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domingo, 23 de agosto de 2009

A NOSSA ETERNA SALVAÇÃO

NOSSA ETERNA SALVAÇÃO LIÇÃO - 8

INTRODUÇÃO

A Salvação é o resultado do grandioso propósito de Deus de resgatar a humanidade perdida, onde sistematicamente funciona da seguinte forma: Deus, o Pai, arquitetou a salvação (Gn 3.15); o Filho a consumou na cruz do calvário (Jo 19.30) e o Espírito Santo a aplica, convencendo o homem do pecado da justiça e do juízo (Jo 16. 8-11).
As verdades relacionadas com a aplicação da salvação agrupam-se em três títulos: Justificação, regeneração e santificação, já as verdades relacionadas com a aceitação por parte do homem agrupam-se sob os seguintes títulos: arrependimento, fé e obediência e pode ser vista em tres tempos: passado, presente e futuro.

I. A NATUREZA DA SALVAÇÃO

1. Três aspectos da salvação

Há três aspectos da salvação, e cada um deles se caracteriza por uma palavra que o define ou o ilustra. Para melhor compreendermos a salvação, podemos ilustrá-la da seguinte forma: imagine que ela é um triângulo, e cada um dos seus lados são os seguintes: justificação; regeneração e santificação, portanto são interligados entre si, logo, se faltar uma dessas partes deixará de ser um triangulo e conseqüentemente não será aplicada na vida do cristão plenamente.

JUSTIFICAÇÃO => Denota “o ato de pronunciar justo, justificado, absolvição” (Rm 4.25), se concretiza pela fé em Cristo (Rm 5.1).

REGENERAÇÃO => Gerar de novo, nova vida, novo nascimento (Jo 3.5).

SANTIFICAÇÃO => Usado para aludir a “separação para Deus” (I Co 1.30; II Ts 2.13), é a relação com Deus na qual os homens entram pela fé em Cristo (At 26.18).

2. Condições da salvação
O que significa condições para salvação? Significa o que Deus exige do homem a quem Ele aceita por causa de Cristo e aquém dispensa as bênçãos do evangelho da graça.
A Palavra de Deus apresenta o arrependimento e a fé como condições da salvação; o batismo nas águas (arrependimento) é o símbolo exterior da fé interior do convertido (Mt 1.15; At 22.16; 16.31; 2.38; 3.19), abandonar o pecado e buscar a Deus são as condições para a salvação, bem como os preparativos pra ela.
Contudo não há mérito nem no arrependimento nem na fé, uma vez que tudo já fora providenciado por Deus a favor do pecador que se arrepende, em outras palavras “somo salvos pela graça”.
Pelo o arrependimento, o pecador move os obstáculos que o impede de receber essa dádiva; pela fé, mas para isso acontecer de fato na vida do pecador é necessário que o Espírito Santo o convença do erro do seu caminho (At 11.18), portanto torna-se sem perdão a blasfêmia contra o Espírito Santo, Ele é a única pessoa pela qual podemos chegar ao conhecimento de Deus, conforme está escrito: “Portanto, vos quero fazer compreender que ninguém, que fala pelo Espírito de Deus, diz: Jesus é anátema; e ninguém pode dizer que Jesus é o Senhor, senão pelo Espírito Santo”. I Co 12.3.
A diferença entre arrependimento e fé é basicamente a seguinte:
A fé é o instrumento pelo qual recebemos a salvação, fato que não se dá com o arrependimento, este ocupa-se com o pecado e remorso. Não pode haver fé sem arrependimento, pois só o pecador que se arrepende sente a necessidade do Salvador e deseja a salvação de sua alma, da mesma forma não pode haver arrependimento sem fé, ninguém consegue arrepender-se para salvação sem fé na Palavra de Deus, em seus juízos e em suas promessas inclusive de vida eterna.
Portanto os dois elementos para a realização da salvação na vida de um pecador é arrependimento verdadeiro (intelectual, emocional e pratico) e a fé, sem a qual ninguém consegue agradar a Deus (Hb 11.6) e muito menos a Salvação em Cristo.

II. A JUSTIFICAÇÃO

1. Natureza da justificação: absolvição divina

O substantivo “justificação” ou “justiça” significa o estado de aceitação que só se alcança pela fé em Cristo (Rm 1.17;3.21,22), é nesse estado que o crente permanece (Rm 5.2), pois o veredicto divino é “justificado”, e ninguém pode opor-se a ele (Rm 8.34).
Podemos dizer que a doutrina da justificação assim se define: “ Justificação é um ato da livre graça de Deus pelo qual Ele perdoa todos os nossos pecados e, aos seus olhos, somos considerados justos apenas por nos ter sidos creditada a justiça de Cristo, a quem se recebe pela fé”.

2. A fonte da justificação: a graça

Graça significa, primeiramente, favor, ou a disposição bondosa da parte de Deus. Alguém a definiu como a “bondade genuína e favor não recompensados”, ou “favor não merecido”, ou seja o favor que Deus nos concede com o seu favor nunca podemos recompensá-Lo ou pagar-Lhe.
Portanto o serviço cristão não é pagamento pela graça de Deus; é apenas o meio pelo qual o cristão expressa o seu amor por Ele, jamais com sentimento de retribuição como pagamento, mas sim por gratidão, foi Ele quem nos amou primeiro (I Jo 4.19). A graça de Deus aos pecadores revela-se no fato de que Ele mesmo, pela a expiação de Cristo, pagou toda a pena do pecado. Por conseguinte Ele pode justamente perdoar o pecador sem levar em conta os merecimentos ou nao merecimentos do pecador, mas somos perdoados porque existe redenção pelo sangue de Cristo (Rm 3.24; Ef 1.6).

III. A REGENARAÇÃO

A regeneração é o ato divino que concede ao pecador que se arrepende e que ter uma vida nova e mais elevada, mediante a união pessoal com Cristo. O NT descreve a regeneração desta forma:
a) Nascimento – Deus Pai é quem gera, e o crente é “nascido de Deus” (I Jo 5.1), nascido “do Espírito” (Jo 3.8), nascido do alto (tradução literal de Jo 3.3,7). Esses termos referem-se ao alto da graça criadora que faz do crente um filho de Deus.

b) Purificação – Deus nos salvou pelo “lavar regenerador” (literalmente, lavatório ou banho; Tt 3.5). A alma foi lavada completamente das impurezas da vida de antes, recebendo uma nova vida, uma nova roupagem espiritual na presença de Deus, experiência simbolicamente expressa pela água do batismo (At 22.16).

c) Vivificação – Somos salvos não somente pelo “lavar regenerador”, mas também pelo lavar “renovador do Espírito Santo” (Tt 3.5; Cl 3.10; Ef 4.23; Sl 51.10). A essência da regeneração é uma nova vida concedida por Deus Pai, mediante Jesus Cristo e pela operação do Espírito Santo.

d) Criação – Aquele que criou o homem no principio e soprou em suas narinas dando-lhe o fôlego de vida, o recria pela operação do Espírito Santo (II Co 5.17; Ef 2.10; Gl 6.15; Ef 4.24; cf Gn 2.7). O resultado pratico é uma transformação radical na natureza, no caráter, nos desejos e nos propósitos da pessoa.

e) Ressurreição – (Rm 6.4,5; Cl 2.13; 3.1; Ef 2.5,6). Do mesmo modo que Deus vivificou o barro inanimado dando-lhe vida para com o mundo físico, vivifica também a alma em seus pecados fazendo-a viva para a realidade do mundo espiritual, este ato de vivificação da alma é simbolizado pelo batismo nas águas, a regeneração é a “grande mudança que Deus opera na alma quando ele a vivifica” (João Wesley).

IV. A SANTIFICAÇÃO

Primeiramente, observa-se que “santificação”, “santidade” e “consagração” são sinônimos, como o são “santificados” e “santos”. Santificar é a mesma coisa que tornar santo ou consagrar. A palavra santo tem os seguintes sentidos:

1. A natureza da santificação

a) Separação. “Santo” é uma palavra que descreve a natureza divina. Seu significado primordial é “separação”; portanto, a santidade representa aquilo que está em Deus que o torna separado de tudo que é terreno e humano – isto é sua absoluta perfeição moral e sua majestade divina.
Quando o Santo deseja usar uma pessoa ou um objeto para o seu serviço, Ele o separa do seu uso comum e em virtude dessa separação, a pessoa ou o objeto torna-se “santo”.

b) Dedicação. Santificação inclui tanto a separação de quanto a alguma coisa; essa é “a condição dos crentes quando são separados do pecado e do mundo para passar a ser participantes da natureza divina e consagrados à comunhão e ao serviço de Deus”.
A palavra “santo” é mais usada em conexão com o culto. Quando se refere aos homens ou a objetos reflete o sentido de que tais coisas ou pessoas são usados no serviço divino e dedicadas a Deus, no sentido especial de ser sua propriedade.

c) Purificação. Embora o sentido primordial de “santo” seja separação para o serviço, esse sentido inclui também a idéia de purificação. O caráter de Deus age sobre tudo que lhe é devotado. Portanto, os homens consagrados a Ele participam de sua natureza. As coisas que lhe são dedicadas devem ser limpas. Limpeza é condição de santidade, mas não a santidade em si, que é primeiramente separação de dedicação.

d) Consagração. O sentido aqui é de viver uma vida santa e justa. Qual a diferença entre justiça e santidade? A justiça representa a vida regenerada em conformidade com a lei divina; os filhos de Deus andam retamente (I Jo 3. 6-10). Santidade é a vida regenerada em conformidade com a natureza divina e dedicada ao serviço divino, o que pede a remoção de qualquer impureza que obstrua esse serviço.

2. O tempo da santificação

Prática e progressiva
A santificação não acontece instantaneamente na vida de quem se converte a Cristo, mas sim um processo de constante separação, todos somos separados para Deus em Cristo Jesus e dessa separação surge a possibilidade de vivermos para Ele, a qual deve continuar diariamente: o crente deve esforçar-se para conformar-se a imagem de Cristo. A santificação é obra da livre graça de Deus, pela qual o homem todo é renovado segundo a imagem de Deus e capacitado a morrer para o pecado e viver para a justiça.

A santificação é absoluta e progressiva – absoluta, no sentido de que a obra foi feita de uma vez por todas (Hb 10.14); progressiva, no sentido em que o cristão deve perseguir a santidade (Hb 12.14), aperfeiçoando a consagração pela limpeza de todas as impurezas em seu ser (II Co 7.1).
A santificação é posicional e prática – posicional, pois primeiramente significa uma mudança de posição pela qual o pecador cheio de impurezas se transforma em santo adorador; prática, porque exige uma maneira reta de viver. A santificação posicional é indicada pelo fato de que todos os coríntios, os “santificados em Cristo Jesus e chamados para serem santos” (I Co 1.2). A santificação progressiva está implícita no fato de alguns serem descritos como “carnais” (I Co 3.3), o que significa que a presente condição não estava à altura de sua posição concedida por Deus. Em razão disso foram exortados a santificarem suas vidas e, assim melhorar sua consagração até alcançar a perfeição. Esses dois aspectos da santificação estão implícitos no fato de aqueles que foram tratados como santificados e santos (I Pe 1.2; 2.5) são exortados a serem santos (I Pe 1.15).
Aquele que estavam mortos para o pecado (Cl 3.3) são exortados a mortificar (fazer morrer) seus membros pecaminosos (Cl 3.5). Aqueles que se despiram do velho homem (Cl 3.9) são exortados a vestirem-se ou revestirem-se do novo homem (Ef 4.24; Cl 3.10).

3. Meios divino da santificação
Os maios divinos estabelecidos para a santificação é: o sangue de Cristo, o Espírito Santo e a Palavra de Deus. O primeiro proporciona a santificação absoluta e posicional; é uma obra consumada que concede ao pecador que se arrepende, é uma posição perfeita em relação a Deus. O segundo meio é interno, pois efetua transformação na natureza do crente. O terceiro maio externo e prático e diz respeito à conduta prática do crente.

a) O Sangue de Cristo (eterno, absoluto e posicional) (Hb 13.12; 10.10,14; I Jo 1.7). Em que sentido a pessoa é santificado pelo sangue de Cristo? Em resultado da obra consumada por Cristo, o pecador que se arrepende é transformado de pecador impuro em adorador santo. A santificação é o resultado dessa maravilhosa obra redentora do Filho de Deus, ao oferecer-se no Calvário para aniquilar o pecado pelo seu sacrifício.
Em virtude dessa sacrifício o crente é separado para Deus: sua consciência é purificada, e ele próprio é transformado de pecador impuro em santo adorador, unido em comunhão com o Senhor Jesus Cristo, pois, “ tanto o que santifica quanto os que são santificados provem de um só. Por isso Jesus não se envergonha de chamá-los irmãos (Hb 2.11)”.

b) O Espírito Santo (santificação interna) (I Co 6.11; II Ts 2.13; I Pe 1.1,2; Rm 15.16). Nessas passagens, apresenta-se a santificação pelo Espírito Santo no coração como o inicio da obra de Deus no coração dos homens, conduzindo-os ao inteiro conhecimento da justificação pela fé no sangue de Jesus. Assim como o Espírito de Deus se movia sobre a face das águas (Gn 1.2) e em seguida a Palavra de Deus trouxe ordem ao caos primevo, o Espírito Santo também se move sobre a alma regenerada, fazendo-a abrir-se para receber a luz e a vida de Deus (II Co 4.6).

c) A Palavra de Deus (santificação externa e prática) (Jo 17.17; Ef 5.26; Jo 15.3; Sl 119.9; Tg 1.23-25). Os cristãos são descritos como “regenerados [ ... ], por meio da Palavra de Deus, viva e permanente” (I Pe 1.23). A Palavra de Deus desperta os homens para que compreendam a insensatez e impiedade de sua vida. Quando dão importância à Palavra, arrependendo-se e crendo em Cristo, são purificados por essa Palavra que lhes foi transmitida. Esse é o inicio da purificação que deve continuar ao longo da vida do crente.
No ato de sua consagração ao ministério, o sacerdote israelita recebia um banho sacerdotal completo, banho que nunca se repetia, pois era uma obra feita de uma vez por todas. Contudo todos os dias, ele era obrigado a lavar as mãos e os pés. Da mesma maneira, o regenerado foi lavado (Tt 3.5), mas precisa separa-se diariamente das impurezas e imperfeições conforme lhe foram reveladas pela Palavra de Deus, que serve como espelho para a alma (Tg 1.22-25). Ele deve lavar as mãos, isto é, seus atos devem ser retos; deve lavar os pés, isto é, “guardar-se de imundície que tão facilmente se apega aos pés do peregrino, que anda pelas estradas desse mundo”.

Deus te abençoe, querido irmão.

Alan Fabiano


Bibliografia
Dicionário – Vine;
Bíblia Sagrada – Bíblia e Chave Bíblica – Revista e Corrigida;
Conhecendo as Doutrinas Bíblicas – Myer Pearlman.

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