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terça-feira, 5 de outubro de 2010

SEPULTANDO O VELHO HOMEM

Esta história não foi mito; foi verdade. Ficarão de fora os cães e os feiticeiros, e os que se prostituem, e os homicidas, e os idólatras, e qualquer que ama e comete a mentira.” Ap. 22.15.

Certo jovem que crescera em lar evangélico, ao chegar aos seus 22 anos de idade decidiu aderir ao batismo nas águas como símbolo de sua morte para o mundo e uma nova vida com Cristo.

Após a experiência do batismo em águas, o jovem estava eufórico, sentindo o sabor do primeiro amor, parecia que havia conhecido o Senhor Jesus naqueles dias apesar de haver freqüentado a igreja ao longo de sua vida. Pouco tempo depois o jovem perdeu a visão que recebera após o batismo e voltou à prática do pecado, ou seja, lembrou-se do velho homem.

Ao deitar ele teve um sonho que parecia ser real, ele sonhou que “entrara no cemitério onde havia muitos túmulos de pessoas que já haviam morrido, ele então avistava um túmulo e sobre ele um caixão fechado, com um cadeado, ao se aproximar percebera que o cadeado não estava trancado, momento em que retirou o mesmo e abriu o caixão e dentro havia um corpo semelhante ao seu”.

O jovem então acordou atônito porque discerniu o sonho que tivera, dando sua interpretação da seguinte forma:

Entrara no cemitério onde havia muitos túmulos de pessoas que já haviam morrido, entendeu que são os santos que já haviam morrido para o mundo e ressurgidos em novidade de vida com Cristo, ele estava em um cemitério diferente, ele estava no cemitério dos mortos para o pecado em Cristo Jesus.

Um túmulo e sobre ele um caixão fechado, entendeu que havia morrido para o pecado, mas não foi sepultado, ficando o caixão em local de fácil acesso.

O cadeado não estava trancado, entendeu que esta parte do sonho era a prova cabal de que ainda sentia saudades das coisas do mundo, pois, além de não ter sepultado o velho homem, havia o deixado sobre o túmulo e o caixão destrancado. Deixando claro que não queria se livrar definitivamente daquele corpo.

Então ele caiu em si e enxergou que era necessário não só trancar o cadeado – mas sepultar o velho homem, daquele dia em diante o jovem iniciou uma caminhada para assim o fazer.

Este sonho marcou a sua vida – foi uma mensagem de Deus para sua vida, passou então a lutar para sepultar definitivamente o velho homem, pois havia percebido que o não tinha feito, passaram-se alguns anos até que o jovem entendeu após degladiar consigo mesmo, que se não sepultasse definitivamente o velho homem sua vida espiritual não ia prosperar jamais, seu ministério não ia crescer, os dons espirituais não iriam se manifestar em sua vida, não iria ouvir ou ter intimidade com Deus como ele sempre sonhou, Cristo não ia aparecer em sua vida.

Ele entendeu que se não sepultasse o velho homem, jamais iria experimentar o lugar espiritual que almejava tanto, lugar este conhecido como SANTO DO SANTO, lugar onde a presença de Deus é real, lugar de glória, de visão espiritual, de revelação, lugar onde se ouve a voz de Deus claramente, um lugar muito especial.

O jovem com o passar do tempo também entendeu o porque não havia sepultado definitivamente o velho homem: Concluiu que em seu subconsciente havia uma mentira implantada por Satanás que afirmava que: Ele deixando definitivamente as práticas pecaminosas passaria então a haver dentro de si uma lacuna e um sentimento de perda.

Foi então que ele decidiu a mudar sua forma de orar a Deus – passando a orar para que Deus preenchesse essa lacuna (que fora deixada pela ausência das práticas do velho homem) com o seu poder, com a sua presença, com as virtudes do Céu, com o desejo de ler e meditar em sua Palavra, com o desejo de ser mais consagrado ao Senhor, com Dons espirituais e com o fruto do Espírito Santo.

Foi então que o jovem descobriu que era possível viver sem as práticas do velho homem – escravo do pecado, o jovem decidiu sepultar definitivamente o velho homem e viver em novidade de vida com Cristo.

"De sorte que fomos sepultados com ele, pelo baptismo, na morte; para que, como Cristo ressuscitou dos mortos, pela glória do Pai, assim andemos nós, também, em novidade de vida." Rm 6.4.

Deus tem bençãos pra você.

Veja o vídeo a baixo.




" Quem não sepulta o velho homem definitivamente, vive de mingalhas espirituais".
Alan Fabiano.


Neste artigo você não vai ver a biografia, porque este jovem sou eu.

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

UM SÓ GOVERNO

Apocalipse 13. 16-18
"16.E faz que a todos, pequenos e grandes, ricos e pobres, livres e servos, lhes seja posto um sinal na sua mão direita, ou nas suas testas; 17. Para que ninguém possa comprar, ou vender, senão aquele que tiver o sinal, ou o nome da besta, ou o número do seu nome. 18. Aqui há sabedoria. Aquele que tem entendimento calcule o número da besta, porque é o número de um homem, e o seu número é seiscentos e sessenta e seis."

FALSOS CRISTOS

Mateus 24. 23-27.
"23. Então, se alguém vos disser: Eis que o Cristo está aqui, ou ali, não lhe deis crédito; 24. Porque surgirão falsos cristos e falsos profetas, e farão tão grandes sinais e prodígios que, se possível fora, enganariam até os escolhidos. 25. Eis que eu vo-lo tenho predito. 26. Portanto, se vos disserem: Eis que ele está no deserto, não saiais. Eis que ele está no interior da casa; não acrediteis. 27. Porque, assim como o relâmpago sai do oriente e se mostra até ao ocidente, assim será, também, a vinda do Filho do homem."




sexta-feira, 13 de agosto de 2010

OS FALSOS PROFETAS

OS FALSOS PROFETAS
Objetivos
Identificar a falsa mensagem profética de Hananias
Explicar como Hananias foi desmascarado
Consientizar-se de que o discernimento é indispensável para o reconhecimento dos falsos profetas.

INTRODUÇÃO
Desde a antiguidade existem falsos profetas, nesta lição estudaremos a partir de um ponto de vista mais voltado para tais eventos em o Velho Testamento, estudaremos sobre as atitudes do falso profeta Hananias e veremos que tal comportamento ecoa até os nossos dias.
Aprenderemos a identificar os falsos profetas à luz da Bíblia, bem como uma falsa profecia, não esquecendo que tais homens e mensagens só podem ser identificados através de uma perspectiva espiritual indo além da emoção e da razão, ou seja através de uma ferramenta indispensável na vida de um cristão; DISCERNIMENTO DE ESPIRITO.

I. CONCEITOS
1. Profeta.
Significado – Aquele que é chamado por Deus para entregar a mensagem divina ao povo, em outras palavras “porta vozes de Deus” – Dt 18.18
Sua responsabilidade – Ez 3.11; 33.6; (ler)
Sua missão - Expor com unção os padrões da santidade divina para o povo;
O que eles transmitem?
A vontade e desígnios de Deus, alem de desvendar o futuro segundo a inspiração do Espírito Santo.
Através deles - os santos regozijam-se no Senhor; faz o ímpio estremecer reconhecer o seu mau caminho At 24.24,50.
Qual a orientação bíblica sobre eles?
Devemos nos acautelar dos falsos profetas (Mt 7.15) e provar os espíritos se são ou não de Deus (1 Jo 4.1).

2. Profecia
Profecia – declaração da mente e do conselho de Deus.
Tipos de profecia no Velho e no Novo Testamento:
Preditiva e Declarativa
Preditiva – Revela o plano divino em relação a Israel, a Igreja, aos gentios e a plena chegada do Reino de Deus. É Escatológica (futuro), definida e inerrante, pois o plano divino já está profeticamente definido – Ap 22.18.
Declarativa – É constituída de exortação, admoestação, encorajamento, promessa, advertência, Julgamento, consolo. (para edificação e aperfeiçoamento dos santos) – 1 Co 14.3,4; Ef 4.12.

Veja também - http://espadaflamejante.blogspot.com/2009/09/os-falsos-profetas.html



quarta-feira, 11 de agosto de 2010

PROFECIA E MISTICISMO

LIÇÃO 4 - PROFECIA E MISTICISMO

OBJETIVOS

Definir o termo misticismo

Explicar o que são práticas divinatórias

Conscientizar-se de que o objetivo da profecia bíblica é nortear o Corpo de Cristo na sua peregrinação.

COMENTÁRIO

INTRODUÇÃO

Devido à popularidade que os meios de comunicação dão às questões espirituais, algumas expressões que antes eram restritas a grupos específicos, acabaram tornando-se comuns.

Um bom exemplo são os termos "profecia" e "misticismo".

Mas o que de fato significam?

Profecia é a mensagem ou palavra do profeta.

Já o misticismo, no “sentido” em que vamos enfocar, é a tendência para a união espiritual íntima com seres espirituais tenebrosos (Ef 6.12).

Trataremos das manifestações ocultistas e esotéricas dos místicos no Antigo Testamento, os quais tentaram imitar a autêntica experiência dos verdadeiros profetas de Israel.

A essência do evangelho em risco.

O mesmo acontece hoje em relação à mensagem do evangelho de Jesus Cristo. Há pessoas que desejam imitá-lo, sem necessariamente ter conhecimento e compromisso algum com a fé cristã.

I. AVALIAÇÃO DA PROFECIA

1. Os embusteiros (13.1).

Embusteiro: O que utiliza de embustes; o impostor.

Exemplo: O falso profeta de 1 Rs 13.11.

Quando o texto de Dt 13.1 fala sobre "profeta" ou "sonhador", na realidade está referindo-se a alguém que se apresenta como tal, e é possível que ele realize perante o povo "um sinal ou prodígio".

Sinal. Qualquer marca ou prova que revela, relembra ou confirma qualquer acontecimento do passado, presente ou futuro. Que chama a atenção para um assunto fazendo com que o mesmo seja levado a sério;

Os sinais mais claros são Milagres e Profecias (Mt 7. 15,22).

Prodígio. É um milagre que comprova a autoridade de quem o operou; sua raiz etimologia vem da palavra persuadir.

Sinais e maravilhas em si mesmo não provam que procedem de Deus. (Ex 7.11,12; Mt 7.22,23; 24.24; Ap 13.13,14).

Satanás o maior embusteiro.

Martinho Lutero, dizia que o Diabo é o maior imitador de Deus.

Jesus afirmou que tais impostores "farão tão grandes sinais e prodígios que, se possível fora, enganariam até os escolhidos" (Mt 24.24).

Paulo nos adverte dizendo que até "Satanás se transfigura em anjo de luz" (2 Co 11.14).

“Assim, é possível alguém manifestar tais sinais e maravilhas sem necessariamente ser um servo de Deus”.

2. Como identificar a fonte do milagre? (13.2).

“Deus não é Deus de confusão”

A primeira e mais segura regra de autenticação dos prodígios realizados por alguém é a sua coerência bíblica.

Um milagre é de Deus quando leva a fé no Deus verdadeiro e está em conformidade com a revelação bíblica (Dt 18.9-14).

É impossível alguém operar milagres da parte do Senhor e, ao mesmo tempo, adotar uma teologia contrária à Bíblia, ou seja, quem ensina ao povo a seguir a um deus estranho ou a práticas contrárias ao que a Palavra de Deus nos ensina está incitando a rebelião contra Deus (Dt 13.5, 18.14).

Jesus disse: "[...] por seus frutos os conhecereis" (Mt 7.16).

O termo "frutos" não diz respeito apenas ao testemunho pessoal, pois há ateus e praticantes de doutrinas ocultistas que têm um excelente testemunho junto à família e diante da sociedade.

Ao falar dos "frutos", o Senhor Jesus Cristo referiu-se mais ao conteúdo teológico do pregador milagreiro e enganador.

“Fruto em nosso contexto seriam todas as obras produzidas por alguém”.

Correlação Lc. 3. 10-14 – Jesus fala sobre os bons frutos.


3. Deus usa o falso profeta para provar os seus servos (13.3).

Ver 1 Rs 13.21,22.

Como já foi dito, uma das formas mais simples de avaliação de um falso profeta é o conteúdo de sua mensagem.

Cosmovisão. Modo de olhar o mundo.

Ecumenismo / sincretismo religioso

Se a cosmovisão religiosa e filosófica do profeta ou sonhador, acerca de Deus, do ser humano e do mundo afasta-se das Escrituras, contrariando a doutrina bíblica, ainda que ele faça descer fogo do céu à nossa vista e impressione o povo, devemos continuar firmes em nosso lugar, pois tais manifestações são de fonte estranha.

Deus permite falsos mestres ensinadores para nos provar.

Deus nos prova – 13.3

Prova o nosso amor – Mt 22.37.

Devemos conhecer a voz de Deus – Jo 10.14.

Isso é ainda mais válido para os dias atuais com tantos inovadores milagreiros, falsos cristos e pregadores de "outro Jesus, outro espírito e outro evangelho" (2 Co 11.4).

E ele mesmo deu uns para apóstolos, e outros para profetas, e outros para evangelistas, e outros para pastores e doutores, Ef 4.11

AMADOS, não creiais a todo o espírito, mas provai se os espíritos são de Deus, porque já muitos falsos profetas se têm levantado no mundo.1 Jo 4.1.

II. PRÁTICAS DIVINATÓRIAS

1. As abomináveis práticas divinatórias (18.9).

Práticas divinatórias comuns entre os cananeus (Dt 18. 10-14, Is 19.3);

Devem ser rejeitadas (Dt 18.14)

Atualmente tais práticas existem na sociedade. Elas abrangem direta ou indiretamente: magia, astrologia, alquimia, clarividência, tarô, búzios, quiromancia, necromancia, numerologia, levitação, transe etc.

Quiromancia: Adivinhação pelo exame das linhas da palma da mão.

Necromancia: Adivinhação pela invocação de espíritos; magia negra.

Clarividência: capacidade mediúnica de visualizar objetos por meios paranormais.

Alquimia. É uma tradição antiga que combina elementos de Química, Física, Astrologia, Arte, Filosofia, Metalurgia, Medicina, Misticismo, Geometria e Religião.

Três objetivos principais na sua prática. 1. A transmutação dos metais inferiores ao ouro; 2. Elixir da Longa Vida e 3. Criar vida humana artificial, os homunculus


2. Adivinhador, prognosticador, agoureiro, feiticeiro, encantador, necromante e mágico (18.10,11).

O "adivinhador" ou "adivinho" é quem pratica a adivinhação. Como parte da magia, essa prática é uma antiga arte de predizer o futuro.

Por meios diversificados: intuição, explicação de sonhos, cartas, leitura de mão etc.

O termo "prognosticador" é uma das possíveis traduções do hebraico onen, e literalmente significa "fazer agouros pela nuvem". É aquele que pratica mágica, vaticínio, presságio, prognóstico e tenta prever o futuro por meio de sortilégios.

Vaticínio, origem latina, Vaticinação; predição feita por um Vate; prognóstico; profecia.

Através da entranhas dos animais, ou direção da fumaça, etc.

O agoureiro é o que pratica agouros, uma forma de magia especializada em tentar predizer males e desgraças (2 Rs 17.17).

A palavra hebraica empregada para "feiticeiro" é usada também para "bruxo"; os tais faziam parte do grupo de conselheiros de Faraó, com os seus sábios e magos (Êx 7.11).

A palavra hebraica usada para "espírito adivinhante" ou "necromante", na ARA, tem sentido abrangente: médium, espírito, espírito de mortos, necromante e também mágico (Lv 19.31; 20.6; Is 8.19; 29.4).

3. Bruxo e bruxaria.

Bruxo é o praticante da magia negra que visa fazer o mal (qualquer forma de adivinhação em si mesma já é um mal).

A bruxaria chegou ao seu apogeu na Idade Média.

Hoje, as bruxas são apresentadas, pela mídia, como heroínas belas para as crianças e adolescentes. Tenha cuidado!

Atentar para a bruxaria nos entretenimentos, mídia e etc. (de uma forma sutil).

III. A NECESSIDADE DA PROFECIA BÍBLICA

1. A voz de Deus na terra.

A profecia bíblica é a voz de Deus na terra para nortear homens e mulheres no caminho seguro para o céu; é também chamada de a "profecia da Escritura" (2 Pe 1.20).

Mesmo com a queda do homem no Éden, o Senhor nunca deixou de se comunicar com as suas criaturas racionais. Através dos patriarcas, reis, sacerdotes e profetas, Ele revelou a si mesmo e se propôs a habitar no meio do seu povo (Êx 25.8; 29.45,46).

Na atualidade, a voz do Senhor pode ser ouvida através da Palavra de Deus, que é pregada ao mundo inteiro por meio da "igreja do Deus vivo, a coluna e firmeza da verdade" (1 Tm 3.15).

2. Revelação dos arcanos divinos. (segredos, mistérios)

Ao falar sobre o fato de Jesus ser o cumprimento da mensagem dos profetas, o apóstolo Pedro disse que "agora", ou seja, para nós que estamos presenciando a materialização dos vaticínios e arcanos divinos, precisamos atentar ainda mais para a importância de tais mensagens, pois cumprem o propósito de servirem como um norte,

"até que o dia esclareça, e a estrela da alva apareça em vosso coração" (2 Pe 1.19).

3. O contraste entre a verdadeira profecia e as práticas pagãs.

A Leitura Bíblica em Classe e as demais referências citadas nesta lição revelam a gravidade das práticas ocultistas e esotéricas, as quais tentam imitar a profecia bíblica.

Elas são demoníacas, portanto, condenadas pela Palavra de Deus.

Tentam se misturar com o evangelho, mas, negam a Jesus com único caminho.

Ex. espiritismo de Alan Kardec

O objetivo dos adivinhadores, magos, prognosticadores, agoureiros, necromantes etc., é o mesmo dos tempos bíblicos: fazer frente à vontade de Deus e ao evangelho de Jesus Cristo, levando o povo ao desvio do único caminho certo, à semelhança de Janes e Jambres que "resistiram a Moisés, assim também estes resistem à verdade" (2 Tm 3.8).

Conclusão

O inimigo de nossas almas continua lutando para combater a verdade divina, e tudo quanto se chama Deus, tem lutado ferrenhamente contra os seus servos utilizando instrumento humano para introduzirem no meio da sociedade, um falso ensino e/ou filosofia. É hora de despertarmos do sono e desconfiar..... nem tudo que parece é.

terça-feira, 13 de julho de 2010

A NATUREZA DA ATIVIDADE PROFÉTICA

Lição 2 - 11 de julho de 2010
OBJETIVOS:
Explicar as formas de comunicação divina aos profetas, e pelos profetas ao povo.
Descrever a interpretação naturalista acerca dos profetas do Antigo Testamento.
Refutar a falácia dos naturalistas com argumentos bíblicos.


TEXTO ÁUREO
"Havendo Deus, antigamente, falado, muitas vezes e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas, a nós falou-nos, nestes últimos dias, pelo Filho" (Hb 1.1).

VERDADE PRÁTICA
A autêntica comunicação profética, nos tempos bíblicos, era feita por meio de palavras e de figuras, a fim de que o povo compreendesse claramente a mensagem divina.

EXPLORANDO A REVISTA

INTRODUÇÃO

“Sabemos que Deus falou muitas vezes e de muitas maneiras através dos seus mensageiros” (Hb 1.1).

Estudaremos como os profetas recebiam a revelação divina e como essa mensagem era transmitida ao povo.

Estudaremos a natureza da atividade profética, ou seja, o modus operandi da comunicação entre Deus -> Profeta -> Povo.

Modus operandi é uma expressão latina que significa "modo de operação", utilizada para designar uma maneira de agir, operar ou executar uma atividade seguindo sempre os mesmos procedimentos.

MEIO DE COMUNICAÇÃO PROFÉTICA

1. PROCLAMAÇÃO DIRETA
- Linguagem direta e simples – Jo 3.4 (Jesus e Nicodemos);
- Boca a boca (audível) – Nm 12.8 – Privilégio de Moisés
- Visão e sonho – Nm 12.6; Jr 1.11;

2. LINGUAGEM FIGURADA
- Metáfora e a Símile – Comparações direta entre elementos - (Mt 23.37)
Símile se usa “como”, iguala os elementos – (Jr 18.6) casa do oleiro
Metáfora compara sem uso do “como” – (Sl 3.3; Mt 5.13...).
Parábolas (profética) – 2 Sm 12.1-2.

Quais propósitos da linguagem figurada?
a) Transmissão mais efetiva e expressiva de um fato ou verdade – Is 66.12,13;
b) Revelar um acontecimento futuro a algumas pessoas e omitir de outras – Lc 8.10;

3. APRESENTAÇÃO DRAMÁTICA
- O profeta dramatiza a mensagem
Ex: Jeremias fazia jugos e pendurava-os no pescoço – Jr 27.2;
Ezequiel grava desenhos em tijolos – Ez 4.1ss; raspou o cabelo e a barba – Ez 5.1-12;
Oséias casa-se com uma prostituta – Os 4.2.

I. AS FORMAS DE COMUNICAÇÃO DE DEUS AOS PROFETAS
Algumas formas de comunicação direta de Deus aos profetas.

1. "[...] Veio a mim a palavra do SENHOR" (v.4).

A expressão "veio a mim a palavra do Senhor" serve para introduzir um diálogo ou uma visão entre Deus e o profeta (vv.4,11,13).

Serve ainda para demonstrar a autenticidade da mensagem.

A FORMA DE RECEPÇÃO DA MENSAGEM

Íntima (pessoal) e repentina (imprevisível) podendo ser audível ou não, porém, só o profeta ouvia – 1 Sm 16.6,7; Is 7.3,4.

2. Revelação divina em forma de diálogo (vv.6,9,10).
Comunicação típica de chamadas ao ministério profético, vejamos:
Ex:
Jeremias – Jr 1.6-10;
Isaias – Is 6;
Ezequiel – Ez 1; 2.1-2;

3. Visão ou sonho.
Visão. Algo visto fora da contemplação ou percepção humana comum e natural.
Sonho. Não é necessariamente uma revelação de Deus, é apenas uma série de imagens acompanhadas de pensamentos e emoções que a pessoa vê enquanto dorme.
Sonho profético. Era outra maneira de Deus se revelar aos seus profetas (Nm 12.6), como fez com Daniel (Dn 7.1).

Visões

a) A visão da vara de amendoeira (vv.11,12).
A amendoeira é uma árvore que se renova mais cedo para a primavera, ou seja, é a primeira a florir.

A palavra hebraica correspondente para "amendoeira" é shaqed, e significa "o despertador", uma vez que o povo a via como o "arauto da primavera".

Representa o lembrete de que Deus está atento ao cumprimento de sua palavra (cf. Jr 31.28; 44.27).

b) A visão da panela fervendo (vv.13-15)
A segunda visão dada pelo Senhor a Jeremias veio algum tempo depois e mostra uma panela fervendo, virada do norte para a região da Palestina.

O "conteúdo" desse caldeirão (algo sinistro e assustador, pois anunciava o trágico destino da nação judaica devido aos seus pecados) seria derramado sobre Judá e Jerusalém.

Refere-se especificamente ao reino da Babilônia que dominaria outros povos e que havia de dominar também a Israel.

II. AS FORMAS DE TRANSMISSÃO DA MENSAGEM DOS PROFETAS AO POVO

1. Declaração oral e direta.
Quando o porta–voz divino leva diretamente a alguém a mensagem.
É algo muito comum nos profetas pré-clássicos.

Profetas pré-clássicos (profetas não escritores), profetas da fala.
Samuel (1 Sm 15.16,17);
Natã (2 Sm 7.8-17; 12.7-10);
Gade (1 Sm 22.5);
Hanani (2 Cr 16.7) e
Elias (1 Rs 21.19-27).

Os profetas clássicos (literários) – Profetas escritores.
Atuam na história de Israel no decorrer de três séculos, entre 750 e 450.
1) Os profetas do 8º século (760 . 700 a.C.): Amós; Oséias; Isaías; Miquéias;
Jonas.
2) Os profetas dos 7º e 6º séculos (640 . 587 a.C.): Sofonias; Naum; Jeremias;
Habacuque; Ezequiel.
3) Os profetas do 6º e 5º séculos (539 . 443 a.C.): Ageu; Zacarias; Obadias;
Daniel; Joel; Malaquias.
Essa forma de comunicação ocorre também nos clássicos, mas a sua quantidade de ocorrências é menor (Jr 38.17).

Conteúdo das mensagens:
repreensão, advertência, conforto ou ensino.

2. Figuras e símbolos proféticos.
Outras formas de transmitir as mensagens proféticas são as figuras e símbolos.

São ilustrações pictóricas utilizadas pelo profeta, com o objetivo de chamar a atenção do seu interlocutor para a mensagem.

Ex: O profeta Aías, que rasgou um manto em doze pedaços e ofereceu dez deles a Jeroboão I, comunicando-lhe acerca da divisão do reino de Salomão (1 Rs 11.29-32).

O profeta Jeremias, orientado por Deus, enterrou próximo ao rio Eufrates um cinto de linho (13.1-11); sua ida à casa do oleiro (18.2-6) e o uso da canga de madeira sobre o seu pescoço (27.2; 28.12), são exemplos dessa forma de comunicar a mensagem profética.

3. Casos reais que servem de representação para comunicar a mensagem.

Com certeza a mais dolorosa de todas:

Aqui o profeta é o seu próprio púlpito.

Uma forma rara de comunicação da mensagem divina é a que envolve casos reais, utilizados para exemplificar a situação entre Deus e o povo.

Chamada em hermenêutica de "oráculo por ação",
Ex:
Oséias – casa-se com uma prostituta - (Os 1.2,3).
Jeremias – que é proibido de casar- (Jr 16.1-3).

III. A QUESTÃO EXTÁTICA DO PROFETA
Teologia X Naturalismo
Naturalistas: Essa teoria afirma que todos os fenômenos podem ser explicados mecanicamente em termos de causas e leis naturais. Opõe-se ao sobrenatural.

1. Interpretação naturalista.
Os intérpretes naturalistas consideram o estado de êxtase como um dos aspectos mais característicos da atividade dos profetas hebreus, mas negam a origem divina de seus oráculos.

Afirmam que o fenômeno do êxtase era apenas um estado emocional da pessoa.

Tentam igualar os profetas de Deus aos adivinhos, falsos profetas hebreus e aos profetas dos deuses das nações vizinhas de Israel.

“Quem recebe espíritos perde o sentido, diferente dos profetas que sempre profetizavam em sã consciêcia”.

2. Falácia dos naturalistas.
A interpretação naturalista é antibíblica, porque as Escrituras Sagradas declaram que a fonte dos oráculos proféticos é o próprio Deus (Os 12.10; 2 Pe 1.21).

Há na Bíblia inúmeras evidências irrefutáveis e indestrutíveis que provam serem os profetas de Israel embaixadores de Deus enviados ao povo (Ag 1.13).

A interpretação naturalista é inconcebível, pois as profecias que vêem de Deus se cumpriram e continuam se cumprindo.

3. A base dos naturalistas e uma refutação.
Alguns relatos bíblicos parecem mostrar alguém profetizando em estado de êxtase como Balaão: "[...] caindo em êxtase e de olhos abertos" (Nm 24.4,16).

Refutação:
Entretanto, antes de mencionar um desses casos e sua respectiva ressalva, é importante destacar que o termo "êxtase" sequer aparece no Antigo Testamento com esse sentido.

A ARC emprega o termo, em itálico, para descrever o estado emocional de Balaão enquanto alçava a sua parábola (Nm 24.4,16).

O emprego de palavras em itálico no texto bíblico traduzido indica que não constam explicitamente do texto nas línguas originais.

Além do mais, Balaão pode ter sido inicialmente um profeta, mas depois se desviou.

Em nenhum lugar do Antigo Testamento, ele é chamado de profeta, antes é reconhecido como "adivinho" (Js 13.22). Deus o usou assim como usou a sua jumenta; bem como usou a Caifás (Jo 11.49-52). Quanto ao caso que alguns afirmam ter paralelo com o "êxtase" de Balaão, trata-se de Saul: "[...] e ele também profetizou diante de Samuel, e esteve nu por terra todo aquele dia e toda aquela noite" (1 Sm 19.24). Contudo, é bom lembrar que Saul, à época dessa experiência, estava distanciado de Deus (1 Sm 16.14).

CONCLUSÃO

Aprendemos sobre a natureza da atividade profética, e o que nos chama à atenção é que o mesmo Deus que se manifestava em glória aos profetas é o mesmo. Ele é imutável, portanto tomemos posse da profecia feita através do profeta Joel, "E há-de ser que, depois, derramarei o meu Espírito sobre toda a carne, e vossos filhos e vossas filhas profetizarão, os vossos velhos terão sonhos, os vossos mancebos terão visões".


Fonte:
ALMEIDA, João Ferreira. Bíblia Sagrada: Shedd. Revista e Atualizada. São Paulo, SP: Vida Nova, 2ª Ed. 1997.

sábado, 3 de julho de 2010

O MINISTÉRIO PROFÉTICO NO ANTIGO TESTAMENTO

Lição 1 - 04 de julho de 2010

OBJETIVOS

Identificar a origem do ministério profético.

Explicar o significado do termo profeta dentro do contexto das Escrituras Sagradas.

Reconhecer que Moisés e Arão deram início ao ministério dos profetas em Israel.


INTRODUÇÃO

Definição: Profeta. [Do heb. Nabi; do gr. prophetes]. “No Antigo Testamento, era a pessoa devidamente vocacionada e autorizada por Deus para falar por Deus e em lugar de Deus”.

O profeta era a voz de Deus entre os homens.

Os profetas do Antigo Testamento inspiram e instruem não somente a Israel, mas a Igreja de Cristo. O Senhor Jesus Cristo e os seus apóstolos fizeram-lhes referências, reconhecendo a autoridade espiritual deles.

A presente lição objetiva explanar a missão desses homens de Deus e a abrangência bíblica do termo "profeta".


I. O INÍCIO DO MINISTÉRIO DOS PROFETAS

1. Contexto histórico (v.24). Trabalho excessivo de Moisés:

Moises fora chamado por Deus para levar o povo de Israel à Terra prometida – (Ex 3.8), durante a caminhada pelo deserto surgiram vários problemas, contudo, sempre tiveram vitória.

Em Nm 11. 1-15, destacamos:

Por parte do povo 11.1-10:

1. A falta de confiança em Deus; 2. Falta de visão; 3. Ingratidão; 4.Insatisfação.

Por parte de Moisés 11.11-15:

1. Dúvida da chamada; 2. Frustração; 3. Conflito pessoal; 3. Desespero (pede a morte).


Deus atende a oração de Moisés aliviando sua carga – Ver 11.17.


2. Moisés iniciou o ofício profético em Israel (vv.25,26).

A figura do profeta está presente desde os patriarcas.

A palavra “profeta” aparece pela 1ª vez em Gn 20.7, significando “porta-voz de Deus”, Abraão recebia a revelação direta da parte de Deus.

A 2ª vez é em Ex 7.1. Arão “profeta” de Moisés; “porta-voz” de Moisés à Faraó.


Moisés e Arão iniciam o ofício profético. (ambos eram porta-vozes de Deus,

Ex 3; 4.10-16, 29-31).

O verbo profetizar aparece a 1ª vez em Nm 11.25,26. A partir dai iniciou a descentralização do ministério profético, pois eram centralizados em Arão e Moisés.

Dos setenta apenas dois continuaram a profetizar, quais sejam:

Eldade, Hb. Deus ama.

Medade, Hb. Amor

Mas, os demais permaneceram cheios do Espírito de Deus e com autoridade espiritual para administrar o povo (11.17):


3. Tomara que todo o povo do SENHOR fosse profeta (v.29).

Moisés demonstra um desejo que posteriormente foi o mesmo de Paulo (1 Co 14.5).


Quais requisitos no AT, para ser chamada ao ministério profético? Ou não necessitava de requisitos?

Com base no chamado dos "setenta" , Ter comunhão com Deus e ser-Lhe obediente. (Ex 24.1).


Na Bíblia vemos profetas das mais variadas classes social.

Débora e Hulda (Jz 4.4; 2 Rs 22.14);

Amós (Am 7.14).

“Quanto menos àquele que não faz acepção das pessoas de príncipes, nem estima o rico mais do que o pobre; porque todos são obra das suas mãos.” Jo 34.19.


II. O PROFETA

1. Seu significado.

Profeta. Hb. nābî'. Sua etimologia é incerta, mas o significado é possível pelo seu uso nas Escrituras (Dt 18.18,19).

É traduzido como "porta-voz", um "embaixador", representante de Deus,

(Êx 4.14-16;), é "falar em nome Deus" em lugar de Deus, é a voz de Deus na Terra.


2. Sua abrangência. (do significado)

Tanto o substantivo "profeta" como o verbo "profetizar" têm amplo significado no Antigo Testamento e em nossos dias.


O termo "falso profeta" só aparece na Septuaginta (LXX), e no Novo Testamento, não existe nas Escrituras hebraicas.


Sendo as expressões nābî' e nãbã aplica-se também a adivinhos, falsos profetas e profetas das divindades pagãs das nações vizinhas de Israel, sendo identificados como tais pelo contexto (Dt 13.1-15Js 13.22; 1 Rs 22.12; Jr 23.13).


3. Expressões correlatas.

Tres palavras são usadas para se referir a “profeta” encontradas em 1 Cr 29.29.

Profeta, hb.nābî';

Vidente, hb. rō'eh; (1 Sm 9.9)

Vidente, hb. Hōzer.

A expressão “vidente” era para enfatizar o meio pelo qual o profeta se comunicava com Deus, apresentam dois sentidos: ver com os olhos físicos e ver introspectivamente, ou seja, ver com o espírito, por isso, o profeta é chamado de "homem de espírito" (Os 9.7).


III. O MINISTÉRIO

1. Havia o ministério dos profetas?

Alguns negam a existência da escola e do ministério dos profetas como instituição em Israel nos tempos do Antigo Testamento.

A atividade profética em Israel iniciou no ministério mosaico (Nm 11.25).

Mas, o profetismo, como movimento, surgiu séculos depois.


Evidencias que sugerem tal movimento:

Samuel presidia a congregação de profetas em Naiote, região de Ramá, onde residia (1 Sm 7.17; 19.19-23 – ler ).

Havia uma escola dos profetas composta por "filhos" dos que exerciam o ofício (2 Rs 2.3,5,15).

"filho", no sentido de "discípulo, aprendiz" (Pv 3.1,21; 2 Tm 2.1; Fm v.10).

Havia uma organização de profetas bem estruturada, onde Eliseu foi mestre deles (2 Rs 6.1-3).

Os profetas tinham servos para escreverem suas revelações (2 Rs 6.1-3; 1 Cr 29.29).


2. A corporação profética.

O termo original para "ministério, serviço" não é o mesmo referente à atividade dos profetas.

A expressão "ministério do profeta" ou "dos profetas", na ARC, como aparece nas leituras diárias desta lição, significa na verdade "por meio dos profetas", como registra a ARA.

O vocábulo "ministério" indica o serviço religioso específico e especial, desempenhado pelos levitas (1 Cr 6.32), pelos sacerdotes (1 Cr 24.3) e pelos apóstolos (At 1.25).

Isso, porém, não é em si mesmo prova da inexistência de uma corporação profética em Israel (1 Sm 10.5).


3. Classificação.

Os profetas do Antigo Testamento são categorizados em clássicos, ou profetas escritores, e os conhecidos também como profetas não-escritores ou orais.

Profetas da fala, não escreveram: Samuel, Elias e Eliseu.

Os profetas literários, os quais escreveram suas profecias: Isaías, Jeremias, Ezequiel, dentre outros.

Ambos os grupos desempenharam o mesmo ofício, mas em épocas diferentes.


REFLEXÃO:

“Os profetas bíblicos eram tanto pregadores da verdade como prognosticadores do futuro. A profecia tem suas raízes na história, mas também se estende pelo futuro. Em outras palavras, a natureza da profecia preditiva surge a partir do contexto histórico do profeta, quando a revelação de Deus lhe mostra o futuro bem como o presente” Ed Hindson.


CONCLUSÂO

Deus suscitou os profetas para revelar-se ao homem, a fim de que este conhecesse a vontade divina e o plano de salvação na pessoa sublime de Jesus Cristo, nosso Salvador. Por essa razão, devemos considerar "a palavra dos profetas, à qual bem fazeis em estar atentos, como a uma luz que alumia em lugar escuro, até que o dia esclareça, e a estrela da alva apareça em vosso coração" (2 Pe 1.19).


Fontes:

Bíblia Sagrada - Shedd;

Dicionário - Vine;

Pequena Enciclopédia Bíblica. Orlando Boyer.

terça-feira, 1 de junho de 2010

O VALOR DA TEMPERANÇA

Subisídio para – Lição 10
O VALOR DA TEMPERANÇA
Objetivos:
Explicar a origem dos recabitas.
Compreender honravam a tradição de seus antepassados.
Conscientizar-se de que a igreja de Cristo deve ter um forte compromisso com a temperança e com a excelência moral tanto de seus membros quanto dos que a cercam.
Temperança, 1. gr. enkrateia, derivado de kratos, “força”, ocorre em At 24.25; Gn 5.22; 2 Pe 1.6, em todos esses textos sendo traduzido por “temperança”; “autocontrole” é tradução preferível, visto que a “temperança” está limitada a uma forma de autocontrole; as varias capacidade concedidas por Deus ao homem são passiveis de abuso; o uso correto delas exige o poder controlador da vontade sob a operação do Espírito de Deus; em At 24.25, a palavra vem depois de “justiça”, o que representa as reivindicações de Deus, sendo o autocontrole/temperança/domínio próprio, a resposta do homem a ela; em 2Pe 1.6, a palavra vem depois de “ciência” (ou conhecimento), sugerindo que o que se aprende deve ser colocado em prática. 2. Qualidade do que é moderado ou do que modera paixões ou apetites. 3. Sobriedade, parcimônia, moderação. 4. É uma parte do fruto do Espírito (Gl 5.23).

Jonadabe. Filho de Recabe e fundador de uma tribo que fez um voto de não tocar no vinho (Jr 35:6-19). Existiam várias colônias de recabitas (Jz 1:16; Jz 4:11; 1Cr 2:55). A sua entrevista e aliança com Jeú são mencionadas em 2Rs 10:15-23. Foi com Jeú para Samaria.
Recabe. Pai de Jonadabe, que era o pai dos recabitas (2Rs 10:15, 23; Jr 35:6-19).
Câmara. Arranjadas em torno dos átrios do templo, como despensas; parcialmente como residência para sacerdote (1Cr 9.27; Ex 40.17; Ne 10.37-39).
Homem de Deus, refere-se a Hanã como "profeta" (1 Rs 12.22).
Maaséias. Provavelmente pai de Sofonias (21.1; 29.25; 37.3) o qual é mencionado como o segundo sacerdote, em 52.24.
Guarda do vetíbulo. Havia três oficiais, um para cada portão do templo. Só eram menos importantes que o sumo sacerdote e seu representante (52.24). Estavam encarregados de cuidar do dinheiro destinado à restauração do templo (2 Rs 12.9).

INTRODUÇÃO
Nesta lição aprenderemos tudo que a Bíblia relata sobre os recabitas, este clã que foi um exemplo de obediência de tal forma que recebeu um espaço no texto Sagrado. Deste clã aplicaremos em nossos dias o significado prático da temperança que é uma das propriedades do fruto do Espírito, e que deve está renovado no cotidiano de cada cristão. Nesta lição refletiremos sobre os nossos valores e se estamos obedecendo a sã doutrina.

I. RIGEM DOS RECABITAS
Os chefes infiéis em contraste com os recabitas Jr 34.1-22.
O fato de Zedequias, rei dos judeus fazer aliança com todo povo de Jerusalém na casa do Senhor (34.15), apregoando-lhes a liberdade aos servos hebreus (34.8,9) conforme Deus já havia estabelecido em aliança com os seus antepassados (Ex 21.2; Jr 34.13,14). Porem, Zedequias e os senhores que haviam firmado aliança, arrependeram-se (34.11), fazendo voltar à servidão os servos libertados, profanando assim o nome de Deus (34.16). Por este motivo foi desencadeado dois eventos de suma importância para a época e até os dias de hoje, 1. a destruição de Jerusalém, no aspecto histórico de natureza punitiva e 2. a visita dos recabitas à casa de Deus, no aspecto moral de natureza didática, Vejamos:

1. A destruição de Jerusalém. Jeremias anuncia que o temível juízo de Deus sobre Zedequias e todos os homens que quebraram os termos do pacto se produzirá inevitavelmente (34.17-22). Os babilônicos retornarão para queimarem a cidade de Jerusalém. Nos capítulos 35-36 estão registrados os incidentes históricos nos tempos de Jeoiaquim, o então rei de Judá, indicando claramente que tal atitude religiosa indiferente tem prevalecido demasiado tempo em Judá.
2. Visita dos recabitas à casa do Senhor. A visita dos recabitas, à casa do Senhor na presença dos sacerdotes, tinha o objetivo de se fazer um paralelo com o povo de Jerusalém, pois os recabitas obedeciam de maneira voluntária durante 250 anos foram fieis a uma ordenança feita por homens, e que a Lei não exigia (Dt 6.10,11). Em contra partida um povo que tinha o privilegio de serem dirigidos por Deus e receberem seus ensinamentos através dos seus profetas, não lhes dava ouvido, e não obedeciam a sua Lei. Portanto Deus iria trazer juízo sobre Jerusalém e livramento e prosperidade para os recabitas (35.19).

1. Sua origem
Pouco se sabe sobre os recabitas, são poucos comentários sobre eles, no entanto, o nosso comentarista trouxe um rico conteúdo sobre eles.

Recabitas. Os descendentes de Recabe, através de Jonadabe. Pertenciam aos queneus, que acompanharam os filhos de Israel até à Palestina, habitando entre eles. Moisés casou com uma quenita (Jz 1:16) e Jael era mulher de “Heber, o queneu” (Jz 4:17). Saul também se mostrou bondoso para com os queneus (1Sm 15:6). A maior parte dos queneus habitava em cidades e adotaram hábitos de vida estáveis (1Sm 30:29); mas Jonadabe proibiu os seus descendentes de beberem vinho e de viverem em cidades. Foi-lhes ordenado que levassem sempre uma vida nômade. Eles aceitaram a lei estabelecida por Jonadabe e notabilizaram-se, no tempo de Jeremias, pela sua fidelidade aos hábitos já há muito estabelecidos pela família (35); e este traço de caráter é mencionado pelo profeta com o propósito de reforçar a sua própria exortação. São mencionados em Ne 3:14 e 1Cr 2:55. Se estabeleceram no sul de Judá, perto do deserto de Cades (1Sm 27.10).
2. Seu relacionamento com Israel
Teve inicio do no reino do norte, quando Jeú, rei de Israel, encontrou-se com Joanadabe e levando-o para Samaria, capital de Israel (Reino do Norte).

3. O encontro dos recabitas com Jeremias
Reino do Norte, Israel, capital: Samaria
Reino do Sul, Judá, capital: Jerusalém.
Considerando que os recabitas eram oriundos do Reino do Norte, o qual havia sido tomado pelo exército assírio (2Rs 17), também invadiu Judá, tomando as cidades fortificadas deixando Jerusalém uma cidade ilhada. Porem, o exército babilônico retomou o seu poder e continuaram as deportações. Diante este contexto de grandes conflitos, podemos concluir que os recabitas fugiram para o Reino do Sul, para se livrarem das perseguições babilônicas.

II. O ESTILO DE VIDA DOS RECABITAS
O estilo de vida dos recabitas era fundamentado em princípios próprios de verdadeiros servos de Deus, esses princípios são os mesmos requeridos para os seguidores de Cristo e foram amplamente difundidos pelo Espírito Santo através dos seus apóstolos. Esses princípios são na verdade partes de um fruto, o Fruto do Espírito. Vislumbramos neste clã uma figura da igreja de Cristo, vivendo em uma época de grandes problemas em vários aspectos: morais, sociais, políticos, econômicos e espirituais. Contudo, não se associavam com eles, mantinham-se isolados, fechando as portas para a desobediência e a corrupção, assim prossegue a igreja de Cristo convivendo com uma geração perversa que ouve a Palavra de Deus mas, não lhes dá ouvido.

1. Abstinência de bebida forte
Abstinência. Privação voluntária, renúncia, privar-se de.
Bebida forte. Qualquer bebida que provoque a embriaguez, êxtase, alucinação.

A abstinência por bebida forte era comum das pessoas em estado de santidade (separar-se para Deus). Foi o que aconteceu com os sacerdotes (Lv 10.9,10), a mãe de Sansão (Jz 13.4) e com os nazireus (Nm 6.3), essas pessoas receberam esta ordem diretamente de Deus, já os recabitas receberam-na dos seus antepassados.
A bebida forte leva a embriaguez (perda parcial da razão), ou seja, quem está embriagado ver as coisas em sua volta, mas não consegue discernir o de fato está acontecendo. Foi por esse motivo que Deus proibira os sacerdotes de fazerem uso de bebida forte ao se aproximarem de Deus (Lv 10.9,10).
A bebida forte trouxe vários contratempos aos personagens bíblicos do Velho Testamento (Gn 9.21; 19.32-38), a bebida forte está associada à perversão moral, imoralidade, sensualidade e da prostituição (Os 4.11,18; Ap 17.2), as confusões (Ef 5.18) e até crimes. No Novo Testamento é expressamente condenada a embriaguez, inclusive os beberrões não herdarão o Reino dos Céus (Gl 5.21).
Logo, embriagar-se não traz alegria e muito menos paz, pois o que nos traz alegria e paz é encher-se do Espírito Santo (Ef 5.18).
Com tantas referências bíblicas concluímos que a bebida forte não pode fazer parte da mesa dos servos de Deus.
Em nossos dias as propagandas de bebidas estão associadas ao pecado, sensualidade. Sem contar o quanto são nocivas a saúde e à família.

Para refletirmos: Qual é o nome da bebida forte que tira sua razão como servo de Deus?
“E não comuniqueis com as obras infrutuosas das trevas, mas, antes, condenai-as;” Ef 5.11.
Essa foi uma decisão correta dos recabotas, manter-se longe da aparência do mal para agradar ao Senhor.

2.Peregrinações.
A peregrinação dos recabitas tem um sentido mais profundo do que as peregrinações que fazem os “religiosos”, estes fazem suas peregrinações ocasionalmente como um ritual e não como um estilo de vida, os recabitas tinham um estilo de vida nômade, para agradar a Deus.
Esta peregrinação como estilo de vida é uma figura da igreja de Cristo sobre a terra (Hb 11.13;13.14; 1 Pe 2.11).
A peregrinação física dos recabitas representa uma dependência total da providencia de Deus, uma vez que não podiam nem plantar grandes plantações (35.8-10), representa ainda desprendimento aos bens materiais, lugares e comprometimento com uma sociedade pecadora, alem de ser uma devoção a Deus como sacrifico vivo.
A igreja de Cristo é peregrina, porém no sentido mais espiritual do que físico, pois é impossível viver em nossos dias sem relacionar-se com as pessoas (1Co 5.8-11), contudo, é possível não se associar com o sistema mundano (Rm 12.2) no qual a sociedade está vivendo na atualidade, ainda o povo de Deus deve ter o seu coração no Céu e não na terra (Mt 6.19.20).

3. Honravam a tradição de seus antepassados
Outra característica dos recabitas está numa atitude maravilhosa, é a obediencia às ordenanças de Jonadabe ditadas a 250 anos atrás, esta característica nos ensina algo tremendo, é a soma da + OBEDIENCIA = FIDELIDADE. Embora fosse tradição humana, tinha o objetivo de alcançar um padrão de vida que agradasse a Deus, buscando uma adoração mais pura e sincera. Face essa obediência que inclusive é o primeiro mandamento com promessa (Ex 20.12; Ef 6.2), foi assim que os recabitas receberam de Deus uma promessa de prosperidade e longevidade (35.19).
Muito mais assim deve proceder o povo de Deus, fundamentados sobre as alianças de Deus, especialmente na Nova Alianças firmada na pessoa de Jesus Cristo (1 Co 11.25). Devemos refletir a natureza e a vontade de Cristo em toda sua doutrina, suas atitudes e suas ações (comp. 13-17 com Jo 14.15; 15.10).

III. O EXEMPLO DOS RECABITAS
O contumaz pecado de Israel teve origem na desobediência. Diante da situação moral e espiritual do povo, Deus utiliza os recabitas para mostrar aos lideres espirituais dos judeus que havia um povo que exercitavam dois princípios indispensáveis para quem quer agradar a Deus, quais sejam: 1. Ensino, e 2. Obediência. São essas virtudes que trabalharemos como exemplo dos recabitas.
1. Ensino no Lar.
O Ensino conforme a didática de Deus:
Quando Jeremias oferece um banquete de vinho aos recabitas, logo vem a resposta firme, sem titubear de um dos lideres dos recabitas, mencionando inclusive quem lhes instruiu a esse respeito, já havia se passado aproximadamente 250 anos e os ensinamentos estavam presentes em sua forma de viver.
Mas, para aquelas ordenanças permanecessem vivas era necessária uma prática diária de reflexão e ensino de tais ordenanças. Assim conseguiram manter sua identidade, enquanto que os israelitas se misturaram com outras nações caindo em apostasia.
O ensino trás o conhecimento e o conhecimento mudança de vida, Deus ordenara aos patriarcas que ensinassem aos seus filhos tordos os dias Dt 4.10. em todos os lugares e no relacionamento familiar Dt 11.19 e dos tais ensinamentos o povo não deveria se afastar nem para a direita nem para a esquerda Dt 17.11. Mas, com o passar do tempo Israel foi se misturando com outras nações e perdendo sua identidade, não separava mais o santo do profano (Ez 16).
Deixaram de praticar o ensino da Lei aos filhos dentro do seu lar Dt 4.10, conforme Deus havia ordenado.
Aprendemos com os recabitas a importância de praticar o culto doméstico, levar os filhos à escola dominical, contar historias bíblicas ilustradas e outras opções de ensino da Palavra de Deus dentro do lar.
“Instrui ao menino no caminho em que deve andar; e até quando envelhecer não se desviará dele.” Pv 22.6.

Considerando que os recabitas é figura da igreja de Cristo em meio a uma geração corrompida vale ressaltar a importância da valorização do ensino e ministração da Palavra, temos visto que o tempo disponível para essas modalidade em algumas igrejas tem sido sufocados, reduzidos e pouco valorizado, vemos ainda professores com pouca aptidão para a leitura e não se esforçam para o desenvolvimento do ensino na casa de Deus.
Outro fator que nos chama a atenção é que os recabitas se reuniram em particular com os sacerdotes e ministros do culto, trazendo um alerta para os administradores para a casa de Deus. (não entrarei nesse mérito).
2. Obediência.
Obedecer. Submeter-se à vontade de outrem e executá-la.
Foi através da simplicidade e da fidelidade que os recabitas receberam uma promessa especial da parte de Deus, eles resolveram a obedecer às ordenanças a eles pregadas visto que era para se aproximarem de Deus, sendo mais dependente dEle.
A obediência é o segredo da vitória para qualquer pessoa em qualquer área da vida, temos grandes exemplos de homens de Deus que foram exaltados após passarem por um processo de obediência.
Os judeus perderam o senso da obediência e já ofereciam sacrifício que não passavam de um ritual religioso (Jr 6.19-20), diferente dos recabitas que foram fieis, mesmo diante de um banquete com taças cheias de vinho.
Este é o outro exemplo dos recabitas, é esse tipo de obediência que devemos primar, visando sempre o nosso exemplo maior que é Cristo que foi obediente ao Pai até a morte (Fp 2.9).

CONCLUSÃO
Que nós venhamos a colocar em prática, o exemplo dos recabitas, a igreja de Cristo vive em meio a uma geração corrompida, mas, se obedecer firme a Palavra de Deus seguirá sem perder sua identidade, como aconteceu com o povo de Israel (Ez 16). Nós enquanto cristãos devemos ser mais dependentes de Deus e da sua Palavra para que possamos tomar posse das promessas já conquistadas na Cruz.

Bibliografia
BOYER, Orlando. Pequena enciclopédia bíblica. São Paulo: Vida, 2000.
Bíblia Sagrada. Online, mundo bíblico.
ALMEIDA, João Ferreira. Bíblia Sagrada: Shedd. São Paulo, SP: Vida Nova, 2ª Ed. 2008.
Bíblia de Estudo de Genebra, Revista e Atualizada. São Paulo, SP: Cultura Cristã, 2ª Ed. 1999.
Bíblia de Estudo Pentecostal, Revista e Corrigida. Brasil: CPAD, Ed. 1995.