, comparamos o impacto do Novo Concerto. Em lugar de subir ao Sinai ou entrar na tenda para comparecer à presença de Deus, o Novo Concerto traz o Espírito Santo até o crente, e com o Espírito vem uma glória que, ao invés de desaparecer, aumenta! como diz Paulo:"Mas, todos nós, com cara descoberta, refletindo, como um espelho, a glória do Senhor, somos transformados de glória em glória, na mesma imagem, como pelo Espírito do Senhor" 2 Co 3.18.

O judeu que olhava para Moisés e via seu rosto resplandecente como evidência da gloriosa presença de Deus no Antigo Concerto, agora olha para o cristão e não vê este sinal. Mas, diz Paulo, o judeu não entendeu; o véu ainda permanece, de modo que ele não percebe que a glória do antigo concerto é transitória, temporária, ao passo que o Novo Concerto é glória transformadora e crescente.

CONCLUSÃO
Hoje a glória que reflete em nossas vidas, não é transitória e não é por meio de sacrifícios de animais ou por intermédio de sacerdotes; a glória que sentimos hoje é toda oposta àquela da época do patriárcas. Nós a refletimos, aumenta, é permanente, transforma, santifica, sentimos ela em qualquer lugar e está dentro de nós.

Dc. Alan Fabiano

Bibliografia

ALMEIDA, João Ferreira. Bíblia Sagrada: Shedd. Revista e Atualizada. São Paulo: Vida Nova, 2ª Ed. 1997.RICHARDS, O. Lawrence. Comentário Histórico-Cultural do Novo Testamento. Rio de Janeiro: CPAD. 2007.

Novo Testamento, King James, Edição de Estudo. Abba.

HORTON, M. Stanley. I e II Coríntios, Os Problemas da Igreja e suas Soluções. Rio de Janeiro: CPAD, 4ª Ed. 2007




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