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sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

CONTEXTO HISTÓRICO DE SEGUNDA CORÍNTIOS

EXPOSIÇÃO
A segunda epistola aos corintios foi escrita entre seis e dezoito meses depois da primeira. Aparentemente, a maioria dos problemas com que Paulo teve que lidar ali, tais como ações judaicas e uso indevido da Ceia do Senhor estava, agora, corrigida. Mesmo assim, o relacionamento de Paulo com os corintios começava a se deteriorar, talvez exigindo “visita dolorosa” e rápida do apostolo (2.1; 12.14,21; 13.1,2). Isto não conseguiu resolver o problema, e os oponentes do grupo de Paulo continuavam atacar o apostolo e seus representantes (2.5-8, 10; 7.12), incentivados pelos judaizantes¹ da Palestina (11.4,22).
Embora isto seja discutível, muitos comentaristas acreditam que Paulo então escreveu uma carta curta, mas severa (2.3,4,6,9; 7.8,12), que foi entregue por Tito (2 Co 8.6a). Enquanto isso o próprio Paulo deixou Éfeso para ministrar em Trôade (At 19.23-20.6; 2 Co 1.8-11) e na Macedonia (2.16; 7.5). Ali, Tito uniu-se a ele, e lhe trouxe boas notícias: os coríntios haviam reagido positivamente à severa carta que ele havia entregado (7.5-16). Mas, não se passou muito tempo antes que Paulo ouvisse de mais problemas em Corinto. Frustrado, porém ainda confiante, escreveu então a carta que chamamos de 2 Coríntios. Uma carta que, talvez, seja a mais reveladora, em termos pessoais, de todas as epístolas de Paulo. Apesar deste contínuo conflito com os críticos de Corinto, com grande sinceridade, compartilha sua fraqueza, assim como seus pontos fortes, ao explicar os princípios de seu ministério na Nova Aliança.
A completa sinceridade de Paulo é revelada no primeiro capítulo. Depois da saudações de costume (1.1,2), Paulo louva o Senhor como "Deus de toda consolação" e ao continuar, confessa sua própria angústia e necessidade de consolo (1.3-11). Em lugar de defender-se, aumentando suas credenciais como apóstolo, Paulo expõe sua fraqueza como homem: "Sobremaneira agravado mais do que podíamos suportar, de modo tal que até da vida desesperamos". Esta auto revelação tem um objetivo: somente um homem consciente de suas fraquezas, que tenha sentido o consolo que Deus provê, é capaz de identificar-se com outros que são fracos, e de lhe transmitir o consolo de Deus. As cartas de Paulo expuseram as fraquezas dos conrintíos. Agora ele expõe a própria fraqueza, para garantir que Deus é capaz de resgatar a todos.
A seguir, Paulo responde à acusação de que, apesar de suas promessas de passar algum tempo em Corinto, tenha voltado a trás em sua palavra. A resposta de Paulo é simples: ele havia exposto suas intenções, mas, como servo de Cristo, havia entregado a direção de suas atividades à vontade de Deus. E o Senhor tinha outros planos (1.12-22). Além disto, a demora de Paulo não é evidência de falta de amor pelos coríntios. Ele hesitou, para poupá-los de outra "visita dolorosa", e em lugar de ir, ele escreveu, com grande alição (1.23-2.4) . Aparentemente, a carta de Paulo foi eficaz, e a igreja castigou aqueles que lideraram o ataque contra o apóstolo. Paulo incetiva o grupo a perdoar a pessoa agora arrependida e a recebê-la de volta na comunhão (2.5-11).
A esta altura, Paulo entra no que se denomina "digressão" (divagação), que se estende de 2.12 a 7.16. Divagação ou não, estes capítulos contém assombrosa explicação dos princípios do ministério sobre o Novo Concerto, em contraste com o ministério sob o Antigo Concerto da Lei Mosáica.
Paulo inicia, mostrando-se em marcha vitoriosa, que celebra o triunfo de Jesus sobre todos os inimigos de Deus (2.12-3.6). À medida que esta marcha abre seu caminho pelo mundo, a mensagem do evangelho é como o aroma das ofertas de ações de graças que sopra pelo mundo, aroma que, para os perdidos é como cheiro de morte, mas para os salvos é "cheiro de vida". O impacto desse ministério é visto nos seres humanos que são transformados por ele, pois a Palavra de Deus é escrita pelo Espiríto Santo "não em tábuas de pedra, mas nas tábuas da carne do coração".
Os pensamentos de Paulo são levados a outra comparação (3.7-18). O Antigo Concerto tinha certa glória, mas uma glória que desapareceu, da mesma maneira que o esplendor que brilhava na face velada de Moisés desapareceu quando ele deixou a presença de Deus. Mas o Novo Concerto tem uma glória muito maior. Israel, ainda com seus olhos fixos em Moisés, não pode ver a glória de Cristo, porque o verdadeiro significado da Lei permanece oculto. Como é diferente com os cristãos! Por meio de Cristo, Deus está trabalhando dentro de nós, realizando transformação progressiva e duradoura, e não transformação que desaparece. À medida que nos descobrimos, doando-nos livremente e sinceramente, nós vemos Cristo refletido na transformação que ele está realizando em cada um de nós.
1. Judaizantes, são pessoas que, não sendo etnicamente israelita ou passado por uma conversão formal, seguem parte da religião e tradição judaica.

O termo foi usado no Novo Testamento, para referir-se aos cristãos hebreus que requeriam que os cristãos gentios seguissem leis mosaicas.
CONCLUSÃO
A redescoberta dessa epístola em nossos dias, com sua doutrina da reconciliação em Cristo e seu tema de glória através do sofrimento, significaria uma renovação da visão e da vitalidade do povo de Deus, e, por meio deles, a benção para multidões que ainda se encontram nas trevas espirituais.
Por Dc. Alan Fabiano

Bibliografia
ALMEIDA, João Ferreira. Bíblia Sagrada: Shedd. Revista e Atualizada. São Paulo: Vida Nova, 2ª Ed. 1997.
RICHARDS, O. Lawrence. Comentário Histórico-Cultural do Novo Testamento. Rio de Janeiro: CPAD. 2007.
HORTON, M. Stanley. I e II Coríntios, Os Problemas da Igreja e suas Soluções. Rio de Janeiro: CPAD, 4ª Ed. 2007

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